"Tac-tac-tac": o som que se assemelha ao toque das chuteiras na bola tornou-se a trilha sonora dos campos do CT do São Paulo desde que Diego Aguirre assumiu o comando da equipe, no início de março. O responsável? Fernando Piñatares.
Durante os treinos, o barulho emitido com a boca pelo preparador físico do Tricolor, com o auxílio de estaladas de dedos, é uma forma de incentivar e cobrar os jogadores, que virou marca registrada do trabalho do uruguaio de 46 anos.
Se Aguirre quer o São Paulo bem preparado fisicamente para "entregar tudo em campo", como o técnico costuma dizer nas entrevistas, disputando todas as bolas, ele tem em Piñatares um fiel escudeiro.
Considerado um carrasco pelos jogadores, o preparador físico não dá descanso nos treinos. Até em uma roda de bobinho, uma brincadeira típica de aquecimento, o uruguaio é exigente.
– Quem é mais rancoroso é o Fernando (Piñatares), o preparador físico (risos). Mas é um cara extremamente profissional. O Fernando bate um pouquinho, e o Aguirre passa a mão na cabeça (risos) – afirmou Hudson ao GloboEsporte.com.
O jeito xerifão de Piñatares também provoca algumas situações engraçadas. Na última terça-feira, uma das atividades foi uma disputa de futevôlei um contra um entre os atletas, sem Nenê e Hudson, que corriam em volta do gramado em uma atividade regenerativa.
No entanto, o camisa 10 são-paulino invadiu a disputa que acontecia entre Everton e Reinaldo com a intenção de jogar, e ouviu do uruguaio, que acompanhava atentamente cada movimento:
– Nenê? Não, não, não!
O jogador então voltou para a sua corrida e reclamou:
– Pô, Fernando "chatão”, hein?
Resenha 2 do treino: Nene corria com Hudson e parou para jogar futevôlei. Reinaldo pediu para ele esperar de próximo. Diego brincou fingindo que iria “dedurar” para Fernando Piñatares. Depois o preparador “vetou” Nenê: “Po, Fernando chatão, hein” #gesaopaulo pic.twitter.com/qcw8mAF5Ww
— Marcelo Hazan (@Marcelo_Hazan) 24 de julho de 2018
Fernando até pode ser o "chatão", mas os números comprovam que a linha dura do preparador físico tem sido positiva. Até a 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, o São Paulo é o segundo clube que mais dá desarmes certos na competição, com 276, apenas dez a menos que o Flamengo.
Quando era dirigida por Dorival Júnior, a equipe recebia duras críticas pela queda de rendimento no segundo tempo dos jogos, algo que não ocorre mais com a nova comissão. O comprometimento com a marcação e a disposição em campo têm ajudado o Tricolor a ocupar a segunda posição do Brasileirão.
Neste domingo, a preparação será colocada à prova mais uma vez diante do Cruzeiro, às 16h (de Brasília), no Mineirão, pela 16ª rodada. A equipe terá pelo menos três desfalques, já que Hudson, Arboleda e Militão estão suspensos, e os reservas terão que mostrar que o condicionamento está em dia para manter a boa campanha.
Futebol brasileiro não é novidade
Fernando Piñatares e Diego Aguirre se conheceram na seleção de base do Uruguai, em 2007, onde ficaram até o fim de 2009. Desde então, eles estiveram juntos no Peñarol, Al-Rayyan, Al-Gharafa, Internacional, Atlético-MG, San Lorenzo e, enfim, São Paulo.
E foi justamente no Brasil que o uruguaio teve seu trabalho colocado em xeque. Em 2015, no Inter, o preparador foi criticado pelo excesso de lesão dos jogadores do time colorado e pela falta de ritmo de alguns, que, dentre outras coisas, culminou na eliminação na semifinal da Libertadores.
No Atlético-MG, em 2016, resgatou o seu prestígio e saiu elogiado pela diretoria do a. A experiência no país é uma aliada no atual trabalho.
– Estamos bem adaptados, já conhecemos bem. Não falamos muito bem português, mas é simples: é ser profissional, trabalhar e ser uma boa pessoa – afirmou Piñatares ao site oficial do São Paulo.