Aquele São Paulo era imbatível: Bicampeões da Libertadores recordam show contra Católica

Fonte ESPN
São Paulo x Universidad Católica no Morumbi atiça a nostalgia de qualquer torcedor tricolor que viveu, com memórias próprias ou por lembranças de outras gerações, a grande fase do clube no início dos anos 1990. E remete justamente a uma das grandes noites que o time de Raí, Zetti, Cafu, Müller e Telê Santana proporcionou na história.

Nesta quinta-feira (7), às 21h30 (de Brasília), o São Paulo de Rogério Ceni recebe os chilenos em busca de uma vaga nas quartas de final da Copa Sul-Americana, após ter vencido a primeira partida por 4 a 2, em Santiago. Mas, naquele 19 de maio de 1993, diante de pouco mais de 94 mil pagantes, o duelo contra a Católica abriu a decisão da Conmebol Libertadores. E como abriu...
Depois de um começo nervoso, com muitos erros e até quase um gol contra bizarro, em recuo de Gilmar salvo plasticamente por Zetti, o Tricolor achou o primeiro gol com Lopez, contra, após jogada de bate-rebate dentro da área. Vitor, aos 40 minutos, ampliou a vantagem dos mandantes antes do intervalo.
Na etapa final, o que se viu no Morumbi foi algo histórico. Em 25 minutos, o São Paulo vencia por 5 a 0, gols de Gilmar, Raí e Müller, este uma obra de arte por cobertura. Almada, pouco antes dos acréscimos, descontou para a Católica e fechou o placar.
Os quase 100 mil são-paulinos presentes ao histórico jogo foram embora com a certeza de que, mesmo com uma segunda partida em Santiago ainda a ser disputada, a Libertadores tinha um novo bicampeão. Sensação compartilhada por quem estava no gramado, seja no time vencedor ou no perdedor.
Em entrevista exclusiva à ESPN, Pintado e Zetti recordaram um pouco daquela final histórica para uma geração de são-paulinos. O eterno volante, aliás, lembrou de uma confissão de Ignácio Prieto, técnico da Católica, quando ambos trabalharam juntos no futebol mexicano.
"Depois da segunda Libertadores, fui vendido para o Cruz Azul, do México, onde ele era o treinador. A gente se encontrou num restaurante e lembrando esse momento, que estava fresco na memória. Ele disse que era um São Paulo imbatível e que nunca pensaram que poderiam vencer no tempo normal", recordou Pintado.
"A ideia deles era levar para os pênaltis ou algo assim porque jogariam a segunda em Santiago. Ele falou que o grande azar deles foi pegar o São Paulo no momento mais forte da história", disse o ex-camisa 5.
A goleada na primeira final foi construída bem antes de a bola rolar no Morumbi, como bem lembra Zetti. O goleiro, grande inspirador de Rogério Ceni, tem clara na memória a imagem da chegada da delegação tricolor ao estádio e o clima elétrico entre torcida e time em noites de Libertadores.
"Foi um dos maiores jogos do São Paulo na história. Tenho várias imagens na mente, mas uma é da chegada ao Morumbi. Parecia que o ônibus estava flutuando. Você escutava o grito da torcida, e a gente dentro do ônibus sentindo essa energia. Falo que o gol tremia, o gramado vibrava com a energia da torcida, que pulava na arquibancada. A gente sentia tudo dentro do campo", contou o ex-camisa 1.
Aquele São Paulo campeão em 1993 já vinha de dois anos de conquistas. Venceu o Paulista e o Brasileiro de 1991, depois repetiu a dose no Estadual e faturou ainda Libertadores e Mundial Interclubes no ano seguinte. Pintado fazia parte de toda essa geração vitoriosa e diz que essa exibição contra a Católica foi algo histórico.
"Uma atuação como poucas vezes vi uma equipe jogar uma final de Libertadores, com tanta convicção do que tinha que fazer e conquistar. Já tínhamos o sabor de ter vencido a primeira e vimos tudo que mudou na nossa vida. A vantagem no Morumbi faria muita diferença e foi aquele show", opinou Pintado. "Era uma equipe muito regular, que fazia muitos jogos e era muito consistente. Foi ali que o São Paulo consolidou o gigante que vinha ganhando tudo e não deixava mais dúvida pra ninguém. Foi uma apresentação de gala".
O único deslize daquela noite poderia ter saído quando o placar estava 0 a 0, no recuo errado de Gilmar que Zetti precisou se desdobrar para salvar em cima da linha. Quase 30 anos depois, o hoje coordenador de goleiros da base do São Paulo lembra o que passou em sua cabeça naquele lance que poderia ter mudado toda a história da final.
"Quando você vê o 5 a 1, fala que é fácil. O primeiro podia ter sido 3 a 3. Foi um jogo que eu trabalhei bastante. Peguei uma bola na cara, defendi outra com os pés, um chute cruzado que passou muito perto do gol. E teve o lance do Gilmar, que foi muito curioso. Tinha mudado a regra, então eu não podia pegar mais pegar com a mão nenhum recuo com os pés", contou Zetti.
"Quando eu saí correndo fora da área para fazer a cobertura no Gilmar, ele olhando a bola não me viu saindo. Quando a bola quicou, ele tocou na direção do gol, achando que eu estava lá. Passou por mim, e eu simplesmente saltei com as mãos, joguei para a linha de fundo e deixei acontecer. Tanto é que eu caio, esperando o juiz dar tiro indireto, e me expulsar! Levantei, vi que todo mundo levantou rápido, a bola já estava no escanteio. Ninguém reclamou praticamente, aí houve a cobrança e seguiu o jogo".
Com vantagem imensa na primeira partida, o São Paulo foi a Santiago apenas para "cumprir tabela". Perdeu por 2 a 0 e passou um sufoco até desnecessário, mas voltou para casa com o segundo troféu da Libertadores na mala.

