Mais uma rodada do Campeonato Paulista, e uma grande chance que o São Paulo não soube aproveitar para sua reabilitação com o bom futebol e em principal com a torcida. Vamos entender como funcionou o sistema de jogo do tricolor no empate de 0x0 contra a Ferroviária.
1º Tempo
Houve duas mudanças do técnico Dorival Junior, onde entraram no time Valdívia, na vaga de Nenê visando dar mais velocidade e variação de jogadas no ataque e a volta de Petros que estava suspenso. Este último fez a dupla de volantes com o Hudson que por consequência de uma lesão do Jucilei, entrou novamente como titular.
Mas mesmo com as mudanças de peças, a formação do time continuou a mesma apresentada nas últimas partidas.

Formação Inicial do São Paulo para enfrentar a Ferroviária.
Isso não significa que a formação 4-3-3 não deva ser utilizada, muito pelo contrário, como exemplo, hoje, a maioria dos grandes clubes europeus jogam nesse padrão de formação tática. Mas no caso do São Paulo, esperava-se alguma mudança, levando em conta que os 2 últimos adversários (Santos e Ituano), souberam se aproveitar de falhas pontuais do São Paulo nessa formação.
Durante os dias de preparação para a partida contra a Ferroviária, ficou um sentimento de “Blefe” por parte do São Paulo, quanto à formação tática que seria utilizada. “Blefe” que não foi levado em conta pelo treinador PC da Ferroviária.
O time de Araraquara, veio enfrentar o São Paulo inclusive com a mesma formação
4-3-3. Mas com o passar dessa análise, vamos apresentar algo que o São Paulo deveria e deve fazer independente da formação tática adotada pelo seu treinador, na qual a Ferroviária fez, dificultando em parte mais um sucesso tricolor em armações e conclusões de jogadas ao ataque.
No início do jogo, mais especificamente nos 15 primeiros minutos da partida, o São Paulo conseguiu impor um jogo de bons passes, transições ao ataque muito rápidas, porém sempre tentando uma infiltração na área adversária, com o Marcos Guilherme e Cueva. Principalmente tentando muitas dessas infiltrações por parte do Cueva.
Todas essas tentativas aparentavam em determinado momento ter uma conclusão positiva ao São Paulo. Méritos também ao Valdívia, que conseguiu adicionar mais velocidade nessas infiltrações. Mas a grande oportunidade nessas jogadas veio o Marcos Guilherme que encontrou espaço na defesa adversária para a infiltração de Cueva que realizou uma boa finalização, mas o goleiro Tadeu da Ferroviária acabou impedindo o que poderia ser o primeiro gol tricolor na partida.

Lance onde Marcos Guilherme lança Cueva livre entre os defensores da Ferroviária
A partir desse momento, logo no minuto seguinte, a Ferroviária se fecha mais ainda como os demais adversários do São Paulo fizeram nas partidas anteriores.
Mas aí vem aquilo que citamos no começo da análise desse jogo, que destacaríamos uma situação em que o São Paulo atualmente não utiliza em sua formação, e na qual a Ferroviária fez muito bem durante quase toda a partida. Veja a imagem:

Lembra-se que a Ferroviária começou jogando na formação semelhante do São Paulo? 4-3-3.
Pois bem, vendo que o São Paulo estava quase conseguindo marcar o gol com as rápidas infiltrações pelas laterais, o time da Ferroviária aplicou uma Variação de Formação, onde o objetivo é confundir principalmente a marcação adversária, e no caso dessa variação, como as equipes anteriores, popularam a linha de meio do São Paulo, obrigado o tricolor a fazer uma rotatividade nos passes buscando espaços livres. Isso quando o São Paulo estava próximo à grande área adversária. Adotaram a variação com a formação 4-4-2 sendo que o meio campista da Ferroviária poderia flutuar à frente da linha que antecedia a linha de defesa. E ficava somente o atacante livre para tentar um contra-ataque rápido.
Quando o tricolor vinha realizando sua transição ofensiva, partindo da defesa, houve outra variação do adversário, dessa vez com um 4-5-1, onde esse meia que citamos anteriormente, terminava por completar a linha do meio que vinha acompanhando a movimentação são paulina ao ataque.

Linha de 5 jogadores da Ferroviária acompanhando a movimentação ao ataque do São Paulo.
Por outro lado, temos que destacar que o setor defensivo do São Paulo trabalhou bem nessa partida, quanto à questão de posicionamento e estratégia de marcação. Veja:

As linhas tricolores se mantinham intactas disciplinarmente na formação proposta, sendo que apenas a linha de ataque realizava a flutuação de acordo com o movimento adversário, havia troca de posições entre o Valdívia e um dos Volantes sendo que o Cueva ficava mais centralizado.
Não foi possível realizar uma análise quanto a ações mais “agressivas” da defesa tricolor, pois a mesma conseguia marcar e em muitas vezes roubar a bola da Ferroviária que não estava com suas linhas compactas para a realização dos passes rápidos.
Dessa forma, o jogo foi entre os 20 aos 24 minutos, apenas na base de tentativas de transições ofensivas, principalmente pelo São Paulo, mas quase que sempre acabavam em roubadas de bola ou bola jogada para fora, lateral ou tiro de meta. Até que aos 24 minutos, houve uma boa “descida” do São Paulo ao ataque onde houve uma falta muito bem cobrada pelo Diego Souza, mas defendida pelo bom goleiro Tadeu.

