A reunião entre Torcida organizada, diretoria, comissão técnica e o executivo de futebol Rafinha teve cobranças, revelações sobre atrasos salariais e um pedido dos jogadores aos torcedores. As informações foram publicadas pelo jornalista Caíque Silva, da TMC, que teve acesso aos bastidores da conversa realizada na segunda-feira (24), no CT da Barra Funda.
O encontro aconteceu após a derrota por 1 a 0 para a Chapecoense, lanterna do Campeonato Brasileiro, na Arena Condá. Sem a presença do presidente Harry Massis, cerca de 30 integrantes das principais torcidas organizadas do São Paulo foram recebidos por Rafinha, pelo técnico Dorival Júnior e pelos jogadores.
Segundo a reportagem, a conversa durou aproximadamente uma hora e dez minutos e foi realizada no campo principal do CT, depois das atividades do dia. Os representantes das organizadas iniciaram o encontro cobrando o elenco pela sequência de resultados negativos no Brasileirão.
As cobranças não ficaram restritas aos líderes do grupo e aos jogadores considerados titulares. Atletas com menor minutagem na temporada também foram questionados porque, segundo os torcedores, "não estão mudando o patamar do time" quando entram durante as partidas.
Após as manifestações das organizadas, Rafinha tomou a palavra e afirmou que o elenco continua se dedicando, apesar dos problemas internos. De acordo com Caíque Silva, foram revelados atrasos salariais que chegam ou até ultrapassam três meses em alguns casos.
"Tem jogador aqui que tem até 5 meses de atraso", foi uma das frases relatadas pela TMC.
A publicação acrescenta que os pagamentos estavam sendo realizados regularmente até abril, mas os atrasos voltaram a ser frequentes depois desse período.
Luciano também teve participação de destaque na reunião. O camisa 10 disse que convive com atrasos nos pagamentos do São Paulo desde 2020, quando chegou ao clube, mas assegurou aos torcedores que a situação não tem provocado "corpo mole" por parte do elenco.
O atacante ainda esteve entre os jogadores que solicitaram a manutenção do apoio das arquibancadas durante o momento complicado vivido pela equipe.
"Eles pediram pra torcida não soltar a mão do elenco", contou à TMC uma pessoa que participou da reunião.
Dorival Júnior também pediu a palavra e assumiu a parcela de responsabilidade da comissão técnica e dos atletas pelo período de turbulência, marcado por uma sequência de dez partidas sem vitória no Campeonato Brasileiro. Em determinado momento, o treinador preservou parte do grupo e solicitou que a conversa prosseguisse apenas com ele, Rafinha e os líderes do elenco. Luciano, Calleri, Rafael e Arboleda estiveram entre os jogadores presentes nessa etapa.
A matéria da TMC relata ainda que os problemas extracampo interferem no cotidiano do elenco desde o começo do ano. Durante a reunião, foram feitas críticas aos cenários políticos anterior e atual do clube. Além do impeachment e da renúncia do ex-presidente Julio Casares, antigos dirigentes como Carlos Belmonte, Nelsinho, Chapecó e Marcio Carlomagno deixaram seus cargos. Segundo os participantes que permaneceram na conversa, o ano eleitoral também tem prejudicado o ambiente do São Paulo.
Por fim, um dos jogadores reclamou das condições do gramado de um dos campos do CT da Barra Funda. Conforme o relato publicado por Caíque Silva, o atleta afirmou que o local está atualmente "sem condições de ser usado".