O novo São Paulo jogou numa versão moderna do 4-2-4, com Lucas e Fernandinho como autênticos pontas e Dagoberto na função dos antigos “pontas-de-lança” fazendo companhia a Ricardo Oliveira, para compensar com volume de jogo avassalador, quase inconsequente, a falta de um articulador que pense o jogo e faça o time trabalhar a bola com mais calma.

O “resgate” de um esquema ultraofensivo não é grande novidade. O Manchester United de Alex Ferguson ganhou o campeonato inglês e a Liga dos Campeões na temporada 2007/08 com Cristiano Ronaldo e Giggs como os “wingers” e Rooney e Tévez à frente. Todos marcando a saída de bola e ocupando o campo adversário.
A solução também não é nova para Carpegiani. No Atlético-PR ele usou do mesmo recurso na ausência de Paulo Baier: Guerrón e Maikon Leite aceleravam pelos lados e Branquinho se aproximava de Bruno Mineiro pelo centro. Tudo muito intenso e rápido para surpreender o oponente.
Num jogo que teve vinte minutos de tirar o fôlego com cinco gols e um final épico pelo tento de Jean nos acréscimos de Sandro Meira Ricci, a coragem do time do Morumbi foi premiada, mesmo com os muitos erros de posicionamento e individuais do sistema defensivo.
A opção por Carlinhos Paraíba no lugar de Casemiro deu ao meio-campo um toque mais pensado na saída de bola, porém sobrecarregou ainda mais Rodrigo Souto na marcação. O volante sofreu com o revezamento de Alan Patrik e Neymar às suas costas e expôs Alex Silva e Miranda, que já sofriam com a movimentação e o ímpeto de Zé Eduardo.
Ainda assim, a equipe desarmou mais que o Santos: 21 a 17. E por isso teve mais a bola, com 52% de tempo de posse. Resultado do empenho do quarteto ofensivo na marcação e também de alguns exageros no individualismo de Neymar e Patrik que descomplicaram o combate direto.
No ataque, o destaque é Dagoberto, que cresceu demais após a troca no comando técnico e voa para cima dos defensores. O “plus” da performance é o ótimo aproveitamento nas conclusões. O “Dagol” já foi às redes três vezes em duas partidas. Fora a participação direta no gol contra de Pará. É o posicionamento do atacante no lugar de um meia mais cerebral que explica a fúria são-paulina que agrada as retinas pela alternância das jogadas aéreas com a troca de passes rasteiros em alta velocidade.
A revolução no Morumbi é salutar, mas ainda difícil de ser assimilada. Assim como não é simples vislumbrar o futuro no Brasileirão de um time que parecia com a cabeça em 2011, mas ainda está muito vivo e com fome na reta final da temporada.

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