Um dia depois de afirmar que não contrataria Dorival Júnior, o dirigente acompanhou o último treino antes do jogo à beira do gramado. Sentado em um banco ao lado do campo principal do CT da Barra Funda, Juvenal não arredou pé enquanto não acabou a atividade, que durou mais de duas horas. E depois disse mais uma vez para o interino que ele continua.

Baresi durante treino do São Paulo no CT da Barra Funda (Werther Santana/AE)
“Ele falou: ‘Baresi, vamos continuar firmes e fortes, convictos do trabalho’”, confidenciou o técnico ao JT em um tom que tentava imitar o jeito de falar do presidente. “A presença dele me dá mais confiança. Ele é um cara que sorri pouco e agora está sorrindo sempre. Você percebe que está feliz de verdade.”
O fato de continuar sendo tratado como interino pela diretoria já não o incomoda. “O mais importante é como você se sente em relação aos atletas e ao grupo. Eu disse que me sentia como técnico, porque me foi dada essa confiabilidade, então não tenho me desgastado por causa da palavra ‘interino’.”
E usou mais uma vez o que foi dito pelo presidente para se sentir seguro. Juvenal disse que o momento do São Paulo é “especial” pelo aproveitamento da base e que não iria perdê-lo contratando um outro técnico. “Estamos aqui para pensar no que é melhor para o São Paulo. O presidente deixou claro que está pensando que o melhor para o São Paulo é minha permanência”, disse Baresi.
Juvenal está satisfeito com o fato de o treinador, diferentemente dos antecessores Muricy Ramalho e Ricardo Gomes, estar dando mais atenção para os garotos das categorias de base. “Agora não está se aproveitando por aproveitar, mas sim porque eles têm qualidade para jogar”, comentou Baresi, que bancou Lucas e Casemiro no time .
“O trabalho está sendo feito. Nós conseguimos mostrar o Lucas, o Casemiro, o PA (apelido do volante Zé Vítor), e outros que ainda terão oportunidades no decorrer do Brasileiro.”
Além disso, o presidente não está gastando um caminhão de dinheiro com o seu salário. Com o reajuste que recebeu da diretoria após subir para o profissional, Sérgio Baresi, que era técnico dos juniores, ganha R$ 40 mil. Ricardo Gomes recebia R$ 160 mil, e Muricy Ramalho ganhava R$ 380 mil.
Nada de Luxemburgo
Mas nem todo mundo no clube compactua da satisfação de Juvenal com Sérgio Baresi. Segundo um conselheiro, que realizou uma pesquisa com os conselheiros do clube e informou ao JT, 43% deles gostariam que Dorival Júnior fosse contratado para comandar o time. O interino recebeu 10% dos votos.
O ex-técnico do Santos, que recebia R$ 350 mil na Vila, foi descartado pelo presidente um dia depois de ter sido dispensado pelo Santos. Vanderlei Luxemburgo, demitido quinta-feira pelo Atlético Mineiro, também está fora dos planos de Juvenal. Apesar do alto índice de rejeição, ele teve seu nome estudado pela diretoria depois da saída de Ricardo Gomes.
Ao que tudo indica, Juvenal continuará a não dar ouvidos para dirigentes e conselheiros e manterá Baresi até o final do Brasileiro para provar mais uma vez que não abre mão de sua convicção. Se ele está certo ou não, só em dezembro se saberá.