O diretor de futebol do São Paulo, Raí, ganhou a defesa nesta segunda-feira do ex-dirigente do clube, Marco Aurélio Cunha. Médico ortopedista e superintendente de futebol da equipe em momentos vitoriosos, como no início dos anos 2000, ele afirmou que apesar das protestos e críticas da torcida, o ideal é não efetuar novamente uma troca no comando do futebol do clube.
Cunha trabalha atualmente como coordenador de futebol feminino da CBF e defendeu a manutenção de Raí no cargo. "Essa questão de querer só mudança, de rasgar a história e destruir reputações de pessoas que estão por lá, isso não resolve. Tem que trabalhar de forma serena e ouvir menos murmúrios dentro do Morumbi. Não tenho dúvida de que o Raí pode fazer um trabalho de forma profissional", afirmou.
O ex-meia Raí se tornou alvo de protestos da torcida do São Paulo na última semana. A eliminação precoce na Copa Libertadores, diante do Talleres, assim como atuações ruins no Campeonato Paulista, causaram a insatisfação dos são-paulinos. No último domingo, o empate sem gols com o Red Bull, no Morumbi, teve do lado de fora um protesto contra a diretoria.
O atual dirigente da CBF pede calma com essa momento. "Tem horas que o melhor é menos confusão. No geral, o futebol adora expor cabeças, porque se dá uma ideia de autoridade. Mas não é hora disso agora. Você jogar a responsabilidade para os outros não ajuda em nada", disse. "Não tem que se promover caça às bruxas", comentou.
Não posso concordar com a demissão do Raí. Seu histórico de conquistas merece respeito. Seu esforço e honestidade, consideração . É um cargo difícil e em momento delicado . Faço minhas críticas, internas, expões alguns erros de rumo publicamente, mas sem ele pode ser muito pior.
— Marco Aurélio Cunha (@macmarcoaurelio) 24 de fevereiro de 2019
Cunha lembrou que em setembro de 2016 retornou ao São Paulo como diretor de futebol em momento parecido. A equipe lutava contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro e tinha passado nas semanas anteriores por uma invasão ao CT promovida por uma torcida organizada. Alguns jogadores foram agredidos na ocasião. Segundo o dirigente, o momento requer administrar a turbulência, e não piorar a situação ao promover mais demissões.
"Não há como destruir o Raí na história do São Paulo. Ele tem a capacidade e competência para superar isso", afirmou. Cunha disse que apesar dos compromissos com a seleção feminina, está à disposição para contribuir com o clube com recomendações e conversas. Conselheiro vitalício do clube, o ex-dirigente avalia, no entanto, que o São Paulo precisa reagir de forma urgente.
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