- O impacto dessas duas contratações neste ano não vamos dizer que é pequeno, mas não têm o impacto necessário para que a gente tenha que sentar e replanejar até o fim do ano. Os dois entenderam que, quando você faz uma contratação em agosto, você já usou boa parte do seu orçamento. Boa parte dos recebíveis ficam para o ano que vem, no caso do Daniel para os outros anos também. Foi criado espaço para a chegada desses dois com as mudanças que a gente fez no elenco depois do Paulista - disse Alexandre Pássaro, gerente de futebol do São Paulo.
As mudanças citadas por ele foram as saídas de jogadores como Diego Souza, Nenê, Jonathan Gómez, Araruna e Brenner, que aliviaram a folha salarial. Jucilei e Bruno Peres também sairão, mas ainda não encontraram novos clubes.
Mas não houve apenas saídas. O São Paulo também contratou Tchê Tchê, Vitor Bueno, Raniel e Alexandre Pato após o Paulistão. Este último, a exemplo dos recém-chegados, topou receber um valor menor até dezembro, com aumento já previsto para janeiro.
Apesar do discurso, a situação financeira do São Paulo não é confortável. O orçamento do clube tem um rombo causado pelas eliminações precoces na Libertadores e na Copa do Brasil - a previsão era chegar até as quartas de final das duas competições, o que geraria receitas muito maiores com bilheteria, cota de TV e premiações. Além disso, a meta de arrecadação com vendas de atletas não foi batida.
O orçamento prevê R$ 120 milhões vindos de transferências, mas por enquanto foram arrecadados cerca de 55 milhões com as saídas de Tuta (R$ 7,6 milhões) e Rodrigo Caio (R$ 22,2 milhões) e com a ida de Militão para o Real Madrid (R$ 25 milhões). Há ainda outras bonificações geradas pelo desempenho dos atletas vendidos em seus novos clubes, como Pratto, que gerou receita ao ser campeão da Libertadores com o River, e Thiago Mendes, que levou o Lille à Champions League e também rendeu dinheiro ao Tricolor.
Mas, para a diretoria do São Paulo, é momento de pensar grande e não se prender tanto ao orçamento. Os dirigentes acreditam que a imagem de Daniel Alves vai atrair muitas receitas, assim como o bom desempenho esportivo da equipe.
- Vocês viram, até superou a expectativa que eu tinha, o impacto da chegada dele. A valorização institucional é uma coisa completamente imensurável. Os parceiros atuais e os que querem se juntar ao São Paulo se sentiram muito valorizados. Isso é intangível, o Daniel coloca o São Paulo em outro patamar. O São Paulo tem que ter ambições grandes. Para competir no nível que o São Paulo merece é preciso ter uma estratégia global. Cabe a nós explorar tudo o que a chegada do Daniel proporciona em termos de oportunidades. Temos que ter competência para explorar - disse o diretor Raí.
- Desde a primeira conversa com o Daniel, falamos em projeto, não na contratação de um atleta. Acho que foi isso que o seduziu. A chegada de um atleta do tamanho dele só pode ser encarada como grande projeto. Antes de evoluir depois do primeiro contato que tivemos fomos ver a viabilidade disso. Contatamos vários parceiros possíveis, no primeiro momento os mais próximos para ver se a ideia ficava em pé, e sem dúvida a reação foi positiva. Pouco a pouco ele foi vendo a grandeza com que o São Paulo estava encarando a chegada dele e também a maneira de montar essa operação para que ela parasse em pé.
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