E o Tricolor venceu mais uma. Após vencer o líder Flamengo, em pleno Maracanã, a última vítima da equipe de Diego Aguirre foi o Corinthians no Morumbi lotado. 58.624 pessoas assistiram ao passeio sobre o rival, que levou perigo em apenas em duas oportunidades: na bola mal rebatida por Arboleda no primeiro tempo, e no gol irregular (pra variar) no final da partida. A incontestável vitória no Majestoso dá mais moral ainda à equipe, que segue na cola do líder.
Além de estar visivelmente mais aguerrido, mais comprometido e de jogar com muita intensidade, o que diferencia esse atual São Paulo daquele dos últimos anos pode ser definido em uma única palavra: CONCENTRAÇÃO!
O Tricolor possui uma equipe que joga concentrada do primeiro ao último minuto de jogo. Do goleiro ao centroavante, somados aos três jogadores que entram no decorrer da partida, todos estão ligados, o que não somente evita que a equipe sofra gols (apenas 1 gol – irregular – nos últimos 5 jogos), mas também faz com que marque em vacilos dos adversários. Quantas e quantas vezes, num passado nada distante, perdemos ou deixamos de vencer partidas por conta de falhas de marcação, falhas individuais, bolas paradas ou gols logo na volta do intervalo e nos acréscimos? E quantas vezes não passamos raiva por não aproveitarmos as falhas do adversário e as oportunidades criadas? Fora aquelas partidas em que dominávamos e sofríamos o gol num raro ataque do adversário, como na única derrota sofrida no ano no Morumbi, 1x0 para o Santos.
O que vemos agora é totalmente o oposto. Logo no início do trabalho de Aguirre, ainda no Paulistão, foi possível perceber o início da mudança na concentração. Classificação contra o São Caetano depois de 85 minutos e vitória na primeira partida contra o time de Itaquera, aproveitando contra-ataque no último minuto do primeiro tempo. Lá no galinheiro, 90 minutos extremamente concentrados. No único lance, gol e eliminação DOLOROSA nos pênaltis. Pela Copa do Brasil, a mesma coisa. Mesmo jogando melhor, um vacilo e pênalti bobo para o adversário, outro vacilo no início do segundo tempo e mais uma eliminação. Porém, me parece que tudo isso serviu de aprendizado para esse elenco. Exemplos? Gol no fim contra o Bahia, gol no início do jogo e no fim do primeiro tempo contra o América-MG, gol no início do segundo tempo contra o Flamengo, gols de bola parada, e por aí vai...
Mas o gol que talvez mais caracterize tal mudança de postura foi o segundo no passeio de sábado. Quando Gabriel recua de cabeça, todos os jogadores rivais ficam olhando o que vai acontecer (tal como os nossos no passado), e KINGNALDO, concentrado no jogo, consegue roubar a bola, limpar o FRANGÁSSIO e depois de insistir, deu a “chapada do Nene” para marcar.
Num futebol em que o nível dos jogadores está cada vez mais baixo e que possui cada vez menos oportunidades claras de gol como o sul-americano, as equipes que falham menos e que aproveitam as falhas adversárias e os lances de bola parada para marcar são as que tem tido sucesso. Sendo assim, podemos afirmar que o tricolor está no caminho certo para voltar a ser aquilo que é acostumado a ser: campeão.