Em maio do ano passado o Atlético-MG anunciava a contratação de Valdívia. O meia revelado pelo Internacional foi alvo de vários clubes, mas o Galo venceu a concorrência e ficou com o jogador. Motivo de euforia para a direção atleticana, que enxergava no atleta uma grande oportunidade de mercado. Porém, Valdívia não correspondeu em campo a toda a expectativa criada quando chegou à Cidade do Galo. E faltando menos de quatro meses para o término do contrato, o jogador está liberado pelo Atlético e deve ser anunciado como reforço do São Paulo nas próximas horas.
A passagem de Valdívia por Minas Gerais não durou um ano. E alguns fatores foram determinantes para o jogador não repetisse com a camisa alvinegra os bons momentos que apresentou no Internacional, principalmente antes da lesão no joelho esquerdo, que aconteceu em novembro de 2015.
Aliás, de Porto Alegre, Valdívia trouxe apenas o gosto por brincadeiras e a descontração durante as entrevistas. Algo que mostrou logo na chegada, ao ser perguntado em qual posição atuaria no Atlético. "Quero jogar na frente. Esquerda, direita ou meio. O Roger pediu para que eu mostrasse no quadro em que posição jogaria. Perguntei quem jogava na esquerda e falaram que era o Robinho. Eu disse que queria jogar na direita", brincou o jogador, que teve momentos melhores nas entrevistas do que dentro de campo.
Libertadores para Valdívia durou apenas 90 minutos

Valdívia chegou em BH usando camisa que destacava participação do Atlético-MG na Libertadores de 2017
Valdívia desembarcou em Belo Horizonte na noite de 28 de maio de 2017. A foto do jogador rapidamente viralizou em grupos de Whatsapp. O novo reforço atleticano chegou à capital mineira vestindo uma camisa com o escudo do Atlético e a frase "Libertadores eu vou". Ir bem na principal competição de clubes do continente era uma das metas do Galo no ano passado. Como Valdívia chegou durante a disputa da fase de grupos, ele foi inscrito para as oitavas de final.
E a participação na Libertadores durou apenas uma fase, com 90 minutos em campo nos dois confrontos com o Jorge Wilstermann. Sempre saindo do banco de reservas, após o intervalo, Valdívia entrou nos lugares de Robinho, no confronto na Bolívia, e de Adilson, na partida disputada no Mineirão. E nas duas ocasiões o meia pouco ajudou o Galo, que foi eliminado pelo rival boliviano.
Três treinadores em poucos meses de clube
A presença de Roger Machado no comando técnico do Atlético foi determinante para a chegada de Valdívia. Rivais no Rio Grande do Sul, o treinador ex-Grêmio pediu a contratação do meia colorado. Com a chegada de Valdívia, Roger projetava mais uma opção para atuar pelos lados do campo, capaz de melhorar o passe da equipe e dar mais velocidade ao Atlético, que sofria bastante por ter um time mais lento.
No entanto, menos de dois meses após Valdívia ser contratado, Roger Machado foi demitido. O Atlético contratou Rogério Micale, que teve passagem relâmpago pela Cidade do Galo, até ser substituído por Oswaldo de Oliveira.
Com certeza as mudanças na maneira de o Atlético jogar, a cada troca no comando técnico, também contribuíram para que Valdívia tivesse uma passagem apagada pelo clube. A expectativa que existia quando chegou, em maio, deu lugar à frustração. Apesar de terminar a temporada 2017 como titular, mais pelo momento ruim de alguns companheiros, o camisa 20 jamais conseguiu cair nas graças da torcida.
Números comprovam desempenho ruim

Cena comum de Valdívia no Atlético. Em 33 partidas, em apenas cinco ele atuou o tempo todo
A saída de Valdívia é tratada pelo Atlético como um alivio. O clube não vai recuperar o valor investido para contratado o jogador, mas vai conseguir economizar mais de R$ 1 milhão com a liberação do meia para o São Paulo. Os números de Valdívia em campo só reforçam como a passagem pela Cidade do Galo pode ser classificada como um fiasco.
No total foram 33 partidas, sendo 24 como titular. Porém, Valdívia ficou em campo os 90 minutos em apenas cinco oportunidades. Em 19 vezes o meia foi substituído. O camisa 20 deixa o clube com apenas dois gols e duas assistências.
Jovens foram promovidos e ganharam a preferência
O Atlético fez um grande esforço para contratação Valdívia. Quando o jogador deixou claro que a vontade era não seguir no Internacional, várias equipes tentaram o empréstimo do meia. Para superar a concorrência, o Galo topou pagar cerca de R$ 2 milhões pelo acordo de um ano, fora os salários do atleta.
Sem convencer em 2017, Valdívia ganhou chances no começo desta temporada. O camisa 20 foi titular nos duelos com Boa Esporte e Villa Nova, pelo Campeonato Mineiros. Partidas em que o técnico Oswaldo de Oliveira usou uma equipe alternativa, para dar maior tempo de treinamento para os titulares. Mas, assim como em outras vezes, Valdívia decepcionou.
Neste começo de temporada, o Atlético promoveu alguns jovens jogadores da base. Bruno Roberto e Marco Túlio são dois meias que chegaram recentemente ao elenco principal e logo ganharam o lugar que seria de Valdívia. O duelo com o Patrocinense, o último com o meia à disposição de Oswaldo é o melhor exemplo. Os dois garotos foram para o banco de reservas e até entraram nos minutos finais, enquanto Valdívia sequer foi relacionado.