Neste domingo, às 16h (de Brasília), pela segunda rodada do Brasileirão, Rogério Ceni desembarca na capital carioca em alta, com trabalho referendado pela diretoria e um grupo de atletas "na mão", que mistura nomes experientes como Rafinha e Miranda e jovens como Rodrigo Nestor e Pablo Maia. A tranquilidade no CT da Barra Funda contrasta com a tensão do final da passagem no Ninho do Urubu.
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Campeão brasileiro de 2020 pelo Flamengo, Ceni acabou demitido em virtude de um desgaste dentro do clube, somado a resultados insatisfatórios no Brasileirão de 2021. A relação estremecida acabou simbolizada por um áudio vazado do então analista de mercado rubro-negro, Roberto Drummond. As críticas se direcionavam ao dia a dia no clube.
– Ele é uma pessoa ruim. Não tem outra definição – declarou Drummond no áudio vazado.
Isolado no Flamengo, o treinador acabou demitido um dia depois de o áudio se tornar público. O clube rubro-negro comunicou a saída de Ceni na madrugada por intermédio de um breve texto nas redes sociais.
Além do Brasileirão de 2020, o ex-goleiro conquistou pelo clube carioca a Supercopa do Brasil e o Cariocão, ambos na temporada de 2021.
Depois da saída do Flamengo, Rogério Ceni planejava um tempo afastado do futebol. Porém, em outubro, horas depois do anúncio da demissão de Hernán Crespo, o ex-goleiro foi confirmado como novo treinador do São Paulo.
Sem contrato assinado e apresentação para a segunda passagem como treinador são-paulino, Ceni comandou o primeiro treino no dia 13 de outubro com a missão de salvar o Tricolor do rebaixamento.
O objetivo acabou alcançado na penúltima rodada, com vitória sobre o Juventude, no Morumbi. No meio do caminho, porém, Ceni recebeu golpes duros, como a goleada sofrida para o próprio Flamengo, no primeiro jogo contra o rubro-negro após a saída. No Morumbi, o time carioca goleou por 4 a 0, com show de Michael.
O fim de temporada, apesar do alívio pela permanência na Série A, terminou tumultuado. Um áudio vazado, desta vez de Muricy Ramalho, expôs a insatisfação de Rogério Ceni com a situação são-paulina. Técnico e coordenador de futebol cobravam reforços e condicionavam a continuidade a chegadas de novos atletas.
A diretoria se movimentou e trouxe sete novos nomes para a temporada 2022. O último deles, André Anderson, pode inclusive estrear neste domingo, mas é dúvida por conta de uma indisposição.
Com um grupo reformulado e mais espaço para garotos de Cotia como Rodrigo Nestor, Pablo Maia, Gabriel Sara e Igor Gomes, Rogério Ceni se fortaleceu com uma mistura de trabalho de campo e postura fora dos gramados.
As críticas à estrutura do São Paulo e entrevistas sinceras aproximaram o torcedor do time, além de fortalecer o próprio trabalho da comissão técnica, após um início ruim de Paulistão.
O resultado foi visto no próprio campeonato estadual. Com a maior média de público da competição, o Morumbi recebeu vitórias importantes, como dois triunfos contra o Corinthians e o 3 a 1 contra o Palmeiras, na primeira final do Paulistão.
Nem a goleada para o time de Abel Ferreira e nem o vice-campeonato mudaram a confiança no trabalho. Ceni voltou a ter o nome gritado pelos torcedores, antigamente irritados por declarações elogiosas aos flamenguistas. O São Paulo voltou a ser a casa do ex-goleiro e agora treinador de futebol.
Agora, Rogério e comissão técnica conseguem estabelecer uma estratégia que sustenta a ótima avaliação do trabalho. Com uma formação mais reserva, o time venceu os dois jogos pela Copa Sul-Americana e lidera o grupo.
Com os titulares, veio a goleada por 4 a 0 sobre o Athletico na primeira rodada do Brasileirão, competição tratada como prioridade neste momento. Neste reencontro diante do Flamengo, portanto, Ceni levará a campo a base ideal usada desde a fase final do Paulistão.
Quase um ano depois, de volta ao Maracanã, o ex-goleiro tem a paz que não encontrou nas semanas finais como comandante rubro-negro. No São Paulo, há apoio praticamente irrestrito das arquibancadas e quase poder pleno para o trabalho do treinador.
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