Uma disputa milionária que transbordou dos gramados para as varas cíveis coloca a conduta médica do clube totalmente em jogo. O São Paulo confirma a realização da primeira audiência na ação movida pelo zagueiro Ruan Tressoldi, atualmente no Atlético-MG, que cobra uma indenização de R$ 14 milhões na Justiça alegando ter sido vítima de negligência médica durante sua passagem pelo Morumbi no primeiro semestre de 2025. Diante do confronto de versões, o magistrado responsável pelo caso encerrou a sessão inicial e determinou a realização imediata de perícia médica oficial.
A ação judicial movida pelos advogados do atleta reage ao tratamento adotado após o clássico contra o Palmeiras, em 11 de maio daquele ano. A defesa de Ruan sustenta que o jogador atuou no sacrifício, recebendo infiltrações e aplicações de PRP (plasma rico em plaquetas) — método que era tratado como experimental pelo Conselho Federal de Medicina —, além de apontar a ausência de seguro obrigatório e exigir o reembolso de mais de R$ 20 mil gastos do próprio bolso para custear uma cirurgia após o término do vínculo.
— A obrigação de zelar pela integridade física dos atletas nos desafia a buscar reparação quando há desrespeito a protocolos básicos de saúde. O jogador admite que o clube disponibilizou sessões de fisioterapia, mas a gravidade da conduta nos cobra responsabilização por fazê-lo atuar lesionado em partidas decisivas. Não há nenhum acordo travado para aceitar passivamente o prejuízo na carreira; a prova técnica vai demonstrar que o problema foi agravado dentro de campo — dispara o núcleo jurídico do atleta nos bastidores da ação.
Para comprovar a queixa, a defesa anexou laudos de 15 de maio de 2025, logo após o zagueiro atuar os 90 minutos diante do Libertad pela Libertadores. Três dias depois, ele entrou nos minutos finais contra o Náutico, em seu último jogo com a camisa tricolor.
Do outro lado, a diretoria são-paulina contesta veementemente as acusações e admite tranquilidade com a determinação da perícia. O departamento jurídico apresentou os exames admissionais realizados na chegada do defensor por empréstimo, sustentando que as alterações articulares no joelho tinham origem degenerativa prévia, e não traumática.
O clube argumenta ainda que investigou a queixa em menos de 24 horas após o jogo continental, constatou melhora clínica antes de dar minutagem reduzida contra o Náutico e só não bancou o procedimento cirúrgico na época porque o Sassuolo, da Itália, detentor dos direitos econômicos, travou a liberação no exterior.
Cientes de que o desfecho do processo pode criar um precedente financeiro pesado, departamento jurídico e cúpula tricolor cobram rigor técnico na análise dos laudos. O São Paulo confirma que aguardará a nomeação do perito judicial para apresentar seus assistentes técnicos e tentar anular o pedido milionário na Justiça.
Caso na Justiça: ex-zagueiro cobra fortuna do São Paulo por tratamento no joelho
Ruan Tressoldi cobra R$ 14 milhões do São Paulo na Justiça por negligência médica; clube contesta e juiz determina perícia no joelho do zagueiro.
19 de Agosto de 2026
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