"Não tem palavras (que definam esse momento). Se tem, eu não sei. É uma coisa que eu estou aqui bobo. Nunca imaginei ia acontecer tudo isso".
Wilker Girão realizou um sonho no Castelão no último domingo. Enquanto para muitos ir ao estádio ver o time de coração é algo fácil, para o torcedor do São Paulo é missão quase impossível. Will sofre de distrofia muscular de Duchenne, e, por isso, precisa usar um aparelho ligado à energia para conseguir respirar. Ele mobilizou as redes sociais, conseguiu o apoio de Ceará e do próprio São Paulo, conheceu mascotes e jogadores do time paulista e respirou a atmosfera do estádio no empate sem gols pela Série A do Brasileiro.
- Não é sempre que o São Paulo vem para cá. Eles estiveram a última vez em 2015. Não deu certo eu estar. Tentei, mas não deu. Agora, eu arrisquei: 'Vou botar na internet', para tentar. Teve muita repercussão. São Paulo e Ceará chegaram junto ajudando. Hoje, eu estou aqui - emociona-se Will, na entrevista que ocorreu na arquibancada do estádio.
Os mascotes de Ceará e São Paulo levaram o cearense Francisco Wilker para o estádio. No intervalo da partida, ele foi presenteado pelo Ceará.
Na sexta-feira, ele foi ao hotel onde o São Paulo ficou concentrado. Lá conseguiu conversar e tirar fotos com atletas e comissão. O zagueiro Arboleda e o ex-jogador Raí atenderam à tietagem de Will. Do zagueiro, ele ganhou a camisa de número 13.
- Quando não tem transmissão, acompanho pela internet. Quando tem transmissão, paro tudo para ver o jogo. Fiz foto com os mascotes, jogadores e comissão do São Paulo. O Arboleda conversou comigo no hotel, o Raí, Ricardo Rocha... Foi muito emocionante - conta o torcedor, que começou a torcer pelo time paulista no fim dos anos 90.
Quando acabou o jogo ontem um membro da assessoria do @CearaSC conseguiu com que eu falasse com alguns jogadores do @SaoPauloFC. Esses registros só foram possíveis graças à ele. Nas fotos estão Jardine, @Nene10, Arboleda, Sidão e Bruno Alves. #ComoEuTeAmoTRICOLOR #SPFC ?????? pic.twitter.com/WF5eoLPVBC
— Will Girão ?????? (@FranciscoWilker) 23 de abril de 2018
Will nasceu com distrofia muscular, que afeta o sistema respiratório. Em 2014, após uma cirurgia de retirada da vesícula e como efeito da anestesia, teve como consequências a traqueostomia, o respirador e a dificuldade para se locomover. Hoje, o aparelho que o torcedor utiliza precisa ter as baterias recarregadas, daí a necessidade de acesso à energia a todo momento. Neste domingo, ele torceu pelo empate. E se satisfez.
- Empate, para ninguém ficar magoado - brincou.
E acertou. Coisa que só o futebol faz. A mãe de Will, que o acompanhou em toda a trajetória, define a importância do momento.
- Eu estou tão feliz, tão emocionada, porque o Francisco Wilker é tudo para mim. Então esse sonho dele é muito importante, porque eu não tinha como dar esse sonho para ele. A felicidade do meu filho é esse time. Ele disse para mim: 'Mãe, se eu morrer segunda-feira, eu morro feliz. Porque é uma felicidade que não tem palavras'.