Campeão de 2020 só em 2021? Veja quem já levantou a taça em ano errado

Fonte ESPN
Secretário-geral da CBF, Walter Feldmann admitiu que o Campeonato Brasileiro deste ano pode ser concluído no início de 2021 como efeito da pandemia do novo coronavírus. Do mesmo modo, o secretário-geral da Conmebol, Gonzalo Belloso, afirmou que as copas Libertadores e Sul-Americana podem ter seu desfecho somente no próximo ano. Algo estranho, porém não inédito.

Muitos clubes brasileiros já levantaram taças no “ano errado”. Os motivos diferem. Problemas de bastidores, brigas na Justiça e até o velho e conhecido problema no calendário, além de razões externas, como o surto de gripe espanhola (1918) e a revolução tenentista (1924).
Em competições nacionais, o Bahia, o Santos e o São Paulo são os “recordistas”. Cada um deles foi campeão duas vezes no ano diferente do início da disputa. Já Botafogo, Palmeiras, Sport e Vasco levaram uma troféu nacional cada um.

O primeiro campeão nacional reconhecido oficialmente, tanto que participou da edição inaugural da Copa Libertadores de 1960, foi o Bahia, em 1959. Mas a taça veio em 1960. A equipe chegou à decisão da Taça Brasil, torneio iniciado em 23 de agosto, contra o Santos de Pelé.
Foram dois jogos finais com uma vitória para cada lado. Em Santos, em 10 de dezembro, deu Bahia por 3 a 2. Em Salvador, em 30 de dezembro, melhor para o time paulista: 2 a 0. Como cada time venceu uma partida foi necessário um jogo desempate. Aí surgiu o problema de calendário.
Nem Bahia nem Santos tinham datas disponíveis. A CBD (Confederação Brasileira de Desportos) precisava resolver rapidamente a questão para indicar o representante na Libertadores. Acabou arrumando uma data: 29 de março de 1960, no Maracanã, campo neutro.
Foram 90 dias de espera. Tanto tempo que o Bahia não era mais treinado Ephigênio de Freitas, o Geninho, ex-jogador do Botafogo. O comandante da vez era o argentino Carlos Volante, cujo sobrenome batizou a função exercida pelos meio-campistas marcadores. O Bahia derrotou o Santos por 3 a 1, diante de quase 20 mil espectadores, em um dia que Pelé não jogou porque estava lesionado, e sagrou-se campeão. Até a conquista do Flamengo de Jorge Jesus no ano passado, Volante era o único técnico estrangeiro campeão nacional no país.
Na edição do Campeonato Brasileiro de 1988 o mesmo Bahia levantou a taça em 19 de fevereiro de 1989, em Porto Alegre, contra o Internacional, dois dias antes de as equipes estrearam na Copa Libertadores. O motivo foi a desorganização. As oito melhores equipes iniciaram a última fase do torneio no final de janeiro. As semifinais foram em 9 e 12 de fevereiro. E os dois jogos da decisão foram em 15 e 19 de fevereiro.
SÃO PAULO E SANTOS, E O CALENDÁRIO
O São Paulo venceu o Campeonato Brasileiro de 1977 e 1986 nos anos seguintes pelo mesmo motivo relatado acima: desorganização na divisão de datas para a disputa do torneio. Edição de 1977 iniciou em 15 de outubro e foi concluída apenas em 5 de março de 1978.
Todos os jogos da fase final foram realizados no começo daquele ano. A final foi em jogo único. O time tricolor empatou sem gols com o Atlético-MG e venceu nos pênaltis por 3 a 2. O clube de Belo Horizonte foi vice apesar de ter terminado invicto.
Em 1986, o torneio começou em 30 de agosto e a bagunça foi maior. Parte dos jogos da segunda fase invadiu janeiro de 1987. As oitavas de final iniciaram em 31 de janeiro. As duas partidas finais foram em 22 e 25 de fevereiro. O time tricolor derrotou o Guarani nos pênaltis.
O Santos venceu duas edições da Taça Brasil em anos diferentes por problemas no calendário. Em 1962, como o time teve partidas pela Copa Libertadores e depois pelo Mundial de Clubes, os três jogos finais contra o Botafogo foram adiados. Ocorreram em março/abril de 1963.
Já na edição de 1963, ano em que o time santista foi bicampeão da Libertadores e bicampeão Mundial (dessa vez foram três jogos contra o Milan), a final com o Bahia foi adiada para janeiro de 1964. A equipe de Pelé venceu por 6 a 0, no Pacaembu, e 2 a 0, na Fonte Nova.
A POLÊMICA COPA UNIÃO E A COPA JH
Dos quatro clubes que venceram o torneio no ano seguinte a sua disputa, o Botafogo e o Palmeiras esbarraram na dificuldade do calendário. O time alvinegro festejou a Taça Brasil de 1968 em agosto de 1969. Aliás, toda a fase final foi disputada naquele mês.
