O São Paulo Futebol Clube deliberou a suspensão da votação que visa implementar mudanças significativas em seu estatuto, a qual agora ocorrerá na quarta-feira, dia 26 de agosto. O processo de revisão inclui 54 propostas, que visam reformular a governança do clube, reduzindo a centralização do poder e aprimorando os mecanismos de fiscalização.
A votação, que estava inicialmente marcada para esta segunda-feira, será realizada de forma eletrônica, iniciando às 22 horas após a reunião do Conselho Deliberativo. É esperado que os membros analisem detalhadamente as alterações propostas antes da ativação do sistema de votação.
Entre as principais propostas está a separação das funções do presidente da diretoria executiva e do presidente do Conselho de Administração. A nova estrutura permitirá que o presidente do clube não assuma automaticamente o comando do conselho, sendo este definido por uma eleição interna entre os nove membros desse grupo.
Outra alteração relevante inclui a possibilidade de o Conselho de Administração propor a destituição do presidente, caso sete dos nove membros concordem com a medida. Para que a destituição seja efetivada, será necessário o voto favorável de dois terços dos conselheiros, enfatizando um modelo de governança mais colaborativo.
No âmbito da fiscalização, o conselho contará com cinco membros independentes, externos e remunerados, permitindo maior transparência nas operações do clube. Além disso, os contratos relacionados a jogadoras e empresários terão acesso facilitado pelos órgãos de controle.
A proposta ainda estipula que, no Conselho Fiscal, ao menos um membro deve ter formação nas Ciências Contábeis e estar em dia com o CRC, sendo necessária a contratação de uma auditoria externa se essa condição não for atendida. A reforma também propõe penalizações mais severas para dirigentes que cometem infrações, como o uso indevido de recursos do clube e sonegação fiscal.
A gestão financeira será reestruturada, com o orçamento sendo segmentado em duas etapas. O Conselho de Administração determinará os limites de gastos para as diferentes áreas do clube, mantendo, porém, a autonomia da diretoria executiva para administrar os recursos disponíveis dentro desses limites.
Além das mudanças imediatas, a reforma abre a possibilidade de transformação do clube em uma corporation a partir de 2027, permitindo a distribuição do capital entre diversos investidores, ao contrário do modelo atual, que é controlado por um único proprietário. A aprovação final das reformas ocorrerá em duas fases: uma primeira votação no Conselho Deliberativo e, posteriormente, na Assembleia Geral, onde os associados do clube terão a palavra decisiva.