O torcedor mais atento ou aquele que acompanhou trabalhos anteriores de Hernán Crespo já sabia o que esperar. No São Paulo, a garantia de um treinador com amor ao jogo, hierarquia e adaptabilidade se concretizou. Seja por vontade própria ou para escapar de constantes desfalques, o argentino deixa de lamentar para montar diferentes estratégias, o que deve ser visto novamente neste sábado (14), quando o Tricolor recebe o Grêmio no Morumbi, às 21h (de Brasília), pelo Campeonato Brasileiro.
No Defensa y Justicia, Crespo garantiu-se entre os nomes mais promissores do futebol argentino, sendo, inclusive, colocado entre os substitutos de Marcelo Gallardo em uma hipotética saída do River Plate. Em campo, tanto com três quanto com quatro defensores, El Halcón fez questão de se impor. Como resultados, venceu uma inédita Copa Sul-Americana contra o Lanús, além de ter sido sexto colocado no Campeonato Argentino.
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Tais campanhas chancelaram a sua vinda ao Brasil. Segundo o próprio presidente do São Paulo, Julio Casares, os dirigentes foram convencidos de que tratava-se do comandante certo para o cargo logo na primeira entrevista.
Antes mesmo de chegar no momento da temporada em que nos encontramos, o argentino testou diferentes alternativas na intenção de conhecer o elenco, potencializar os principais nomes e aproveitar o que Fernando Diniz, hoje no Santos, havia deixado – algo que ele mesmo fez questão de mencionar em sua primeira entrevista.
Desde fevereiro no Morumbi, Hernán Crespo montou, até aqui, dois times. Ambos similares em ideias, mas diferentes no que diz respeito aos mecanismos. Embora as saídas limpas, o protagonismo com a posse e o ataque posicional como estrutura para progressões sigam intactos, a maneira para se chegar à meta contrária foi alterada.
A primeira versão, o São Paulo 1.0, era e continua sendo, em um cenário ideal, a forma como o treinador, que é um dos tantos adeptos de Marcelo Bielsa, sente e enxerga o jogo. Quer ser protagonista independentemente do cenário. Deseja contar com goleiros hábeis e zagueiros técnicos na primeira fase de construção, bem como meio-campistas dinâmicos e intensos.
Sempre pelo chão, abusando do 3-5-2 e suas variações, iniciava com Robert Arboleda e Léo conduzindo, laterais presos à amplitude e meias entre as linhas. Na dupla de ataque, enquanto o jogador mais móvel se associava com os mais próximos, o outro tratava de prender e atrair defensores. Ataques pelos corredores, área rival preenchida e cruzamentos rasteiros e complexos de defender.
Sem a bola, defendendo no 5-3-2 com encaixes setorizados, a principal chave para o funcionamento coletivo: a pressão pós-perda. Sempre induzindo os rivais aos corredores, roubava a bola próximo ao gol e aglomerava oportunidades. De acordo com a plataforma de estatísticas ESPN TruMedia, assim o São Paulo conseguiu dominar o Campeonato Paulista: líder em posse de bola (61,8%), gols marcados (38) e desarmes (218), por exemplo.
No entanto, como em todo trabalho, problemas acontecem. Após a conquista estadual, objetivo público da diretoria e que não acontecia há 16 anos, as lesões minaram uma regularidade que já era difícil de ser mantida. Não há como falar da atual temporada sem mencionar os desfalques. Em levantamento feito pelo “Anotações Tricolores”, do historiador Alexandre Giesbrecht, o São Paulo perdeu, desde o mês de abril, 33 jogadores lesionados, sendo 21 deles por problemas musculares.
O ponto de partida para novos testes veio com o início do Brasileiro. Sem tempo para treinar e sofrendo com frequentes baixas, a segunda e atual versão da equipe, o São Paulo 2.0, passou a atuar em mais de uma plataforma (4-2-2-2) e com novos gatilhos no momento ofensivo.
Em destaque pela campanha do título paulista, a saída de bola passou a ser melhor marcada. Com os zagueiros impedidos a saírem por baixo, Martín Benítez lançando Emiliano Rigoni tornou-se um caminho para transições e contra-ataques, pouco vistos outrora, e ganhou protagonismo. Hoje, as conexões pelo chão já não são mais obrigatórias. Até mesmo Tiago Volpi, o goleiro, não hesita em ativar os homens de frente quando há campo aberto.
Mesmo que o desejo siga sendo a valorização da posse e o domínio das partidas, novos meios foram criados para tal propósito. Ainda segundo o ESPN TruMedia, o São Paulo tinha maior média de passes certos no Paulistão (431,4) do que após o término do estadual (372,6).
Outra mudança visível e que se relaciona com o alto número de lesões é o momento defensivo. A equipe segue marcando por encaixes, majoritariamente no 5-3-2 (ou 4-4-2, quando alterna o sistema), mas pressiona menos. Quando o faz, é com menos intensidade – sobretudo nos segundos tempos. Enquanto foram efetuadas 65 interceptações no campo contrário durante o Paulista, o número caiu para 51 quando o Brasileiro se iniciou.
Passados seis meses, o que se nota é grande vontade de superar adversidades. Apesar de o calendário empilhar consecutivos jogos, de a ciência ecoar a cada lesão e o desempenho estar distante do ideal, a comissão argentina extrai o máximo. Apesar de irregularidades, Hernán Crespo segue a metamorfose. Se adaptando e evoluindo, o técnico opta por competir.
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Metamorfose eh o cu do cara q coloca essa notivia. Deve ser gamba.