A votação da reforma estatutária do São Paulo ganhou forte contestação por parte da torcida organizada. A Torcida Independente e a Falange Tricolor divulgaram um manifesto contrário à proposta que será analisada pelo Conselho Deliberativo e apresentaram uma série de reivindicações para mudanças na estrutura política do clube.
Entre os principais pontos estão o fim de novas nomeações de conselheiros vitalícios, a ampliação do direito a voto para associados e sócios-torcedores e a cobrança por apuração e punição de envolvidos em denúncias de corrupção.
As organizadas também convocaram os torcedores para uma manifestação no sábado (29), dia em que o São Paulo enfrenta o Red Bull Bragantino no MorumBIS pelo Campeonato Brasileiro.
Organizadas se posicionam contra a reforma
No manifesto, Independente e Falange afirmam ser contrárias à reforma estatutária nos moldes apresentados atualmente.
Segundo as torcidas, a proposta possui caráter político e não promove as mudanças que consideram necessárias na estrutura de poder do São Paulo.
O manifesto questiona diretamente por que a reforma não incluiu a participação política do sócio do clube e do sócio-torcedor.
Fim de novos conselheiros vitalícios é uma das exigências
Um dos pontos classificados pelas organizadas como inegociáveis é o fim de novas nomeações de conselheiros vitalícios.
No manifesto, as torcidas fazem críticas ao atual sistema de reposição das cadeiras vitalícias e defendem que novas vagas desse tipo deixem de ser preenchidas.
O Conselho Deliberativo do São Paulo é composto por 260 integrantes, sendo 160 vitalícios e 100 eleitos.
Organizadas querem voto para sócio-torcedor
Outro ponto apresentado de maneira objetiva no documento é a ampliação da participação do torcedor nas eleições do clube.
Independente e Falange defendem direito a voto para associados do São Paulo e também para sócios-torcedores com pelo menos dois anos de adimplência em plano equivalente à mensalidade de um sócio do clube.
A reivindicação, portanto, não propõe voto irrestrito para qualquer integrante do programa de sócio-torcedor. O manifesto estabelece critérios de tempo e categoria para essa participação.
Manifesto cobra apuração de denúncias
As organizadas também colocaram entre suas exigências a expulsão de pessoas envolvidas em denúncias de corrupção, mediante os procedimentos internos do clube.
O documento aumenta ainda a pressão sobre o Conselho Deliberativo e afirma que os grupos políticos e os próprios conselheiros passarão a ser acompanhados e cobrados individualmente pelas torcidas.
Conselheiros entram no foco das cobranças
O manifesto dedica parte significativa das críticas à estrutura política do Conselho Deliberativo.
As torcidas citam nominalmente diversos grupos políticos que atuam internamente no São Paulo e afirmam que, a partir de agora, pretendem acompanhar a atuação de cada grupo e de cada conselheiro.
A publicação também questiona o momento escolhido para discutir a reforma estatutária, relacionando a votação à delicada situação esportiva enfrentada pelo São Paulo no Campeonato Brasileiro.
Dragões da Real explica por que não assinou o manifesto
A Dragões da Real não assinou o manifesto divulgado pela Independente e pela Falange Tricolor, mas afirmou que continua unida às demais organizadas nas cobranças e ações em defesa do São Paulo. Segundo André, presidente da Dragões, a decisão ocorreu por divergências em alguns pontos específicos do posicionamento, sem representar um rompimento entre as torcidas. Ele também confirmou que a união das baterias e as ações conjuntas estão mantidas e afirmou que Baby, presidente da Independente, compreendeu e respeitou a decisão da Dragões.
Manifestação está marcada para sábado
Além do posicionamento nas redes sociais, haverá mobilização presencial.
As torcidas convocaram os são-paulinos para uma manifestação no sábado, dia 29 de agosto, a partir das 13h, na área social do MorumBIS.
A programação divulgada prevê três momentos diferentes ao longo do dia.
O manifesto no clube social está marcado para começar às 13h. Depois, a partir das 17h, haverá recepção ao ônibus da delegação. Às 19h, está prevista a união das baterias das torcidas nas arquibancadas.
Protesto fora de campo e apoio dentro dele
A convocação mostra uma divisão clara entre as cobranças administrativas e o apoio ao time.
Ao mesmo tempo em que haverá manifestação contra a estrutura política do clube durante a tarde, as organizadas pretendem apoiar os jogadores na partida contra o Bragantino.
A união das baterias faz parte da mobilização para aumentar a atmosfera no MorumBIS durante o confronto.
Reforma será votada pelo Conselho
A manifestação acontece no momento em que o Conselho Deliberativo analisa uma ampla reforma do Estatuto Social do São Paulo.
São 54 propostas de alterações organizadas em 12 blocos, envolvendo temas como Conselho de Administração, fiscalização, compliance, orçamento e profissionalização da gestão.
Enquanto os responsáveis pela proposta defendem mudanças na governança e nos mecanismos de controle, Independente e Falange cobram que a reforma também modifique a estrutura política e eleitoral do clube.
E você, torcedor: o sócio-torcedor que contribui regularmente com o São Paulo deveria ter direito a voto nas eleições do clube?