A retranca é a chave do sucesso do São Paulo neste início de Brasileiro. Ontem, o time de Carpegiani voltou a usar quatro volantes para bater o Atlético-MG (1 a 0) e assumir a liderança da competição.
Os 100% de aproveitamento do Tricolor nas três primeiras rodadas foram obtidos sem sofrer gols. Com a ausência de Miranda e Rhodolfo (machucados), Carpegiani não hesitou em escalar Wellington, Rodrigo Souto, Casemiro e Carlinhos Paraíba no meio.
Apesar da pressão sofrida no segundo tempo, o elenco apoiou a opção defensiva - que já havia sido usada na estreia, quando bateu o Flu (2 a 0) no Rio. "É um esquema que tem dado certo", defende Dagoberto.
Para Casemiro, autor de um belo gol na primeira etapa, o domínio dos mineiros após o intervalo não preocupou. "Não é por causa da formação, isso é normal pelo apoio da torcida. Não se pode tirar o mérito deles."
A partida foi a centésima consecutiva de Rogério Ceni no São Paulo (desde janeiro de 2010). Para bater o recorde faltam sete - entre 1963 e 1965, o também goleiro Suly fez 107 jogos seguidos pelo Tricolor.
Contra ataques. No primeiro tempo, o São Paulo soube usar os contra-ataques como arma para levar perigo. A velocidade de Dagoberto e Lucas infernizou a defesa atleticana, mas não se traduziu em gols. O placar foi aberto em um lance armado pelos volantes.
Aos 21, Casemiro recebeu de Wellington na entrada da área e bateu com precisão no canto para vencer Renan Ribeiro.
Até o intervalo, Lucas teve duas chances para marcar. Em uma delas, a bola foi no travessão. Na outra, ele evitou chutar de esquerda e arrematou fraco com o pé direito.
"Tentei dar um toque com a direita e errei", lamentou o camisa 7. "Mas estamos criando. Falta apenas acertar o pé para matar o jogo."
Rogério Ceni apoiou o garoto, que havia marcado nas duas rodadas iniciais. "O importante é que ele está ali criando, numa posição que não é a dele, de segundo atacante", disse o goleiro, que pediu atenção na defesa. "Eles têm laterais rápidos, isso cansa o time rival."
O segundo tempo, porém, foi de pressão dos donos da casa. O São Paulo recuou demais e perdeu os contra-ataques. O primeiro chute após o intervalo veio só após os 30 minutos.
No fim, o juiz ainda deu 9 minutos por conta de um atendimento médico a Ceni, mas o São Paulo conseguiu segurar a vitória e a liderança.

Xandão, Bruno Uvini e Luiz Eduardo abraçam Rogério Ceni após o jogo em Sete Lagoas. Tricolor reagiu após queda na Copa do Brasil e assumiu a ponta do Brasileirão (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)