CAOS FINANCEIRO! Atrasos no São Paulo chegam a quatro meses e jogadores relatam diferença nos pagamentos

Jogadores do São Paulo relatam atrasos de até quatro meses em direitos de imagem e diferenças nos pagamentos. Rafinha já havia admitido pendências.

Fonte SPFC.net

A crise financeira do São Paulo voltou ao centro das atenções e ganhou novos detalhes nesta quarta-feira (26). Jogadores do elenco convivem com atrasos nos pagamentos de direitos de imagem que variam de atleta para atleta e, em alguns casos, podem chegar a quatro meses.


Segundo apuração publicada pelo UOL, há ainda relatos mais graves de jogadores que afirmam não ter recebido direitos de imagem até agora na temporada de 2026.



A situação ajuda a explicar por que as principais torcidas organizadas do São Paulo decidiram separar a cobrança ao elenco da pressão sobre a administração do clube após a derrota para a Chapecoense.



Há relatos de até quatro meses de atraso

De acordo com a apuração do UOL, os atrasos não são iguais para todos os jogadores.


As lideranças das organizadas falaram inicialmente em uma média de três meses. A reportagem, porém, ouviu um relato de quatro meses de atraso e também jogadores que afirmam não ter recebido direitos de imagem nesta temporada.


Existe uma explicação para parte da diferença entre os períodos: os contratos de direitos de imagem não necessariamente estabelecem pagamentos mensais. Há acordos com parcelas bimestrais ou trimestrais.


Isso faz com que a situação possa variar de um contrato para outro.


Jogadores reclamam de diferença nos pagamentos

Outro ponto chama ainda mais atenção.


Segundo a mesma apuração, existe entre jogadores uma reclamação sobre uma possível hierarquização dos pagamentos.


Atletas menos utilizados pela equipe estariam ficando para trás na fila de recebimentos.


Integrantes do departamento de futebol reconhecem que existem atrasos, mas não detalharam os prazos individuais nem confirmaram os relatos mais graves apresentados pelos jogadores.


Não é apenas a dívida atual

O problema não estaria restrito aos direitos de imagem que deveriam ser pagos atualmente.


Jogadores ouvidos também relatam atrasos nas parcelas de um acordo firmado pela diretoria em fevereiro para regularizar débitos anteriores deixados pela gestão de Julio Casares.


Ou seja, parte do elenco estaria convivendo simultaneamente com novos atrasos e pendências relacionadas à tentativa de quitar dívidas antigas.


Rafinha já havia confirmado atrasos

A existência de direitos de imagem pendentes não é uma informação desconhecida internamente.


Em entrevista concedida ao ge em julho, o executivo de futebol Rafinha confirmou publicamente que o São Paulo possuía valores de imagem atrasados.


Na ocasião, Rafinha afirmou que o atraso era errado e defendeu que o jogador precisa receber aquilo que foi acordado com o clube.


Ele também ponderou naquele momento que o São Paulo atravessava dificuldades financeiras e afirmou que o clube vinha trabalhando para regularizar os compromissos.


Organizadas ouviram jogadores no CT

O assunto voltou à tona com força depois da derrota por 1 a 0 para a Chapecoense.


Na segunda-feira (24), cerca de 30 integrantes da Torcida Independente, Dragões da Real e Falange Tricolor estiveram no CT da Barra Funda para uma reunião com jogadores, comissão técnica e representantes do departamento de futebol.


Rafinha participou do encontro.


Depois da reunião, Baby, presidente da Independente, revelou publicamente que os jogadores haviam relatado problemas com pagamentos.


A partir da conversa, as organizadas anunciaram que continuarão cobrando uma reação do time dentro de campo, mas indicaram que a pressão mais forte será direcionada à administração do clube.


Direitos de imagem não são o salário em carteira

Existe uma distinção importante para compreender o caso.


As pendências relatadas agora são referentes principalmente aos direitos de imagem, e não ao salário registrado em carteira.


Os direitos de imagem fazem parte da remuneração negociada individualmente com os atletas e podem representar uma parcela relevante do valor total recebido por um jogador.


Portanto, o fato de o salário CLT estar em dia não significa necessariamente que o São Paulo esteja cumprindo integralmente os compromissos financeiros estabelecidos nos contratos com o elenco.


Crise financeira vai muito além do elenco

Os atrasos acontecem em meio a uma situação financeira extremamente delicada.


O São Paulo também convive com cobranças de empresários, agentes e negócios realizados em temporadas anteriores.


Somente com o empresário Giuliano Bertolucci, uma dívida que chegou a R$ 76 milhões em valor presente resultou recentemente em um acordo para pagamento dos R$ 16 milhões restantes.


O clube também possui acordo relacionado a uma dívida de R$ 26 milhões com o empresário André Cury, além de outras cobranças relacionadas a negociações de jogadores.


Ao mesmo tempo, a diretoria busca novas receitas e negocia uma operação envolvendo a Ticketmaster que prevê antecipação de recursos.


Problemas financeiros podem afetar o desempenho?

Não é possível afirmar que os atrasos sejam a causa direta da sequência ruim do São Paulo no Campeonato Brasileiro.


Jogadores continuam tendo responsabilidade pelo desempenho dentro de campo, assim como comissão técnica e diretoria possuem suas respectivas responsabilidades.


Mas também não é possível ignorar o ambiente criado quando um trabalhador não recebe integralmente aquilo que foi estabelecido em seu contrato.


Independentemente dos salários elevados existentes no futebol profissional, existe uma relação contratual entre clube e jogador.


O atleta presta seu serviço e espera receber o valor combinado.


Atrasos recorrentes podem gerar insatisfação, insegurança e desgaste dentro de qualquer ambiente profissional.


Torcedor, você trabalharia sem receber?

A discussão costuma ganhar uma dimensão diferente quando envolve jogadores de futebol justamente pelos altos salários pagos aos atletas.


Mas a questão básica continua sendo a mesma: se uma empresa contratou um profissional e prometeu determinada remuneração, deve cumprir aquilo que assinou.


Isso não elimina a obrigação dos jogadores de apresentar um futebol melhor e reagir no Campeonato Brasileiro.


Da mesma maneira, cobrar o elenco pelo desempenho não significa ignorar a responsabilidade da administração em manter seus compromissos financeiros em dia.


O São Paulo precisa das duas coisas neste momento: jogadores entregando dentro de campo e dirigentes cumprindo suas obrigações fora dele.


E você, torcedor: conseguiria trabalhar normalmente se parte da sua remuneração estivesse atrasada há três ou quatro meses?

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