O clichê de que um novo técnico deixa todos os jogadores motivados a buscar espaço no time se aplica ao São Paulo, mas de uma maneira mais acentuada. Diego Aguirre é adepto da filosofia de rodar o elenco para dar minutos de jogo aos atletas.
Ele certamente vai fazer mudanças ao lado do interino André Jardine no time que enfrenta o CRB, nesta quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), no estádio Rei Pelé, em Maceió. O uruguaio espera o visto de trabalho e desembarca pela tarde na capital alagoana, onde Jardine ficará no banco de reservas. O uruguaio vai ver o jogo no estádio.
É a partida de volta da terceira fase da Copa do Brasil – no primeiro jogo, vitória são-paulina por 2 a 0. Éder Militão e Cueva, poupados contra o RB Brasil, estão de volta e serão titulares.
Além disso, Anderson Martins retorna após sete jogos, e Jucilei também está liberado, depois de desfalcar o time por cinco partidas com uma contratura no posterior da coxa direita. Os dois poderão atuar. Por fim, Valdívia, Marcos Guilherme e Tréllez têm chances de iniciar.
As trocas na equipe foram vistas logo de cara na vitória por 3 a 1 sobre o RB Brasil, no domingo, sob o comando de Jardine e diante dos olhos de Aguirre nas tribunas do Morumbi.
No total foram oito mudanças na equipe em relação ao time que perdeu por 2 a 0 para o Palmeiras, no último jogo de Dorival Júnior, demitido na sexta-feira. Mas há um contexto: o Tricolor estava garantido no mata-mata do Paulistão e por isso pôde trocar atletas.
Aguirre participou da montagem do time e sugeriu que atletas como Rodrigo Caio fossem poupados. Ele também pediu para ver Caique como titular, além de Diego Souza e Tréllez juntos.
Veja as oito mudanças nas duas escalações:
Contra o Palmeiras: Jean; Éder Militão, Rodrigo Caio, Arboleda e Edimar; Hudson, Petros e Cueva; Marcos Guilherme, Brenner e Valdívia.
Contra o RB Brasil: Jean; Bruno, Arboleda, Aderllan e Júnior Tavares; Pedro, Petros, Nenê e Diego Souza; Caique e Tréllez.
Com exceção de Edimar (lesão), todas as outras trocas foram opções da comissão (por questões técnicas, físicas e táticas). Caique e Tréllez foram titulares pela primeira vez no ano. Diego Souza, sequer usado entre os 14 atletas que entraram em campo no Choque-Rei, voltou a iniciar um jogo.
Aguirre não vê meios de ter a intensidade necessária sem trocar atletas no futebol brasileiro, com média de 60 a 70 jogos por temporada e viagens constantes em um país com dimensão continental.
Além de o uruguaio preferir rodar o elenco, Jardine conhece bem os garotos da base – aproximadamente metade do plantel profissional tem passagem por Cotia. Isso torna a rotatividade e a estreia de novos atletas ainda mais possível, como ocorreu com Liziero diante do RB Brasil – as lesões de Reinaldo e Edimar motivaram a promoção do garoto, que, por fim, jogou como volante.
Na sua apresentação, Aguirre deixou claro que se for necessário vai priorizar clássicos e jogos considerados mais importantes. A partir de agora, o São Paulo terá uma sequência de partidas decisivas no Paulistão (quartas de final contra o São Caetano) e na Copa do Brasil (encara nesta quarta o CRB).
– É assim, um rodízio. Temos várias decisões: quarta e domingo. Precisamos de todos bem e à disposição. Isso é importante e deixa o jogador mais preparado. Quem entra sabe que ao decorrer do jogo vai ter espaço. Ficamos felizes. Mostra que confia em todos e que quer colocar todos para jogar – disse Rodrigo Caio, um dos poupados.
Ou seja, embora o momento seja o mais decisivo do primeiro semestre, não será surpresa se caras novas cada vez mais aparecerem no time do São Paulo.