A partir daí, o São Paulo não conseguia mais encontrar os espaços entre as linhas de defesa da Ferroviária, e vale destacar que diferente do Santos e Ituano, havia em muitos momentos do jogo, espaços que a Ferroviária cedia para a infiltração de jogadores do São Paulo. Mas mesmo assim o tricolor não soube aproveitar.
O São Paulo normalmente busca passes em profundidade para quebrar a linha de defesa adversária. E se em alguns momentos do jogo fossem feitas tabelas rápidas e infiltrações de elementos “surpresa”. Veja o exemplo:

Mas como por algum motivo, os jogadores não encontravam esse espaço, até o final do primeiro tempo, a bola era sempre tocada para trás para que a jogada começasse novamente.
2º Tempo
Antes de mostrar o que foi mais relevante no 2º tempo do jogo, vamos ver como ficou a formação do São Paulo com as substituições realizadas pelo Dorival Junior. Note que apenas peças foram mudadas novamente.

No segundo tempo, mais uma vez destacaram-se Cueva e Valdívia, que a todo momento buscavam jogadas de transições e tabelas rápidas, em sua maioria sem sucesso. Segue dois bons lances de infiltração dos dois jogadores do tricolor, mas que por outro lado as linhas não conseguiam impor a mesma velocidade rumo ao ataque.

Excelente infiltração do Valdívia na área adversária logo no começo do 2ºtempo

Boa infiltração do Cueva aos 8mins do 2º tempo. Ele finalizou mas o goleiro espalmou.
A partir daí, houveram as mudanças realizadas pelo técnico Dorival Júnior onde Tréllez mais uma vez teve uma participação modesta, Nenê até esboçou algumas boas jogadas mas não teve êxito na maioria, uma vez que as linhas ofensivas do São Paulo estavam paradas e poucos jogadores se movimentavam visando uma infiltração, tal como o Cueva e Valdívia. Mais uma vez também, não houve chutes de fora da área como tentativas de surpreender o goleiro Tadeu da Ferroviária.
Paulinho, da Base tricolor, teve sua oportunidade, e mesmo com o placar ruim para o São Paulo, aparentou ter bastante velocidade, habilidade e visão de jogo. O garoto se apresentou bem em muitas movimentações ofensivas, principalmente pelas laterais. Mas no caso dele, somente um número maior de atuações poderá mostrar ao torcedor tricolor suas reais qualidades. Mas para o início, podemos considerar como promissor.
A formação tática do time foi mantida como nas últimas partidas, mas não houve mudanças de movimentações e nem variações para surpreender o adversário. Com isso a Ferroviária foi segurando o jogo até conseguir 1 valioso ponto no Morumbi.
Dessa forma, mais uma vez o São Paulo sai com um placar que não agrada sua torcida.
Análises Individuais
- Sidão: foi pouco acionado durante a partida. Fez apenas uma defesa em uma falta cobrada pela Ferroviária.
- Militão: fez uma falta desnecessária levando um amarelo, mas mesmo assim cumpriu bem o seu papel na defesa.
- Rodrigo Caio: fez uma partida segura e também não foi tão exigido taticamente.
- Arboleda: também com uma partida segura, aos poucos vai retomando seu espaço no elenco.
- Edimar: substituiu Reinaldo que estava suspenso. Defensivamente atuou bem, mas não consegue prestar o devido apoio ao ataque comparado com o Reinaldo.
- Petros: fez uma partida regular defensivamente. Buscou criar muitas jogadas de apoio aos meias.
- Hudson: realizava troca de posições principalmente com o Valdívia, mas no segundo tempo ficou mais recuado para defender.
- Cueva: jogou e se apresentou bem no ataque, teve oportunidades de finalização mas em duas delas, parou no goleiro da Ferroviária que fez boas defesas.
- Valdívia: impôs mais velocidade para o ataque do São Paulo, mas o jogador não encontrava opções para passar mesmo com a transição rápida. Mas está se destacando meio á dificuldade de reação do time.
- Marcos Guilherme: se aplica a mesma opinião do Valdívia, porém errou alguns passes que poderiam comprometer o sistema defensivo, sofrendo um contra-ataque adversário.
- Diego Souza: se movimentou no ataque, mas não conseguiu encontrar espaço entre os marcadores. Destaque para a boa cobrança de falta no primeiro tempo.
- Tréllez: fez uma partida modesta e ainda perdeu uma chance praticamente cara a cara com o goleiro adversário. Talvez falte mais apoio dos meias para o atacante.
- Nenê: buscou realizar jogadas por cima da linha defensiva da Ferroviária. Também perdeu uma boa oportunidade de gol no segundo tempo.
- Paulinho: entrou bem no jogo, se movimentou bastante e oferecia certo perigo no flanco defensivo da Ferroviária, mas também não tinha opções para realizar jogadas coletivas.
- Dorival Junior: mais uma vez o técnico não teve êxito na formação 4-3-3 onde ele imaginava que conseguiria o placar positivo aplicando mais agressividade na movimentação ofensiva do São Paulo. Mas a falta de opções de variação de jogo fez com que o seu trabalho diante dos adversários anteriores se repetisse.