O presidente afastado do São Paulo, Julio Casares, apresentou sua carta de renúncia nesta quarta-feira. A decisão ocorre em um momento conturbado, logo após seu afastamento pelo conselho deliberativo na última sexta-feira, e antes da ratificação em assembleia de sócios. Na carta, Casares justifica sua renúncia afirmando que a continuidade do ambiente tenso, aliado à necessidade de proteger sua saúde e sua família de graves ameaças, motivou sua decisão. Ele ressalta que a medida também visa evitar que as disputas políticas possam prejudicar o desempenho do time e o ambiente esportivo do clube.
A gestão de Julio Casares tem enfrentado sérias acusações e escândalos. Uma investigação da Polícia Civil, em colaboração com uma força-tarefa do Ministério Público de São Paulo, está em andamento para apurar possíveis desvios financeiros por parte da diretoria do clube. Entre as denúncias estão o recebimento de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo, depósitos fracionados e um saque de R$ 11 milhões do caixa do clube, além do aumento patrimonial inesperado de dirigentes e um escândalo relacionado à venda de camarotes clandestinos envolvendo sua ex-mulher e um diretor adjunto.
Além disso, o inquérito civil do MP-SP se debruça sobre outras questões, como acusações de gestão temerária e a prescrição de medicamentos para emagrecimento destinados a atletas, além de investigar o modelo de negócios do fundo de investimento Galapágos Capital em Cotia. O Ministério Público emitiu ofícios para ouvir mais de 25 pessoas ligadas ao clube, incluindo o CEO Marcio Carlomagno e o coordenador técnico Muricy Ramalho. Com a saída de Casares do cargo, o vice-presidente Harry Massis Júnior assumirá interinamente a presidência do São Paulo, apesar de já ter 80 anos e ser fundador de uma conhecida rede de estacionamentos.