"O crescimento da indústria do esporte atraiu o interesse dos grandes investidores, dos grandes empresários, das grandes empresas e, consequentemente, foi criado um sistema de negócio especializado para obtenção do lucro e para explorar aquilo que o futebol tem a oferecer. Esse formato trouxe muito profissionalismo e colaborou extremamente com o desenvolvimento do ambiente esportivo mundial. Nesse sentido, nos últimos anos, o tema dos conglomerados de clubes tem ganhado bastante importância, diante da expansão da sua utilização. No Brasil, com o advento da Lei das SAF, já possuímos dois clubes pertencentes a esse tipo de modelo, com o terceiro já bem encaminhado", afirma João Paulo di Carlo, advogado especializado em direito desportivo, que falou sobre o tema em sua coluna no Lei em Campo.
Cruzeiro e Botafogo já pertencem a esse rol, que, em breve, deve ganhar a companhia do Vasco da Gama, que está em negociações finais com o grupo americano Partners 777, detentor de ações minoritárias do Sevilla, da Espanha, e controlador do Genoa, da Itália.
Para os investidores, o futebol é uma possibilidade bem plausível de diversificar o portfólio de negócios, expandir a marca, ganhar exposição global, otimizar as operações da empresa, ampliar seu poder e influência sobre a sociedade, devido ao grande interesse da sociedade ao esporte mais popular do mundo, e, para alguns, melhorar a imagem da marca ou até mesmo da própria pessoa física.
Inevitavelmente, com uma carteira (diversidade) de clubes, se pode barganhar e obter receitas mais vantajosas de patrocínio, de parceiros, nitidamente mais elevadas do que se somente uma equipe negociasse. Em contrapartida, a empresa patrocinadora/parceira pode ganhar acesso a mercados em diversos continentes, agregando valor a sua marca por meio do esporte.
Com uma mentalidade totalmente empresarial, os investidores começaram a adquirir novos clubes, também em países em crescimento e mercados não muito tradicionais, que pudessem proporcionar benefícios fiscais e burocráticos, um público consumidor a ser aproveitado e, obviamente, fontes de talentos esportivos capazes de garantir maiores lucros com negociações de direitos econômicos. No entanto, é importante reforçar que para esse negócio ter êxito, é fundamental estabelecer um projeto esportivo sólido, com um sistema bem definido.
O economista Cesar Grafietti destaca que do ponto-de-vista financeiro, "qualquer estratégia de negócio envolvendo clubes precisa considerar a estruturação de um MCO". Segundo ele, "é mais eficiente na formação de atletas, é inteligente porque cria escala em diversas áreas operacionais, e por fim faz sentido enquanto ideia de elenco global".
Esta prática modelo de negócio não começou agora e existe desde a década de 90, com a empresa ENIC, que, muito embora não estivesse diretamente envolvida no esporte, adquiriu porcentagens significativas em ações de vários clubes, com o único intuito de valorizar as quotas e revende-las posteriormente, mas sem interferir nos assuntos desportivos, inerentes à administração dos clubes. Essa empresa adquiriu ações do Tottenham (Inglaterra), Basel (Suíça), Rangers (Escócia), AEK Athens (Grécia), SK Slavia Praga (República Tcheca), etc. e continua a ser a acionista majoritário do clube inglês.
O crescimento desse modelo de negócio, porém, teve franca ascensão em 2015, após a FIFA introduzir o artigo 18ter ao Regulamento sobre Status e Transferências de Jogadores (RSTJ), que proibiu a aquisição de direitos econômicos dos jogadores por terceiros, conceito em que se enquadram os grandes empresários e os fundos de investimento.
A entidade máxima do futebol acreditava que essa medida permitiria que os terceiros passassem a investir mais nos clubes, amparados de uma estrutura societária favorável, o que, segundo a mesma, aumentaria a transparência e manteria a integridade do esporte, uma vez que reduziria a influência de terceiros e o conflito de interesses, evitando-se, assim, uma possível manipulação de resultados.
Isso de fato aconteceu e os terceiros passaram a investir diretamente na aquisição de clubes. Para se ter uma ideia, entre 2016 e 2021, nas 15 principais ligas do continente europeu, o número saltou de 20 para 40 clubes. Recentemente, em um novo levantamento, concluiu-se que 156 equipes ao redor do mundo fazem parte de 60 conglomerados de clubes.
Junto desse crescimento também apareceu o conflito de interesses e a preocupação com a integridade do esporte. Um dos casos mais emblemáticos envolvendo um conglomerado de clubes aconteceu no ano de 2017, quando Red Bull Leipzig e o Salzburg se classificaram para a mesma competição europeia, no caso, a Champions League.
Para evitar problemas dessa natureza, o regulamento da UEFA Champions League, em seu artigo 5º, estabelece a impossibilidade de uma pessoa, física ou jurídica, exercer o controle ou influência sobre mais do que um clube que participe de uma mesma competição continental.
