A Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube deliberou por unanimidade pela expulsão do ex-presidente Júlio Casares, além de recomendar o ressarcimento de valores considerados indevidamente utilizados durante sua gestão. As acusações incluem a movimentação de R$ 7 milhões em saques e o uso impróprio de um cartão corporativo, ambos sob investigação das autoridades competentes.
Casares, que renunciou ao cargo em um contexto de pressão interna e após a aprovação de um processo de impeachment, defende que os valores referidos serviram para cobrir despesas relacionadas ao departamento de futebol. Ele afirma que não teve acesso à documentação necessária para sua defesa durante todo o processo.
O relatório da Comissão sugere que a quantia a ser ressarcida ao clube será definida pelo departamento financeiro, com posterior validação pelo Conselho Fiscal. Esse movimento reflete uma preocupação com a integridade financeira da instituição, cuja gestão é alvo de críticas em meio a uma crise administrativa e esportiva.
Durante seu mandato entre 2021 e janeiro de 2023, Casares enfrentou um cenário de instabilidade, que culminou com sua renúncia após ser afastado do cargo. As investigações e as ações administrativas em andamento apontam para uma possível gestão temerária, como descrito no artigo 34 do estatuto do clube.
Além das alegações de saques irregulares, a utilização do cartão corporativo por Casares também será revisada, uma vez que cerca de R$ 1 milhão foi gasto sem a devida devolução ao clube em sua totalidade. Essa situação é avaliada à luz do artigo 11 do estatuto, que trata de possíveis danos ao patrimônio do São Paulo.
No decorrer dos últimos meses, outros membros associados ao clube, como Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Marcio Carlomagno, foram expulsos em situações semelhantes, indicando uma tendência de fiscalização rigorosa por parte da Comissão de Ética em relação às condutas administrativas.
A votação sobre as recomendações da Comissão ainda está pendente e será levada ao Conselho Deliberativo, que determinará os próximos passos a serem tomados quanto ao futuro de Casares no clube. Tal deliberação poderá influenciar não apenas a lógica interna da administração, mas também repercutir na relação com a torcida, que já manifestou seu descontentamento em relação à condução da gestão.