Em looping eterno, São Paulo faz nova e dura imersão na realidade

Má atuação contra o Ceará volta a expor falta de qualidade no meio-campo e erros de planejamento da diretoria

Fonte Globo Esporte
Aguirre precisa encontrar soluções num elenco mal construído pela diretoria (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)
O empate sem gols com o Ceará foi mais um capítulo do looping eterno que o São Paulo vive entre mudanças frequentes de jogadores, técnicos, dirigentes e sistemas táticos. Há momentos que transmitem vaga esperança de melhora e outros de imersão à realidade, como essa partida no Castelão, onde a equipe não funcionou no 4-1-4-1 nem no 3-4-3.

E não funcionou por quê? Porque o time tem poucos bons jogadores em setores fundamentais de criação. O São Paulo vive procurando definidores, camisas 9, e pontas, que atuam abertos, mas dedica pouca atenção à região central, terra absolutamente improdutiva, infértil.
No último domingo, Diego Aguirre escalou Petros, Hudson e Liziero no triângulo de armadores. No futebol atual, todos os volantes participam, uns mais e outros menos, da construção ofensiva. Logo no início, o São Paulo deixou claro que sua intenção era encurralar o Ceará e trocar a bola no campo de ataque. Mas é impossível fazer isso com Petros, Hudson e Liziero.

São Paulo começou no 4-1-4-1, mas sem criatividade no meio (Foto: GloboEsporte.com)
Jucilei, poupado, também não tem essa característica. Não ter peças que se encaixem na ideia de jogo é um dos problemas do clube que brinca de trocar jogadores, técnicos e diretores de futebol.
Para conseguir incomodar o Ceará, fechadinho, os volantes do São Paulo precisariam ter opções de passes verticais, mas quando Petros tinha a bola, Hudson ficava sempre atrás ou ao lado dele. E vice-versa. Liziero, por sua vez, se adiantava e formava um quarteto ofensivo com Cueva, Everton e Tréllez. Resultado: bola pra lá, bola pra cá, um buraco de criatividade, e nenhum perigo.
Acha que não dá para piorar? Lembre-se que o homem mais imprevisível do São Paulo em campo é Cueva. Para o bem e para o mal. O peruano foi capaz de, em pouco mais de 30 segundos, dar um passe genial para boa finalização de Everton, e um chute bizarro que foi parar na lateral.
Quando percebeu que Cueva tinha dificuldade para compor a segunda linha de marcação e que a presença de Tréllez no ataque não causaria qualquer risco ao Ceará, especialmente sem um parceiro que se aproximasse dele, Aguirre inverteu o posicionamento do time sem a bola. Tréllez passou a atuar na ponta direita, marcando o ala rival, e Cueva livrou-se dessa tarefa inglória.
O São Paulo tem no elenco três jogadores sem condições físicas e técnicas, além de uma certa preguiça, de marcarem o lateral, e que, para compensar isso, deveriam definir partidas, garantir pontos. Trata-se de Cueva, Diego Souza e Nenê. Ultimamente, só Nenê tem feito alguma diferença no ataque para compensar sua ausência na marcação.
Nenhum time que se propõe a ser campeão tem tantos protagonistas com limitações de escalação como o São Paulo. Mais um ponto negativo para Leco, Raí, Ricardo Rocha e companhia.
Voltando ao jogo...
Liziero, bom valor que precisa ser mais aprimorado e menos mimado pelo São Paulo, e Tréllez nem voltaram do intervalo. Aguirre mudou o sistema tático para o 3-4-3 e abriu mão do centroavante.

No segundo tempo, 3-4-3 sem centroavante (Foto: GloboEsporte.com)
O clube gastou R$ 18,6 milhões em três jogadores da posição para 2018, mas atuou 45 minutos sem ninguém na função: Diego Souza (R$ 10 milhões) não foi relacionado, Tréllez (R$ 6 milhões) saiu e Gonzalo Carneiro (R$ 2,6 milhões) tenta retomar a forma física para estrear. Ele não joga desde novembro. Mais um ponto negativo para Leco, Raí, Ricardo Rocha e companhia. (2)
As mudanças não funcionaram e o São Paulo ficou ainda mais carente de qualidade e aproximação no meio-campo, principalmente depois que Everton saiu. O estreante, esse sim, uma ótima contratação da diretoria, obviamente sentiu falta de conhecer melhor os companheiros, mas mostrou num chute no primeiro tempo e num cruzamento no segundo ter mais qualidade e compreensão do jogo do que a maioria de seus companheiros.
O empate sem gols teve como destaques a boa defesa de Sidão, no fim, e a atuação segura da dupla Arboleda e Rodrigo Caio.
Após dois confrontos equilibrados contra Paraná e Ceará, times que, ao que tudo indica, brigarão na parte de baixo da tabela. Neste momento, parece ser a realidade de um São Paulo que até tenta jogar como grande, mas não tem tantos jogadores que permitam isso.
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