Há exatos 20 anos, em 9 de junho de 1991, o São Paulo conquistou o primeiro tri brasileiro de sua história e acabou com a fama que o perseguia nas duas temporadas anteriores: a de "amarelar" em finais da competição nacional. Para tanto, o time do Morumbi contou com a ajuda do ponta direita Mário Tilico, que, pelos gols decisivos - como o da primeira decisão contra o Bragantino -, ficou conhecido como "talismã" são-paulino.
Conhecido por sua velocidade, Tilico já havia caído no gosto dos torcedores são-paulinos com o gol "espírita" marcado na semifinal do Campeonato Paulista de 1989, contra o Bragantino, classificando o time tricolor para a decisão - posteriormente vencida diante do São José.
"O próprio Telê Santana (treinador do São Paulo na época) falava: 'o Tilico é minha arma secreta, ele entra e muda o jogo'", lembra o ex-jogador, que, aos 46 anos, trabalha como técnico (seu último clube foi o CSA-AL, em fevereiro deste ano).
Entretanto, em 1989 e 1990, o xodó da equipe tricolor não conseguiu levar o São Paulo ao título brasileiro, perdendo decisões para Vasco e Corinthians, respectivamente. Os vice-campeonatos consecutivos fizeram pairar sobre o time do Morumbi a fama de "amarelão".
Para piorar esse cenário, o São Paulo realizou uma péssima campanha no Paulista de 1990 e só não caiu para a segunda divisão porque o regulamento da competição não previa o rebaixamento. Nada disso, porém, impediu que o elenco tricolor buscasse forças para reverter a má fase.
"Naquela época, sofríamos uma pressão normal para um time que chegou a duas finais seguidas de Brasileiro e não venceu. Além disso, existia a cobrança grande sobre o Telê Santana, que tinha fama de 'pé-frio'. Mas não era nada que causasse desespero. A equipe soube administrar bem essas cobranças e conseguiu o título", acrescentou Tilico, em contato com o Terra.
Gols decisivos
Tilico iniciou aquele Campeonato Brasileiro, disputado de 2 de fevereiro a 9 de junho de 1991 em turno único, como titular, mas após sofrer uma lesão muscular, perdeu a vaga para o jovem Macedo. Nas semifinais, porém, o ponta direita começou a justificar a fama de "talismã".
No jogo de ida, contra o Atlético-MG, no Mineirão, entrou no lugar de Zé Teodoro. Lançado por Raí, Mário Tilico usou a velocidade e tocou na saída do goleiro Carlos, garantindo o empate por 1 a 1. Depois de nova igualdade, desta vez por 0 a 0, o São Paulo, por ter a melhor campanha da primeira fase, selou a classificação para a terceira final seguida de Brasileiro.
O rival na decisão era o Bragantino, então campeão paulista. Jogando em casa, o São Paulo decidiu o título na primeira partida. Mário Tilico, que acabara de entrar na vaga de Elivélton, fez o gol da vitória por 1 a 0 aos 4min do segundo tempo.
"O Cafu fez um cruzamento da direita, o Bernardo cabeceou e a bola bateu na trave. No rebote, o Muller furou, a bola tocou na perna dele e sobrou. Foi um lance difícil, mas bati na diagonal e marquei o gol", descreve Tilico, que, do banco de reservas, viu o São Paulo empatar o segundo jogo por 0 a 0, em Bragança Paulista, para finalmente levantar a taça de tri brasileiro. "Foi um alívio", relembra o ex-atacante.
Mário Tilico considera o gol do tricampeonato brasileiro do São Paulo como um dos mais importantes da carreira, juntamente com os dois tentos que deram o título da Supercopa dos Campeões da Libertadores de 1991 ao Cruzeiro.
"Por serem gols decisivos, posso dizer que o do Brasileiro, pelo São Paulo, e os da Supercopa, pelo Cruzeiro, são os mais marcantes da minha carreira".
Início de uma era vencedora e reconhecimento
Logo depois do Campeonato Brasileiro de 1991, Tilico foi emprestado ao Cruzeiro e, dessa forma, não participou das conquistas do bicampeonato da Copa Libertadores e do Mundial. Mesmo assim, o ex-atacante acredita que, ao fazer o gol do título do tri nacional, deu início a uma das eras mais vencedoras da história do São Paulo.
"Se a gente não vence o Campeonato Brasileiro naquele momento, talvez não aconteceria toda aquela sequência vitoriosa do São Paulo. Lógico que, sendo grande como é, o São Paulo até poderia conseguir esses títulos em uma outra época. Mas aquele título brasileiro de 1991 foi o grande impulso para todas as outras conquistas seguintes", diz.
Passados 20 anos da consagração como herói do São Paulo, Mário Tilico ainda é lembrado pela torcida e se diz feliz com o reconhecimento que recebe do clube.
"Em 2006, fui convidado para entregar o troféu do título brasileiro daquele ano para o Rogério Ceni e recebi carinho da diretoria e dos torcedores, mesmo dos mais jovens. Foi uma surpresa porque já se passaram muitos anos e você não imagina que o torcedor irá lembrar. Quando marquei aquele gol, não imaginava que ficaria para a história. Hoje sei da dimensão do meu feito", afirma o "talismã" tricolor.
Confira a ficha técnica das duas partidas decisivas que deram o título brasileiro de 1991 ao São Paulo:
1º jogo
SÃO PAULO 1 x 0 BRAGANTINO
Data: 5 de junho de 1991
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas
Gol: São Paulo: Mário Tilico, aos 4min do segundo tempo
SÃO PAULO: Zetti; Cafu, Antônio Carlos, Ricardo Rocha e Leonardo; Ronaldão, Bernardo e Raí; Müller, Macedo e Elivélton (Mário Tilico)
Técnico: Telê Santana
BRAGANTINO: Marcelo Martelotte; Gil Baiano, Júnior, Nei e Biro-Biro; Mauro Silva, Alberto e Mazinho Oliveira; Ivair (Luís Müller), Sílvio e Ronaldo Alfredo(Franklin)
Técnico: Carlos Alberto Parreira
2º jogo
BRAGANTINO 0 x 0 SÃO PAULO
Data: 9 de junho de 1991
Local: Estádio Marcelo Stéfani, em Bragança Paulista (SP)
Árbitro: José Roberto Wright
BRAGANTINO: Marcelo; Gil Baiano, Júnior, Nei e Biro-Biro; Mauro Silva, Alberto e Mazinho Oliveira; Ivair (Luís Müller), Sílvio e João Santos (Franklin)
Técnico: Carlos Alberto Parreira
SÃO PAULO: Zetti; Zé Teodoro, Antônio Carlos, Ricardo Rocha e Leonardo; Ronaldão, Bernardo, Cafu e Raí; Macedo e Müller (Flávio)
Técnico: Telê Santana
Nos 20 anos do tri, "talismã" são-paulino relembra gol salvador
Fonte Terra
9 de Junho de 2011
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