A torcida do São Paulo viveu anos de muitas glórias nas décadas de 90 e 2000, masem compensação, passou na última década por sofrimentos que somente os torcedores mais velhos que viveram os anos 60 e 70 já haviam vivido anteriormente. Foi prova de amor incondicional apoiar o time em 2013 e 2017, acreditar na Sul-Americana de 2012 e outros anos seguintes, na Libertadores de 2016, e em tantas outras tentativas frustradas e sofridas so São Paulo em tentar tornar-se campeão novamente.
Ano passado, o volante Petros - que deixará saudades por sua entrega ao clube - disse que a torcida do São Paulo merecia ser presenteada assim como presenteavam os jogadores lotando o estádio do Morumbi mesmo com resultados e partidas sofridas de assistir. O ano virou e o presente do elenco tricolor para a torcida chegou:um time comprometido, bem treinado e com raça. Nós entregamos amor e confiança, eles corresponderam, estamos todos na mesma sintonia pela primeira vez em dez anos!
O que faltava ao São Paulo
Vivemos uma fase de demissões de técnicos constantes, quedas de diretores de futebol, trocas e renúncias de presidentes e idas e vindas de jogadores mensalmente. O São Paulo passou por longos anos de desestrutura geral e perdeu a mão na sua padronização. Fato este que, parece, estar se ajeitando novamente. Além disso, os elencos que passaram, não demonstravam entrega dentro de campo, não tinham comando no vestiário, não tinham entrosamento e parceria, sofriam com panelinhas e grupos internos e, pelo alto número de negociações, sempre estavam com a cabeça fora do São Paulo. Um verdadeiro caos!
O que mudou no São Paulo
A diretoria de Raí é silenciosa e profissional: protege seus jogadores, - mesmo os que estão em baixa, veja o caso de Cueva na Copa e Militão enquanto não renovava - não deixa vazar informações internas e age com cautela em cada passo. O comando do técnico Aguirre em parceria com Jardine deu mais do que certo, mesmo com a desconfiança inicial da torcida, Aguirre provou que SABE MESMO como comandar, escalar, improvisar (ele diz que não é improviso e nem pardalzisse, é conhecimento!) e montar o elenco extraindo o melhor de cada jogador. Aguirre e Jardine conhecem exatamente todas as características de cada jogador, um espetáculo de se ver!
O comprometimento do elenco é um dos principais fatores para a super fase que estamos vivendo. Os São Paulinos correspondem ao que Aguirre pede em treinamento, aperfeiçoaram os fundamentos de passe, cruzamentos e jogadas ensaiadas - há quantos anos não víamos isso? -, é um time organizado que age por blocos e, principalmente, tem psicológico inabalável. Ainda por cima, só pra piorar a cena: o elenco pagodeia no fundo do busão junto! Elenco unido jamais será vencido! A união faz a força!
E, por fim, a torcida. A torcida aprendeu a torcer nos maus momentos, se fortaleceu, se uniu, ganhou força, sabe apoiar mais do que nunca e agora colhe os frutos de quem entregou amor e confiança à um clube esgotado. Os jogadores jogam por nós e nós cantamos por eles! Que momento, heim!
Todas essas visíveis mudanças somado ao fato de passarmos duas sequencias de invencibilidade, vencermos o clássico cheio de desfalques em casa, vencermos do Flamengo, no Maracanã, contra a arbitragem, com calma e solidificação e batermos marcas que só em 2006 havíamos batido, deixam ao torcedor a incrível percepção de que estamos a um passo de podermos nos iludir.
De fato o atual futebol do São Paulo ilude tanto quanto escutar o nome do Calleri na janela de transferências. Haja coração!
Deixo aqui a pergunta: Se passar bem do Grêmio e do Cruzeiro, já podemos começar a nos iludir?
Eu ainda aguardarei um pouco, sigo racional, desconfiada pelos últimos anos, mas com o coração pulsando forte por este elenco. Vamos continuar apoiando, afinal, cada ponto vale! Estamos todos, até este momento, de parabéns! O São Paulo voltou a nos dar orgulho! E que orgulho!
Valeu, The king!
PS: Ainda está proibido cantar "O campeão voltou", citar o Jason e falar que é hepta. Por favor!
Layla Reis