Hoje, em um momento completamente diferente que passa pela reconstrução do clube dentro e fora de campo, o Tricolor defende a vantagem adquirida no Chile e pode até perder por um gol de diferença que mesmo assim avança. Os desfalques são Igor Vinícius, Rodrigo Nestor e Calleri, expulsos.
Repetir o que foi feito naquela noite de maio em 1993 é praticamente impossível, tamanha a diferença de qualidade entre as equipes. Mas quem viveu aquela atmosfera sabe o que significa ter um São Paulo x Universidad Católica no mesmo palco daquela mágica atuação de quase 30 anos atrás. Uma inspiração, quem sabe, para dias melhores e talvez até um inicio de caminhada rumo a outro troféu sul-americano.
"Vejo com bons olhos o trabalho do Rogério. Costumo dizer que, quando ele jogava, às vezes a gente não tinha leitura do jogo e ele se comunicava com a gente: é assim, fechar o lado, principalemte a defesa. Facilitava muito para a gente no meio dos jogos quando estávamos com dificudade. Eu pensava: quando ele parar, vai vai ser um baita treinador. Está colhendo os frutos, no caminho certo e no clube de coração dele. Vai dar tudo certo. Rogério faz um ótimo trabalho e, com um pouco de paciência, pode dar certo e vencer títulos".
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Comentários

fabeer macilla
1 0
07/07/2022 13:16:45

Sao so lembranças boas

codady filho
3 1
07/07/2022 11:41:44

Gostaria de ver o Telê com esse atual time do SPFC. Poderia não ganhar nada, porque o elenco é uma ***** mas certamente Igor Gomes, Nestor e Sara não seriam titulares nunca e teriam que treinar fundamentos 12 horas por dia...

sergio gandini
2 3
07/07/2022 10:14:04

Naquela época além de ter ótimos jogadores, tinha técnico para corrigir erros e implementar esquema tático, hoje temos poucos jogadores qualificados e não temos técnico habilitado para a função..

edison lima
2 0
07/07/2022 09:59:48

Hoje da tristeza de ver esse São Paulo do jeito que esta...

fabio silva
11 0
07/07/2022 09:45:16

Aquele São Paulo dava show onde quer que fosse e contra qualquer adversário. Barcelona, Real Madrid, Milan. Todos esses gigantes europeus sucumbiram diante do São Paulo do Telê.

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