O Palmeiras ergueu a taça do Campeonato Brasileiro de 1973 em 20 de fevereiro do ano seguinte. O motivo foi erro no calendário. Todos os jogos da segunda e da terceira fase acabaram se alogando e invandindo o calendário de 1974.
Já Sport e Vasco tiveram motivos atípicos nas de 1987 e 2000, respectivamente.
O time pernambucano é reconhecido até pela Fifa como o legítimo campeão da polêmica Copa União de 1987. Flamengo e Inter disputaram, o que para eles e para o extinto Clube dos 13 foi a final correta, em 13 de dezembro 1987, com vitória dos cariocas por 1 a 0. Mas a CBF havia programado para janeiro/fevereiro de 1988 um quadrangular decisivo entre eles e Sport e Guarani, vencedores do Módulo Amarelo.
Flamengo e Inter não aceitaram. Assim, pernambucanos e campineiros se enfrentaram duas vezes: em 31 de janeiro (1 a 1) e 7 de fevereiro (1 a 0 para o Sport). A dupla também ficou com a vaga na Copa Libertadores de 1988, iniciada pouco tempo depois.
O caso do Vasco é igualmente incomum. O time cruzmaltino decidiu a Copa João Havelange contra o São Caetano, surpresa daquela temporada, ao ascender da segunda divisão para a reta final, tendo eliminado Fluminense e Grêmio.
O primeiro jogo da decisão foi em 27 de dezembro (empate por 1 a 1). O segundo ocorreu no dia 30 daquele mês, mas foi interrompido aos 23 minutos do primeiro tempo, quando uma parte do alambrado das arquibancadas de São Januário cedeu.
Após dias de discussão e até tentativa de anulação da final, com o título para o São Caetano, as equipes jogaram em 18 de janeiro. O Vasco venceu o São Caetano por 3 a 1, diante de quase 32 mil pagantes, no Maracanã, e deu a volta olímpica.
PAULISTÃO: MAIS ANTIGO E MAIS ADVERSIDADES
O Campeonato Paulista é o mais antigo do Brasil, disputado desde 1902 de forma ininterrupta, e teve 20 edições nas mais de cem jogadas em que o torneio de um ano terminou no ano seguinte. Quem mais passou por isso foi o Corinthians: nove vezes.
A ocorrência mais famosa foi na edição de 1954, que valia o título simbólico de “Campeão do IV Centenário de Fundação de São Paulo”. A competição terminou apenas em fevereiro de 1955.
Outro caso marcante foi em 1979, quando o presidente corintiano Vicente Matheus conseguiu travar a competição por dois meses, alegando que não admitia que o Corinthians fizesse o jogo preliminar do Palmeiras na abertura da segunda fase. A FPF tinha marcado rodada dupla, imaginando um aumento nas arrecadações no Morumbi, em 11 de novembro, com Corinthians x Ponte Preta e depois Palmeiras x Guarani.
“Por que temos que dividir com os outros, se o comunismo ainda não veio?”, disse Matheus na reunião da FPF, segunda publicação da “Folha de S.Paulo” da época. “O Corinthians só participará da rodada dupla se eu for destituído da presidência”, disse.
“Podemos perder os pontos, posso perder até a presidência, mas o que não podemos é vender o corintiano para os outros”, disse Matheus.
O fato é que os dois meses entre o fim da segunda fase e da semifinal acabaram prejudicando o Palmeiras de Telê Santana, então melhor equipe da competição. Sem o mesmo embalo, foi eliminado na semifinal com um empate (0x0) e uma derrota (0x1) para os corintianos.
Outras vezes que o Corinthians comemorou a taça no “ano errado” foram 1922, 1924, 1930, 1938, 1939, 1951 e 1952. Depois dele, aparece o Palmeiras (1926 edição extra, 1927, 1936, 1947, 1950 e 1959), o São Paulo (1932 e 1953), o Santos (1956 e 1978) e o Paulistano (1918).

Três merecem uma menção especial.
Em 1918, o Paulistano celebrou a taça somente em 1919 por causa do surto de gripe espanhola, que, assim como hoje, deixou muitos mortos e obrigou as pessoas a ficarem em suas casas. Em 1959, Palmeiras e Santos terminaram o Estadual empatados. Foi preciso um jogo desempate, que acabou virando três jogos, já em 1960, batizados como “SuperCampeonato Paulista” pela imprensa.
Por fim, em 1978, o Santos sagrou-se campeão da edição mais longa do Estadual em São Paulo. O torneio começou 20 de agosto de 1978 e terminou apenas em 28 de junho de 1979, com inúmeras fases e classificados.
São Paulo Fc, Tricolor, SPFC. Campeonatos 2020, 2021
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