Vendedora de pernil tricolor leva foto de Telê e Ceni a reduto palmeirense

Fonte Uol
Cida Maciel, do "Canto do Pernil", criou os filhos vendendo lanche em porta de estádios
Imagem: Adriano Wilkson/UOL

Em uma rua que passa atrás do imponente estádio Allianz Parque, na Zona Oeste de São Paulo, os rostos do falecido técnico Telê Santana e do goleiro Rogério Ceni parecem vigiar a chapa que derrete um pernil suíno com cebolas. Uma bandeira vermelha, branca e preta quebra a monotonia verde das paredes. E uma senhora pequena, de avental branco e máscara no queixo, circula pelas mesas torcendo baixinho pelo São Paulo - ela não quer incomodar os vizinhos palmeirenses.

Até porque os vizinhos palmeirenses nunca incomodaram a são-paulina Cida Maciel, que há seis anos fundou no bairro mais alviverde da cidade o "Canto do Pernil", uma lanchonete familiar cujo carro-chefe é o sanduíche de porco com queijo derretido.

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Ela e o marido trabalham desde 1982 vendendo a iguaria mais consumida nos estádios paulistanos. Começaram com uma barraca no Morumbi, mas também visitavam o Pacaembu quando o São Paulo jogava lá. Hoje, o casal tem um ponto fixo ao lado do estádio do Palmeiras, comprado com as economias de uma vida.
"Criamos nossos filhos vendendo lanche", conta Cida, diante das imagens de Telê e Ceni. As fotos dos ídolos e a bandeira tricolor chamaram a atenção dos são-paulinos que visitaram o bairro ontem, quando o São Paulo jogou contra o Água Santa pela Paulista no estádio palmeirense (o clube não pôde usar o Morumbi, alugado à banda britânica Coldplay). A equipe tricolor perdeu nos pênaltis e foi elimidada do Estadual.
O "Canto do Pernil" foi o único estabelecimento da região que ontem teve alguma decoração alusiva ao São Paulo - os outros funcionaram apenas parcialmente ou nem abriram, temendo confusão com a torcida tricolor e a pedidos das torcidas organizadas palmeirenses.
"Temos um prazer muito grande de trabalhar com os palmeirenses e hoje também é muito gratificante receber os nossos torcedores são-paulinos", disse Cida. "Nosso bar é verde, mas é pra todas as torcidas." Quando o UOL esteve lá, um grupo de são-paulinos sem ingressos assistia à semifinal pelo celular, enquanto tomavam cerveja e comiam pernil.
Durante a semana, houve o temor de que a invasão tricolor ao reduto palmeirense pudesse resultar em arruaça e confusão, mas o que se viu na noite de ontem foi justamente o oposto: confraternização e harmonia entre são-paulinos, comerciantes e moradores. "Aqui foi tudo tranquilo, os torcedores vieram aqui, comeram, beberam e respeitaram. Até os da Independente, que o pessoal fala que é briguento, não brigou, foi tudo certo."

Cida contou que a família usou todas as suas economias para se fixar perto do estádio do Palmeiras, mas logo em seguida veio a pandemia e o "Canto do Pernil" precisou fechar. "Nós falimos, ficamos em uma situação bem crítica mesmo, mas agora estamos tentando nos recuperar."
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