O Corinthians é um dos clubes no País que mais se destacam na abordagem do tema. A Neo Química Arena possui um espaço destinado a acomodar corintianos com TEA já faz algum tempo. Situada no setor Oeste Superior do estádio em Itaquera, a sala tem paredes e janelas com isolamento de som, bem como atividades desenvolvidas para autistas e deficientes intelectuais.
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A pauta ganhou espaço também nas arquibancadas. Desde o ano passado, um faixa escrito “Autistas Alvinegros” pode ser vista em cada jogo da equipe. A estreia foi no duelo com o Santos, pela Copa do Brasil, vencido por 4 a 0 pelos donos da casa. Juliana Prado, co-idealizadora do movimento, afirma que o intuito é “usar o futebol para trazer a imagem do autismo” para lutar por “mais acessibilidade nos estádios”. É o exemplo do futebol que pode ganhar a sociedade.
Projeto similar está sendo desenvolvido pela diretoria de acessibilidade do São Paulo. O clube está em fase inicial das obras para construir um camarote sensorial aos torcedores autistas no Morumbi. A ideia é parecida à do Corinthians. Nesse campo, os times não são rivais. Segundo o clube, o projeto está sendo tocado por empresas especializadas e sob a supervisão de profissionais especializados. A ideia é que o espaço possa acomodar, por jogo, cerca de cinco torcedores e mais seus acompanhantes, que terão desconto na compra do ingresso. Começa modesto com a intenção de crescer.
Ainda de acordo com o São Paulo, o espaço será equipado com todos os aparelhos necessários para atender pessoas com diferentes níveis de TEA, como por exemplo fones de ouvido com isolamento acústico. Ainda não há prazo para que o setor destinado exclusivamente para autistas seja inaugurado. A diretoria tricolor ainda visa, em um segundo momento, firmar uma parceria com uma empresa especializada no atendimento de pessoas com autismo para usar o local para sessões de terapia. Se a ideia der certo, ela vai ajudar mais pessoas.
Procurado pelo Estadão, o Palmeiras informou que cuida da operação do Allianz Parque nos dias de jogos do clube como mandante e oferece espaços acessíveis para pessoas com deficiência. O setor de camarotes é de responsabilidade da gestão da arena, feita atualmente pela WTorre.
Por sua vez, o Santos comunicou que o estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro, não possui espaço específico para autistas. Mesmo assim recebe e atende pessoas nessa condição, tanto em dia de jogos quanto no CT Rei Pelé, onde tem contato direto com os jogadores, e visitas monitoradas no Memorial das Conquistas.
O Santos disse ainda que estão em andamento estudos para a implementação de um local específico para as pessoas com Transtorno do Espectro Autista no novo estádio do clube, ainda sem previsão de ser oficializado.
PROJETOS EM OUTROS ESTADOS
No sul do País, outro exemplo na recepção de torcedores autistas nos estádios está no Internacional. O clube de Porto Alegre conta com uma equipe especializada no entorno e dentro do Beira-Rio para acompanhar quem tenha qualquer necessidade motora ou de cognição. Pessoas com TEA geralmente assistem às partidas em espaço reservado, nas tribunas do estádio, cuja área é adequada para eventuais dificuldades experimentadas durante a partida, como por exemplo os altos níveis de som e o grande número de pessoas no mesmo local, dois problemas que afetam pessoas autistas.
No último domingo, o Inter recebeu no Beira-Rio o pequeno João Vitor, torcedor mirim autista do clube. A visita ao estádio aconteceu após o relato da mãe viralizou nas redes sociais. Segundo ela, o João tem sensibilidade a barulhos altos, mas se apaixonou pelo som da banda das torcidas. “Então, essa adaptabilidade é fundamental para o atendimento dado pelo Internacional”, diz a diretora colorada Janice Cardoso.
Quem também não fica atrás na questão é o Goiás. O clube inaugura neste domingo, no Estádio Hailé Pinheiro, a Serrinha, um camarote exclusivo para pessoas com autismo e Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Assim, o espaço, localizado nas cadeiras inferiores da arena, começa a funcionar já no clássico com o Atlético-GO, pelo segundo jogo da final do Campeonato Goiano, dia 9. O clube esmeraldino afirma que se tornará o primeiro do Centro-Oeste a ter essa instalação em seu estádio.
“Temos uma torcida numerosa e diversa. Nossa missão é tornar o estádio Hailé Pinheiro um local seguro, confortável e que tenha capacidade de receber todos os tipos de público. A criação do camarote visa atender às necessidades das pessoas que apresentam TDAH e Espectro Autismo. Queremos que elas se sintam acolhidas e participem conosco do evento mais importante de um clube de futebol, que são as partidas”, declara Paulo Rogério Pinheiro, presidente do Goiás.
EXEMPLO PADRÃO FIFA
A Fifa e a organização da Copa do Catar, vencida pela Argentina em dezembro do ano passado, criaram salas sensoriais para torcedores com requisitos de acesso em três estádios do Mundial: Al Bayt, Lusail e Education City. Os espaços permitiram que torcedores com TEA pudessem assistir às partidas em um espaço mais silencioso, equipado com tecnologia assistiva e gerenciado por uma equipe especializada. Foi a edição de Copa com a maior implantação de salas sensoriais em um evento esportivo na história.
Durante o Mundial, salas móveis também foram instaladas em todo o Catar para dar aos fãs a oportunidade de se afastar de grandes multidões ou música alta — especialmente no Fan Fest. Além das salas sensoriais, a organização da Copa apresentou uma série de novidades para torcedores com deficiência, incluindo a disponibilidade de comentários descritivos em áudio em todas as partidas.
Corinthians, São Paulo, Inter, Goiás, inclusão, autismo

Tudo que venha para ajudar as pessoas com deficiência(nesse caso torcedores),em especial os autistas, é sempre bem vindo!parabéns aos clubes citados.obs:tenho um irmão autista e sei quão difícil é a acessibilidade nesse país.em todos os aspectos!