Esse controle é definido da seguinte forma:
I) possuir a maioria dos direitos de voto dos acionistas;
II) ter o direito de nomear ou destituir a maioria dos membros do órgão administrativo, de gestão ou de controle do clube;
III) ser acionista e controlar sozinho a maioria dos direitos de voto dos acionistas em virtude de acordo celebrado com os demais; ou, por último,
IV) poder exercer influência decisiva no processo decisório do clube por qualquer meio.
No caso Red Bull, após uma profunda investigação, o órgão de controle da UEFA permitiu a participação de ambos os clubes, uma vez que, segundo o órgão, a empresa RedBull era apenas uma patrocinadora do RedBull Salzburg, sem ter uma percentagem da participação e sem exercer qualquer controle sobre as operações do referido time.
Neste ano, a polêmica voltou à tona por conta da aquisição do Milan pelo fundo de investimento RedBird Capital Partners, que é acionista minoritário na gestão da Fenway Sport Group, proprietária do Liverpool, e do FC Toulouse, onde comprou 85% das ações, em 2020, após a promoção para a Ligue 1 (1ª divisão do Campeonato Francês). A UEFA deve ser provocada para decidir sobre o assunto, afinal, há controle e influência do RedBird no Liverpool, através de uma participação minoritária, no mesmo peso com a que ocorrerá no Milan?
A insuficiência dos regulamentos, a falta de definição precisa sobre o que seriam os conglomerados de clubes e o que seria permitido para esse grupo de equipes são, sem dúvidas, algumas das necessidades e desafios mais marcantes para os próximos anos.
"Sob o ponto-de-vista esportivo precisa de regulamentação. A despeito de não ser uma novidade, passou a ser considerado essencial para os negócios há pouco tempo. E ainda está em fase de desenvolvimento. Mesmo casos clássicos como City Group e Red Bull não são estruturas perfeitas e engrenadas. O que mostra seu caráter de 'em construção'. Entretanto, a regulamentação precisa ser discutida de forma célere e profunda o quanto antes. Veremos mais e mais estruturas assim, e envolvendo clubes brasileiros. A Lei da SAF criou uma proteção ao limitar o controle a um clube, mas é preciso estar sempre atento aos passos e movimentos futuros", afirma Cesar Grafietti.
"Diante da possibilidade de conflitos de interesses e necessidade de manutenção da integridade do esporte e das competições, princípios protegidos pela lex sportiva, se faz necessário uma regulação rápida e eficiente desse tipo de modelo pela FIFA e pelas Confederações. É fundamental esse debate entre todos os membros do esporte para que possamos obter regras eficientes", ressalta João Paulo di Carlo.
O economista Cesar Grafietti também entende que essa regulamentação deveria vir da FIFA, pois tende a envolver cada vez mais clubes de diversos continentes.
"Controlar presença em competições, negociação de atletas quando um clube é sancionado, valores de negociações, enfim, há uma quantidade enorme de temas que precisam ser debatidos. Sem esquecer que regular não é vetar tudo, mas organizar de forma que a competição seja preservada", finaliza.
Como ao longo da matéria, com as chegadas das SAFs, a tendência é de que o Brasil esteja cada vez mais presente no sistema dos conglomerados de clubes, um território ainda sem lei e que está em exponencial crescimento.
SAF, Brasil, sistema, conglomerados, clubes

Temo nome internacional,uma estrutura formidável e uma mina de dinheiro chamado Cotia. Teríamos tudo para ser uma potência na América,não fosse os dinossauros do conselho que nunca irão aprovar uma mudança desse nível,já que para assinar teriam que abrir mão da mamata.
380 dinossauros com cargos vitalícios e privilégios, onde o objetivo final não é ter lucro, como é a característica de uma associação sem fins lucrativos.
Alguém imagina que esse sistema arcaico faz sentido?
Pode acontecer Carlos, mas pra isso saf precisa dar certo. Precisa organizar, vencer , dar lucro etc
Quêm aderir a SAF no início como o Cruzeiro, Botafogo, Bragantino e provavelmente Vasco e Bahia vão se destacar bastante, seja por contratações ou briga por títulos deve exercer um protagonismo no início, mas daqui uns 5 anos a tendência é ficar como está hoje a diferença será clubes melhores administrados,se clubes como Cruzeiro, Botafogo, Bragantino, Vasco, Bahia, América MG, Cuiabá, Curitiba, Furacão, Ceará, fortaleza e outros aderirem a SAF ainda assim alguém será rebaixado, alguém não vai ganhar campeonatos, alguém não vai pra libertadores,o que vai acontecer é que clubes como São Paulo, Corinthians, Santos por exemplo que são contras as SAF vão virar coadjuvantes, porque hoje estão todos quebrado e devendo quase 1 bilhão de reais.