O Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne para discutir a reforma do Estatuto do clube, um ato que envolve a análise de 54 propostas de mudanças. Este encontro ocorre em meio a contestações por parte de grupos da situação, que pedem que a votação seja adiada para a próxima gestão, alegando que não há tempo hábil para um debate adequado.
A proposta de reforma abrange significativas alterações na governança, incluindo a reestruturação do Conselho de Administração e um estudo de viabilidade para a transformação do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Caso as modificações sejam aprovadas, elas entrarão em vigor em 2027, após referendo em Assembleia Geral dos sócios.
Os cinco grupos políticos que apoiam a administração atual, liderada pelo presidente Harry Massis, manifestaram-se contrários à votação neste momento. Em uma nota conjunta, eles afirmaram que questões de tal magnitude merecem um debate mais amplo e que a análise poderia ser realizada na próxima gestão, sem descartar a necessidade de reformulação.
Dentre as principais mudanças propostas, destaca-se a redução no número de integrantes do Conselho de Administração, que passaria de nove para apenas três conselheiros, além de um representante do Conselho Consultivo e cinco membros independentes. A seleção desses últimos seria realizada por uma empresa especializada, com a confirmação final dependente do Conselho Deliberativo.
A remuneração dos conselheiros também seria revista, eliminando o teto atual que limita os salários em relação ao funcionalismo público. Ademais, a nova estrutura prevê que o presidente do clube não assuma automaticamente a presidência do Conselho de Administração, uma mudança que visa aumentar a autonomia do colegiado.
As alterações propostas ainda incluem um novo alinhamento do setor de compliance, que passaria a reportar-se diretamente ao Conselho de Administração, bem como uma maior responsabilidade deste na elaboração e análise do orçamento do clube. Também está previsto que o Conselho desenvolva um planejamento estratégico com um horizonte de três a cinco anos.
Embora a votação no Conselho Deliberativo seja um passo importante, a reforma do Estatuto do São Paulo depende da aprovação final em Assembleia Geral, o que garante que os sócios terão voz na condução das mudanças. A expectativa é que, se todas as etapas forem cumpridas, as novas diretrizes sejam implementadas com a nova gestão em 2027.