Torcedor, prepare o bolso no Brasileirão

Fonte Jornal da Tarde
20 de Maio de 2011
O santista Luiz Fernando de Palma estava revoltado quarta-feira no Pacaembu. “Paguei R$ 250 pelo ingresso e o estádio não tem banheiro. Isso é uma vergonha. E ainda querem fazer a Copa no Brasil…” Ele comprou o bilhete para o setor mais caro, mas as filas nos banheiros químicos inviabilizaram qualquer tentativa de esvaziar a bexiga no intervalo. Esta é a realidade brasileira: ingressos cada vez mais caros, e estádios cada vez mais precários. O caso do Pacaembu não é isolado. Em todos os lugares os torcedores encontram péssimas condições e pagam preços exorbitantes para acompanhar um esporte tão popular.
O próprio IBGE já havia mostrado como ver futebol ao vivo ficou muito mais caro. De 2004 para cá, enquanto a inflação oficial (IPCA) foi de 47,97%, os ingressos para jogo de futebol aumentaram 152,06%. Como a CBF não define um preço mínimo, segundo o próprio regulamento da competição, cada clube cobra quanto acha que deve.
“Houve um aumento exorbitante dos ingressos nos últimos cinco anos. No Rio a arquibancada passou de R$ 15 para R$ 30 em um ano e depois foi para R$ 40. Nas finais do Estadual, custava R$ 60. Isso é um preço que só as classes A e B podem pagar. Eu mesmo deixei de ir à final porque gastaria R$ 120 com o meu ingresso e do meu filho. É a primeira vez que deixo de ir a um jogo do Flamengo por causa do preço dos ingressos”, conta Marcos Alvito, professor universitário e da diretoria da Associação Nacional dos Torcedores.
Em todas as regiões houve um aumento grande no preço dos ingressos. No último Brasileirão, o Corinthians teve o maior preço médio, com R$ 32,77. Um pouco abaixo do que foi cobrado pelo Palmeiras em 2009: R$ 35,31, o recorde até agora. Já o Flu aproveitou sua arrancada vitoriosa ano passado para encher os cofres: uma média de R$ 25,32, mais do que o dobro do que havia sido cobrado pelo clube no ano anterior. Até o Bahia, que costuma encher o estádio em suas partidas, se aproveitou da boa fase ano passado para aumentar os ingressos. Nos últimos sete anos, a variação foi de 211%.
Mário Celso Petraglia, ex-presidente do Atlético-PR, foi responsável pelas mudanças no clube bem antes de este processo se iniciar no Brasil. “Paguei um preço alto pelo pioneirismo. Melhoramos a qualidade da Arena da Baixada a partir de 99, e entendemos naquele momento que os preços teriam de ser equivalentes a essa melhoria. Inicialmente foi a R$ 30, houve reclamação geral, torcedores foram para o Procon e acabamos dando uma recuada.” Mas hoje o clube achou um equilíbrio, principalmente pela grande quantidade de sócios que possui (22 mil). Assim, o preço do ingresso é mais baixo do que o cobrado por outros clubes.
O caso do Figueirense é semelhante. O clube tem entre os 20 times da primeira divisão o ingresso mais barato. Tem 13 mil sócios, e um estádio com capacidade de 19,5 mil torcedores. Renan Dal Zotto, diretor de marketing do Figueira, orgulha-se do fato. “Nossa média do Estadual foi a maior do campeonato, com quase 10 mil pessoas por partida. Queremos sempre ter a casa cheia. Acho que é preciso ter um bom espetáculo, mas o preço tem de ser condizente e razoável. Não queremos, em um momento de dificuldade, ter de baixar o preço para atrair público.”
Público cresce no sofá
O número de vendas do pacote de pay-per-view, que possibilita assistir a todas as partidas do Brasileirão ao vivo, cresce a cada ano. Quase um milhão de torcedores já fez a assinatura (eram 993 mil até o fim de abril), ao valor mínimo de R$ 58,20 por mês. Em 2008, o preço era R$ 48,80. Mesmo com o aumento de 19% no período, as assinaturas não param de aumentar.
Para Marcos Alvito, os preços mais caros de ingressos nos estádios servem para afugentar os torcedores para o sofá de casa. “Até 2014 ocorrerá uma verdadeira expulsão dos estádios dos membros das camadas mais humildes, exatamente o grupo que forneceu os maiores jogadores para o nosso futebol. A eles restará apenas assistir ao futebol pela televisão.”
Mário Celso Petraglia acha que a situação se encaminha mesmo para um ingresso mais caro. “O caminho é o preço do espetáculo ao vivo ser bem mais caro que o do pacote de televisão após a Copa do Mundo de 2014.” (colaborou Thaís Pinheiro)
Veja os gráficos detalhados do aumento dos ingressos em cada clube:
href="https://blogs.estadao.com.br/jt-esportes/files/2011/05/Ingresso_13.jpg">



Avalie esta notícia: 1 3
VEJA TAMBÉM
-
Lucas Arcanjo no São Paulo? Diretoria responde sobre goleiro especulado para 2027
- São Paulo estuda renovação de empréstimo de Artur com o Botafogo
- Novo presidente? Marcelo Portugal revela plano para Cotia e cobra espaço para jovens
- Santos quer jogar no Morumbi, e São Paulo pode abrir as portas para o rival
- Árbitro afastado pela CBF após erro grave vai apitar jogo do São Paulo



Comentários

Nenhum comentario!
Enviar comentário
Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui.

+Lidas Notícias

LogoSPFC.net
©Copyright 2007 - 2026 | SPFC.net