Muricy Ramalho dá dicas, fala do momento do São Paulo e analisa o Choque-Rei

écnico foi três vezes campeão brasileiro pelo Tricolor e bateu na trave com o Palmeirasa em 2009

Muricy Ramalho é tetracampeão brasileiro. Conquistou a competição três vezes pelo São Paulo (em 2006, 2007 e 2008) e uma pelo Fluminense (em 2010). E ainda bateu na trave em 2009, quando viu o Palmeiras deixar escapar o título nas últimas rodadas.
Na véspera do encontro decisivo entre São Paulo e Palmeiras, neste sábado, às 18h, no Morumbi, pela 28ª rodada, o agora comentarista fala sobre as dificuldades da disputa por pontos corridos, dá algumas dicas o são-paulino Aguirre e ao palmeirense Felipão e dá seu palpite sobre o Choque-Rei.
Palmeiras e São Paulo disputam ponto a ponto a liderança do Brasileirão. O Verdão tem 53 pontos, um a mais do que o Tricolor, atualmenta na terceira colocação. Veja aqui a classificação.
Veja abaixo os principais tópicos do bate-papo com Muricy:
O segredo dos pontos corridos

– O plantel é fundamental no campeonato de pontos corridos. Se você não tem, não ganha. É uma competição longa demais, tem que olhar a janela e saber se vai perder jogador. Tem que sair na frente também na busca por jogadores. São vários detalhes que podem fazer um campeão.
Momento do São Paulo
– O São Paulo vem de uma recuperação, vem de anos com trabalhos que oscilam demais. E este ano, não. Se você perguntasse no começo do ano para os torcedores, para os dirigentes e até para os jogadores, o que seria bom no Brasileirão, uma classificação para a Libertadores seria ótimo. Lá atrás... Acontece que atingiu mais.
– Está numa colocação muito boa pelo que vem dos últimos anos. Só que, claro, o torcedor é exigente. Já que você chegou na primeira colocação, aumentou o sarrafo e aumentou a responsabilidade. Agora o torcedor não quer só a classificação na Libertadores, ele quer o título. E o São Paulo oscilou um pouco, porque teve uns jogadores machucados.
A arrancada do Palmeiras
– O Palmeiras teve muito mérito. Primeiro porque trouxe um grande treinador, que ganhou muitos títulos, um treinador importante para o Palmeiras. O torcedor gosta muito do Felipão. Ele ajustou bem o time. Um comando mais de paizão, de parceria, claro, além da parte tática. Ele fez, em um elenco enorme, todo mundo se sentir importante.
O que o São Paulo precisa fazer
– O Aguirre precisa lembrar os jogadores que é possível. Mostrar para eles o que aconteceu pouco tempo atrás, como o time cresceu. Tem que mostrar a memória do que o São Paulo fez há pouco tempo. É possível uma retomada. Faltam 11 jogos, dá para fazer essa retomada. E, claro, recuperar os seus principais jogadores, porque a diferença de plantel é grande em relação ao Palmeiras.
O que o Palmeiras precisa fazer
– Tem que fazer o que fez até agora, está rodando bem o time. Jogar quarta e domingo na mesma intensidade, não aguenta. Nao dá. Não pode mudar agora na reta final: é um time para o Brasileiro, e outro time para a Libertadores. Claro que não é um time completamente reserva, é mesclado, mas que tenha condição física.
Aguirre x Felipão
– Felipão é um cara mais do emocional, apesar da parte tática dele. Um cara que recupera jogador, que não vai se importar com a crítica, ele faz o melhor para o time dele. E ele está mais calmo agora. A experiência que ele tem. É um treinador que está acostumado a decisões. O jogador, quando olha para o banco, fala: aquele cara foi campeão de tudo.
– E o Aguirre está procurando a afirmação no Brasil. Trabalhou no Inter, no Atlético-MG e agora está tendo essa chance no São Paulo. Está fazendo um grande trabalho. É um treinador de diálogo, que se aproxima dos jogadores, que aceita a opinião do jogador. E taticamente é muito bom.
O Palmeiras de 2009 foi a maior frustração?
– Não, porque foi uma coisa assim técnica. Nesse caso foi muito claro que o Campeonato Brasileiro não perdoa em relação a plantel. O Palmeiras tinha um muito bom time, mas não tinha plantel. E aquilo definiiu. Quando perdemos três ou quatro jogadores, nós perdemos o campeonato, porque a nossa reposição não era boa. Arrancou muito bem, ficou muitos pontos, mas não aguentou.
O Choque-Rei de sábado
– Eu acho que vai ser um jogo muito tático, não vai ser tão aberto. Vai ser um jogo de contra-ataque. Os dois times sem a bola vão marcar atrás da bola. Dificilmente vão marcar pressão. O São Paulo talvez um pouco porque tem a obrigação, joga em casa, está atrás, precisa ganhar o jogo.Na minha opinião vai ser um pouco amarrado, porque os dois times se respeitam muito.
– Não é uma partida decisiva em números, porque tem muitos jogos depois, mas moralmente é muito importante. Porque campeonato de pontos corridos, quando você é campeão, você vai buscar um jogo que deu a virada. E esse jogo pode ser agora.
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