Aguirre precisou de um turno para ganhar torcida e fazer o São Paulo esquecer Cueva

Fonte Uol
Foto: Marcello Zambrana
Mais uma vez, Diego Aguirre terá de encontrar soluções para substituir importantes jogadores no São Paulo. Nesta quarta-feira (5), às 21h45, em Belo Horizonte, contra o Atlético-MG, o treinador não contará com o suspenso Diego Souza, o selecionável Arboleda e os lesionados Bruno Peres e Everton. O uruguaio, porém, se destaca por não deixar seu time dependente de um atleta.

Foi assim que aconteceu, por exemplo, com Cueva. Há um turno sem o estrangeiro, o técnico e a diretoria conquistaram a confiança do elenco e da torcida. Até o início da temporada, muito se falava da queda de rendimento da equipe quando o então camisa 10 não estava em campo. Na reta final do Brasileiro do ano passado, por exemplo, o São Paulo chegou a engatar uma sequência de três vitórias (Flamengo, Santos e Atlético-GO) e a sonhar com uma vaga para a Copa Libertadores.
Porém, nos três jogos seguintes, ele teve de servir à seleção peruana, e o time o Tricolor empatou com Chapecoense e Vasco e perdeu para o Grêmio. Desta maneira, ficou longe da classificação para a competição continental.
No total, Cueva disputou 89 jogos pelo São Paulo, marcou 20 gols e deu 19 assistências. A última participação do meia no Brasileiro foi justamente contra o Atlético-MG, no primeiro turno, no Morumbi. Na ocasião, ele saiu do banco de reservas para fazer a jogada do gol de Diego Souza, que selou o empate por 2 a 2.
Até então, o time era o nono colocado do Nacional, com uma vitória e três empates, e sofria pressão. Mas a história, como se sabe, mudou depois da saída de Cueva para a Copa do Mundo e a transferência para o Krasnodar. Apesar dos números consistentes, a passagem do estrangeiro ficou marcada por problemas disciplinares - por isso, entrou em atrito com o diretor executivo de futebol, Raí, no início deste ano.
Tal postura do dirigente serviu para mostrar para os demais jogadores que o departamento agora contava com um líder, que estava pronto para contribuir com a equipe mas não aceitaria os desmandos de um atleta. O treinador, na época Dorival Júnior, também ganhou respaldo para tomar decisões. Com a chegada de Aguirre, em março, esse conceito de hierarquia passou a ser ainda mais forte dentro do elenco.
Com o aval da diretoria, o uruguaio nunca teve problemas para impor a sua metodologia ou para deixar um jogador fora de uma lista de relacionados para uma partida. Foi assim, por exemplo, com Diego Souza no primeiro confronto com o Rosario Central, pela Copa Sul-Americana, na Argentina.
Neste começo do trabalho do treinador à frente do São Paulo, Cueva ainda tinha boa imagem com grande parte da torcida, mas a falta de dedicação irritava muita gente dentro do clube. Até mesmo por isso, o fato de ele ir para o banco de reservas fez Aguirre ganhar pontos com os jogadores. Por outro lado, o treinador já havia recebido a sinalização da diretoria de que Cueva provavelmente seria negociado após o Mundial da Rússia.

Com tudo isso em mente, Aguirre passou a utilizar as peças que tinha e deu menos espaço para o peruano. Nenê e Diego Souza deram conta do recado, e com a chegada de Everton a equipe ganhou ainda mais qualidade e pulou para a ponta da tabela do Brasileiro.
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