Os primeiros minutos já deixaram claro que os dois jogadores ditariam o ritmo da partida. Do lado do São Paulo, Lucas era responsável pelas principais jogadas de ataque, sempre disparando verticalmente em direção ao gol mineiro. Do outro lado, Montillo era o cérebro, usando sua habilidade para procurar espaço na defesa paulista para deixar algum companheiro em condições de marcar.
Lucas, com sua velocidade, arrumou uma falta na entrada da área para o goleiro Rogério Ceni mandar na barreira e deu ainda um chute sobre o travessão, sem muito perigo, além de oferecer uma chance para Dagoberto e outra para Ricardo Oliveira, mas elas não deram em nada.
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Montillo ficou mais tempo com a bola, escolhendo sempre o momento certo para agir. A marcação sobre ele não era individual, como avisou o técnico Paulo César Carpegiani, mas o argentino era cercado por dois ou três são-paulinos sempre que tentava criar alguma coisa. Na única vez que teve espaço, ele quase encontrou Robert livre atrás da defesa. Rogério salvou.
A dor de dente que fez Lucas deixar o hotel em que o São Paulo estava hospedado em Uberlândia para ir ao dentista não o atrapalhava nem um pouco. As principais jogadas sempre começavam com o garoto.
O Cruzeiro, aliás, deveria ter ficado com um a menos no fim do primeiro tempo por causa dele. Gilberto acertou violentamente o joelho do são-paulino, mas recebeu apenas o amarelo. “Não tive intenção”, disse o cruzeirense, que foi pedir desculpas para Lucas. Na verdade, ele deveria agradecer ao árbitro.
Que golaço!
Lucas deixou o campo no intervalo chorando por causa da entrada criminosa, mas voltou para os 45 minutos finais com muito mais vontade, apesar da marca que vai ficar em sua canela por muito tempo.
E ele foi premiado com um golaço. O garoto arrancou em velocidade e, mesmo caçado, deixou dois adversários para trás como quis, tabelou com Dagoberto, driblou o goleiro Fábio e colocou na rede com o pé esquerdo.