Membros de organizada invadem reunião e xingam Aurélio Miguel

Vereador e conselheiro do São Paulo é contra o monotrilho no Morumbi, enquanto integrantes da torcida Independente são a favor

Fonte IG São Paulo

A discussão sobre a implantação do monotrilho na cidade de São Paulo tomou proporções inesperadas na última quarta-feira, durante audiência no Parque do Ibirapuera. Antes da pré-aprovação do Cades (Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), integrantes de uma torcida organizada do São Paulo invadiram o local da reunião para protestar a favor do projeto, que terá uma estação bem próxima ao estádio do Morumbi.
O clube paulista é declaradamente favorável à construção do sistema de metrô em via elevada, que terá apenas recursos públicos investidos. Em contrapartida, o conselheiro são-paulino Aurélio Miguel, líder de oposição ao presidente Juvenal Juvêncio, é contra o monotrilho. E foi justamente ele o principal alvo de xingamentos dos membros da torcida Independente que foram ao encontro.

O vídeo ao lado mostra a invasão dos são-paulinos, que entoaram cânticos como "É monotrilho! É monotrilho!" enquanto a audiência estava em andamento. "A burguesia não quer? Então tá bom! Alto escalão vocês. Da hora! Interesse pessoal né Aurélio Miguel?", disse um dos torcedores.
O vídeo ao lado mostra a invasão dos são-paulinos, que entoaram cânticos como "É monotrilho! É monotrilho!" enquanto a audiência estava em andamento. "A burguesia não quer? Então tá bom! Alto escalão vocês. Da hora! Interesse pessoal né Aurélio Miguel?", disse um dos torcedores.
O ex-judoca, e que também é vereador da cidade, respondeu aos ataques de um integrande da organizada, que o chamou de playboy, safado e pilantra. "Safado não, safado deve ser você que vem aqui agitar. O São Paulo Futebol Clube é quem está patrocinando essa pouca vergonha", disparou Aurélio Miguel, indicando que os torcedores foram ao local a mando da atual diretoria são-paulina.
Em conversa exclusiva com a reportagem do iG, o político achou lamentável a atitude da torcida e voltou a acusar o São Paulo pelo fato. "Sem comentários, foi uma infelicidade. Não sei de quem partiu isso lá do São Paulo Futebol Clube, mas só pode ser de quem desrespeita as regras de estatuto e descumpre tudo. Os torcedores disseram que eu era contrário, mas eu disse que era a favor do metrô de qualidade. Já temos a Linha 4, não precisa de monotrilho", comentou.
O projeto em questão é o da futura Linha 17-Ouro, que vai ligar o aeroporto de Congonhas ao estádio do Morumbi. No total, a composição terá cerca de 17,9 quilômetros de extensão distribuídos em 18 estações. Ela possibilitará a integração com as com as linhas 1-Azul (Estação Jabaquara), 5-Lilás (Estação Água Espraiada), 4-Amarela (Estação São Paulo-Morumbi) do Metrô e com a Linha 9-Esmeralda da CPTM (Estação Morumbi).
"O monotrilho não é um transporte de qualidade, como é o metrô. Metrô você transporta 100 mil passageiros por hora, enquanto o monotrilho se chegar a 20 mil é muito. É algo que as grandes cidades não têm. Você vai em Londres, Barcelona, Tóquio, que tem o metrô tradicional", disse Aurélio Miguel, frisando que está defendendo os interesses da cidade de São Paulo. "Metrô é ótimo, mas monotrilho não dá", comentou.

AE
Aurélio Miguel, conselheiro do São Paulo
Quem também esteve presente na discussão de quarta-feira foi José Francisco Manssur, assessor especial da presidência do São Paulo e chefe do Comitê Morumbi 2014. Também em contato com o iG, ele admitiu que o clube apoia a proposta do monotrilho e até certo ponto defendeu a ação dos torcedores que foram se manifestar.
"O São Paulo é completamente a favor, e a torcida do São Paulo também. Eles foram lá, tomaram essa iniciativa e se posicionaram favoráveis à construção do monotrilho. Já Participei de três audiências do monotrilho, as pessoas contrárias ao projeto não deixavam as pessoas favoráveis falar, nunca houve presença de torcedor organizado. A sociedade tem que se manifestar dento das regras. Então, se a torcida vai lá, se coloca e se manifesta, ótimo. Mas qualquer pessoa que vai lá para causar tumulto e não deixar os outros falarem, está errado", avaliou.
Essas pessoas contrárias citadas por Manssur são, basicamente, integrantes da Saviah (Sociedade dos Amigos da Vila Inah). Vila Inah é um bairro dentro do distrito do Morumbi, nos arredores do estádio.

AE
José Francisco Manssur, assessor especial da presidência do São Paulo
"Em outras situações, essa minoria do bairro que é contrária, teve atos de profundo desrespeito, não deixava as pessoas do metrô falar, interrompia, fazia barulho, e por alguns minutos o pessoal da torcida fez a mesma coisa. Mas eles se retiraram do local pacificamente e a reunião seguiu normalmente", contou.
Manssur disse que os moradores não querem o monotrilho na região por questões elitistas, e fez analogia ao protesto que aconteceu recentemente no bairro de Higienópolis, onde os moradores foram contra a implantação de uma estação de metrô na avenida Angélica, culminando no "Churrasco de gente diferenciada", que reuniu centenas de pessoas no bairro nobre da capital.
O fato é que o monotrilho deve mesmo sair do papel. Embora o Cades tenha concedido licença ambiental prévia para a Linha 17, ao mesmo tempo fez 55 exigências para dar continuidade ao processo de licenciamento. Essas normas devem devem ser cumpridas para que o projeto executivo seja concedido.

Foto: Divullgação/Metrô
Perspectiva artística do monotrilho

Foto: AE
Mulher faz protesto contra o monotrilho nesta quarta-feira, no Parque Ibirapuera
Monotrilho da discórdia
A nova Linha 17-Ouro do Metrô paulistano será construída em via elevada (sistema monotrilho) e passará pelas avenidas Água Espraiada, Washington Luiz, Marginal Pinheiros, Perimetral Sul (em implantação pela Prefeitura) e Jorge João Saad, atendendo também a comunidade de Paraisópolis. No total, a linha terá 17,9 km de extensão e 18 estações.



Foto: Divulgação/Metro

Projeto da Linha 17-Ouro


Os trens se deslocarão por quase 20 km de vias elevadas a 15 metros de altura, sustentadas por enormes pilares construídos a cada 30 metros. O primeiro trecho, previsto para 2014, ligará o aeroporto de Congonhas à Estação Morumbi, da Linha 9-Esmeralda da CPTM, atendendo a zona hoteleira situada na região da Berrini.


Quando estiver concluída, a linha oferecerá dois serviços: um itinerário ligará as estações Congonhas e Brooklin, na Linha 17-Ouro, e o outro as estações Jabaquara (Linha 1-Azul) a São Paulo-Morumbi (Linha 4-Amarela).


O projeto prevê um “corredor verde” sob a linha, com trabalho paisagístico. Haverá ainda enterramento das fiações aéreas e nova iluminação por onde passar o elevado do monotrilho. As intervenções criarão uma paisagem moderna para a cidade. Todas as estações terão bicicletário.

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