A tabela da fase inicial da Copa do Brasil presenteia os times grandes: adversários muito fracos, a vantagem do empate e, no caso do São Paulo diante do Madureira, o bônus de jogar "em casa" sendo visitante, já que a partida foi em Londrina, bem longe do bairro carioca eternizado pelo sambista Arlindo Cruz na clássica "Meu Lugar", e num estádio cheio de são-paulinos.
E mesmo com todo esse combo, o Tricolor paulista se igualou ao baixíssimo nível do pior time da atual edição do Campeonato Carioca na vitória por 1 a 0. "Tem mil coisas pra gente dizer". Destacam-se a preguiça de quem sabia que dificilmente perderia a vaga, sobretudo após o gol de Brenner, e a falta de qualidade no meio-campo. Isso tudo reduziu o abismo que o papel sugeria entre as equipes.
Diante de um adversário retraído, o São Paulo começou com uma saída de bola um pouco diferente. Em vez de Jucilei em meio aos zagueiros com os laterais abertos, o volante – com a faixa de capitão por causa da ausência de Petros – espetou para fazer volume no meio-campo e deixou que Militão formasse linha com Rodrigo Caio e Anderson Martins nessa primeira movimentação.
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São Paulo começa as jogadas com Militão próximo aos zagueiros e Jucilei adiantado (Foto: Reprodução)
Uma tendência da versão 2018 são os pontas bem abertos, uma tentativa de amplitude, palavrinha que vira e mexe aparece na boca de técnicos e bons analistas do jogo. Na imagem abaixo, Marcos Guilherme e Brenner aumentam a largura do campo para espalhar os marcadores do Madureira e criar espaços para que o time tenha o que fazer com a posse de bola.
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Pontas abertos dão amplitude ao São Paulo e tentam abrir defesa do Madureira (Foto: Reprodução)
No lado direito, com Militão e Marcos Guilherme, é "uma ginga em cada andar". O atacante arrancou e cruzou para Brenner, num movimento semelhante ao que tinha feito ao marcar contra o Corinthians no fim de semana, fazer o gol da vitória.
Daí para frente, o time que tentava se impor com um posicionamento adiantado expôs todas as suas fragilidades. Dorival Júnior e a diretoria querem pontas, mas o São Paulo carece demais de qualidade no meio-campo. Sem Petros, que está longe de ser um armador brilhante, Araruna e Shaylon erraram demais, não houve aproximação. A moleza foi contagiando o setor.
O Madureira, "cercado de luta e suor", teve chances de empatar, principalmente na etapa final, quando o São Paulo também perdeu oportunidades com Diego Souza (no goleiro Douglas), Brenner (para fora) e Bissoli (na trave), além de ter tido um pênalti negado pelo árbitro Rafael Traci quando o lateral-direito Felipe Formiga desviou com a mão um chute de Marcos Guilherme.
"O difícil é saber teminar"...
As substituições de Dorival Júnior visaram preservar fisicamente alguns jogadores num frenético início de temporada, argumento justo. Mas, de repente, o São Paulo se viu em campo com Shaylon, Lucas Fernandes, Paulinho e Bissoli. Todos juntos descaracterizaram ainda mais o setor ofensivo.
O banco de reservas oferece poucas alternativas. Nenê, Tréllez e, talvez, Cueva podem entregar mais malandragem, mas, mesmo com eles, faltarão outros aspectos importantes, como velocidade.
Dorival, jogadores e dirigentes espalham pedidos de paciência a uma torcida que comemorou um mísero título nos últimos nove anos, e atura desempenhos pífios contra os rivais. Paciência é tudo que eles não têm mais. O São Paulo "tem seus mitos e seres de luz", mas seus fãs precisam de alguma razão para ter "esperança num mundo melhor e cerveja pra comemorar".