São Paulo e Talleres decidem uma vaga na terceira fase da Copa CONMEBOL Libertadores nesta quarta-feira (13), às 21h30 (de Brasília), no Morumbi. Ao Tricolor só resta vencer por pelo menos 2 a 0 para levar a decisão para os pênaltis - os brasileiros precisarão de três gols de diferença caso sejam vazados em casa pelos argentinos, que venceram a ida (2 a 0) .
A missão não é simples mesmo para o clube brasileiro que mais vezes venceu como mandante na história da Libertadores . O São Paulo soma 68 vitórias em casa, contra 66 do Grêmio , e está no top 10 geral dos clubes com mais triunfos jogando em seus domínios - o River Plate , atual campeão, lidera com 114 vitórias. Os brasileiros jamais perderam uma partida para argentinos como mandantes na Copa: venceram 11 dos últimos 12 jogos. E a expectativa é de Morumbi cheio para empurrar a equipe contra o Talleres.
Mas tentar uma virada após derrota por 2 a 0 na ida, fora, é um desafio raro na vida do tricampeão da Copa. A única vez que isso aconteceu em mata-matas foi durante a campanha do bi, em 1993, nas oitavas de final, diante do Newell's Old Boys, da Argentina. O São Paulo perdeu por 2 a 0 em Rosario e se classificou na volta, no Morumbi, com goleada por 4 a 0 (leia mais abaixo).

No último confronto que havia disputado antes da estreia neste ano, na semifinal de 2016, o Tricolor também largou com 2 a 0 contra, mas fez o primeiro jogo em casa diante do Atlético Nacional . Os brasileiros voltaram a perder, por 2 a 1, em Medellín, e foram eliminados pelos campeões daquela edição.
Nos últimos anos, o clube não obteve sucesso nas vezes em que saiu atrás das disputas, mesmo sendo derrotado pelo placar mínimo. A última virada aconteceu na Libertadores de 2006, nas quartas de final: o São Paulo perdeu por 1 a 0 para o Estudiantes na Argentina, venceu por placar igual na volta e se classificou nos pênaltis. O clube ficou com o vice-campeonato.
Na mesma edição, há 13 anos, o Tricolor largou atrás (2 a 1) na final, em casa, contra o Internacional e não conseguiu devolver no Beira-Rio (2 a 2). Nas campanhas seguintes, outras derrotas em jogos de ida, seja em casa ou fora, terminaram também com eliminação: Cruzeiro (quartas de 2009, 2 a 1), Inter (semifinal de 2010, 1 a 0) e Atlético-MG (oitavas de 2013, 2 a 1).

?????? Por todos os ângulos, os dois golaços do @CATalleresdecba na vitória sobre o @SaoPauloFC. pic.twitter.com/ir0xZcG9NF
— CONMEBOL Libertadores (@LibertadoresBR) 7 de fevereiro de 2019
Os mandantes na Copa:
River Plate: 114 vitórias
Peñarol: 107 vitórias
Nacional-URU: 104 vitórias
Boca Juniors: 95 vitórias
Olimpia: 87 vitórias
Cerro Porteño: 77 vitórias
Bolívar: 76 vitórias
Colo-Colo: 68 vitórias
São Paulo: 68 vitórias
Grêmio: 66 vitórias
A VIRADA DE 1993
O São Paulo de Telê Santana, campeão brasileiro no início da década de 90, já encantava a América do Sul em 1993, um ano após a conquista do primeiro título da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes, no Japão, contra o Barcelona. O regulamento previa que o campeão já entrasse nas oitavas de final.
A estreia do Tricolor, então, foi diante do mesmo clube batido pelos brasileiros na final de 1992: Newell's Old Boys. A equipe de Telê voltou da Argentina com derrota por 2 a 0 contra uma equipe que tinha em campo nomes famosos como Mauricio Pochettino e Tata Martino, hoje treinadores.
A virada começou em 14 de abril de 1993, com um gol de Dinho aos 29 minutos do primeiro tempo. O nome do jogo, no entanto, foi outro. Um dos mais idolatrados da história tricolor, e hoje dirigente: Raí. O então camisa 10 ampliou aos 38 e aumentou a contagem aos 30 da etapa final. O Morumbi lotado explodiu! Cafu fechou a conta em 4 a 0 no fim.
O São Paulo seguiu firme rumo ao bicampeonato, batendo depois Flamengo , Cerro Porteño e Universidad Católica . Fez uma dobradinha que apenas o Santos de Pelé, em 1962-63, havia conseguido entre os brasileiros. Depois do Tricolor, apenas o Boca Juniors, em 2000-01, conseguiu títulos consecutivos da Libertadores .

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