A Bombonera estará lotada, o Boca Juniors terá o apoio de sua torcida e o São Paulo sabe que os primeiros 90 minutos das quartas de final da Sul-Americana podem definir muito do seu futuro na competição. Nesta terça-feira (8), às 21h30, o Tricolor entra em campo em Buenos Aires com uma missão clara: fazer um jogo inteligente e trazer a decisão para o MorumBIS.
Não significa necessariamente jogar pelo empate ou abrir mão de atacar. O desafio de Dorival Júnior é encontrar o equilíbrio entre competir com personalidade e evitar que o Boca transforme a pressão da Bombonera em uma vantagem difícil de reverter no jogo de volta.
1. Sobreviver à pressão dos primeiros minutos
A primeira missão é também uma das mais importantes. O São Paulo não pode permitir que a atmosfera da Bombonera faça o time entrar acelerado, errando passes simples ou oferecendo espaços ao adversário.
O Boca deverá tentar aproveitar o apoio da torcida para pressionar desde o início. Quanto mais tempo o Tricolor conseguir manter o placar controlado, maior poderá ser a ansiedade dos argentinos e melhor será o cenário para a equipe de Dorival.
2. Não deixar Paredes controlar o jogo
Leandro Paredes é uma das principais referências técnicas do Boca. Dar liberdade para o meio-campista pensar, levantar a cabeça e organizar as jogadas pode significar passar boa parte da partida defendendo próximo da própria área.
Marcos Antônio, Danielzinho e os demais jogadores do setor precisarão diminuir os espaços, pressionar o portador da bola e dificultar a construção argentina. A disputa pelo meio-campo pode ser determinante.
3. Ter coragem para atacar
Respeitar a Bombonera não significa apenas se defender. O São Paulo precisa mostrar ao Boca que também oferece perigo, principalmente nas transições rápidas quando recuperar a bola.
Luciano, Calleri e os jogadores que atacarem pelos lados podem encontrar espaços quando o Boca adiantar suas linhas. Uma chegada perigosa, uma finalização ou até um gol podem mudar completamente o ambiente do estádio.
4. Aproveitar cada bola parada
Em um confronto equilibrado de mata-mata, escanteios e faltas próximas da área ganham ainda mais importância. Com jogadores fortes pelo alto como Arboleda, Sabino e Calleri, o São Paulo possui armas para transformar a bola parada em oportunidade real de gol.
Também será fundamental fazer o contrário: evitar faltas desnecessárias perto da própria área e manter concentração máxima nas cobranças do Boca.
5. Controlar a cabeça — e entender que são 180 minutos
Talvez este seja o ponto mais importante. A Bombonera costuma transformar cada dividida, reclamação e decisão da arbitragem em um acontecimento. Entrar nesse clima pode ser exatamente o que o Boca deseja.
O São Paulo precisa evitar cartões por reclamação, discussões e qualquer situação que possa deixar o time com um jogador a menos. O confronto não termina nesta terça-feira.
A partida de volta será disputada no dia 15 de setembro, às 21h30, no MorumBIS. Portanto, mesmo que o cenário fique complicado em determinados momentos, o Tricolor precisa lembrar que terá outros 90 minutos diante de sua torcida para definir a classificação.
São Paulo chega em bom momento
Há motivos para o torcedor acreditar. O São Paulo chega à Argentina depois de duas vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro e ainda não esteve em desvantagem no placar em nenhuma das oito partidas que disputou nesta edição da Sul-Americana.
Dorival também recuperou Victor Sá, que voltou a treinar normalmente e está à disposição. Calleri, preservado inicialmente nos últimos jogos, deve retornar ao time titular justamente diante de seu ex-clube.
A Bombonera exigirá talvez o maior teste de maturidade do São Paulo na temporada. Se conseguir controlar os primeiros minutos, competir no meio, atacar quando houver espaço, aproveitar a bola parada e, principalmente, manter a cabeça no lugar, o Tricolor tem condições de voltar para casa com a eliminatória completamente aberta.
E você, torcedor: assinaria um empate na Bombonera ou acha que o São Paulo tem condições de vencer o Boca na Argentina?
