A proposta de adequar campeonatos nacionais ao calendário europeu, ainda em fase de estudos pela CBF, causa polêmica e dúvidas no futebol do País. O projeto, sugerido pelo presidente Lula para amenizar a perda de atletas de clubes nacionais para a Europa durante a janela de transferência no meio do ano, já é questionado por dirigentes, técnicos e jogadores.
"Não é a salvação do futebol brasileiro. É fruto da falta de conhecimento do presidente Lula e do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sobre os problemas do esporte no nosso País", critica Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo.
De acordo com Martorelli, a medida não combate com eficácia o êxodo de craques do País e cria outros problemas. "Os clubes perderão atletas na janela de dezembro e continuarão desfalcados no meio da temporada", afirma o dirigente, que só vê desvantagens. "Os campeonatos estaduais serão prejudicados pelas novas datas e os jogadores vão atuar em janeiro e fevereiro, sob temperaturas terríveis, no auge do verão."
A sincronização dos calendários nacional e europeus se refere especialmente às Séries A e B, além da Copa do Brasil. Com isso, dirigentes veem uma ameaça aos Campeonatos Estaduais, que podem ficar ainda mais enfraquecidos por uma agenda apertada.
"Não vamos permitir que assassinem os Estaduais. Se for preciso, organizaremos um movimento no Norte e Nordeste para protestar", afirma Carlos Alberto Oliveira, presidente da Federação Pernambucana de Futebol. "Não é porque três do Corinthians deixaram o clube no meio da temporada que vamos mudar tudo", alfineta Oliveira, em referência ao time do coração de Lula.
A Federação Paulista de Futebol manteve uma postura menos incisiva sobre o assunto. "Pessoalmente, sou contrário. Mas se os clubes decidirem pela mudança, eu acato", afirmou o presidente da entidade, Marco Polo Del Nero.
O Clube dos 13, que representa os principais clubes do País, ainda não manifestou posição oficial sobre a questão, mas deve fazer em breve uma Assembleia Geral Extraordinária apenas para tratar da proposta e debater prós e contras da possível alteração. "As opiniões sobre o assunto sempre foram polêmicas e divididas, mas percebemos que a tendência da maioria é pela adequação do calendário", declarou a entidade, por e-mail. "No caso de a maioria optar pela alteração, lutaremos fortemente neste sentido."
Para o técnico Ricardo Gomes, do São Paulo, algumas questões ainda têm de ser resolvidas para a adaptação. "Temos de analisar o todo, ver qual o nosso interesse pelo lado comercial, de direitos de TV", lembra o treinador. Será que é possível para nosso patrocinador seguir investindo após a mudança? Não podemos resolver um problema e criar outros três."
Novo calendário tem forte resistência
Dirigentes e sindicato apontam mais problemas do que soluções na proposta de adequar os campeonatos nacionais às datas europeias
Fonte Agencia Estado
13 de Agosto de 2009
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