“Acho que a gente não deveria ficar o tempo todo rebatendo o que tem de ser feito, mas, já que as coisas fogem do controle e a gente sente necessidade de que isso comece a andar, começamos a dar umas marteladinhas, também. Que seja pensado daqui para frente e não só agora. Os outros países estão se desenvolvendo mais rapidamente. Mas essa cobrança é algo que tem que vir do atleta. Tem de sentir que é importante não só para ela, mas para quem vier” – explicou a atacante da Seleção Brasileira.
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Cristiane também explicou que, mesmo com a grande exposição do futebol feminino no Mundial da França, a gestão da base da modalidade no Brasil ainda preocupa bastante
“Deu uma divulgação muito grande, mas algumas coisas ainda precisam ser ajustadas. Principalmente na questão de base, porque nossa base continua sem condições. Se você quer ter uma renovação na Olimpíada, precisa fazer com que elas não fiquem paradas. Essa é a nossa preocupação. Como vão ser levadas as coisas no futuro”.
Quem fez coro com Cristiane foi a ex-jogadora Aline Pellegrino. A coordenadora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol afirmou que o crescimento da modalidade no país não depende de um título de expressão da Seleção Brasileira.
“Temos um Campeonato Paulista com dois grupos fortíssimos. Com atletas excelentes, teremos chance de vê-las em campo. Acredito que passa por três processos: seleção brasileira, competições e a parte de desenvolvimento. Enquanto dois não funcionarem muito bem, dificilmente vamos ter uma grande mudança. É projeto, processo. Se você tem um fomento, a Seleção vai estar fortalecida. Se você tem a Seleção bem, e o fomento indo bem, você vai cobrar que tenha competição. Acho que isso independe da Copa do Mundo. Lá era uma coisa, aqui outra. Precisamos de estaduais, campeonatos de base e isso independe do Brasil ser campeão” – ponderou a ex-jogadora da Seleção Brasileira.
Aline Pellegrino também lembra que a Copa do Mundo trouxe os resultados do trabalho feito pela FIFA e que vai valer muito a pena investir nos projetos ligados ao futebol feminino.
“A Copa do Mundo foi uma virada de chave. Se formos olhar o que a Fifa vem trabalhando, desde 2016, com planejamento global estratégico de dez anos e em dois anos ele já dá a resposta que deu na Copa do Mundo. (…) Então, assim, a gente sabe o que fazer, a Fifa construiu algo ali. Dá para fazer bem, o legal é justamente ver o ‘por que’ deu certo. Em um ciclo de oito anos, serão muitas competições, várias de base. Olha o quanto vai valer a pena investir nesses projetos. O enraizar, a representatividade, cobertura, isso vai fazer a diferença e ter grande resultado”.
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