Caso Cueva: irritação, surpresa e críticas internas no São Paulo

Postura do peruano é condenada no clube; postagem (depois apagada) causa mal-estar

Fonte Globo Esporte
Atitude e postura de Cueva são reprovadas internamente no São Paulo (Foto: Érico Leonan / saopaulofc.net)
O atrito entre São Paulo e Cueva aumentou depois que o clube recusou uma proposta do Al-Hilal, da Arábia Saudita pelo meia peruano.

Desde que o Tricolor divulgou a informação de que Cueva estava fora do duelo com o Mirassol, nesta quarta-feira, às 21h45, o GloboEsporte.com apurou os bastidores do caso e conta abaixo consequências e fatos anteriores ao episódio da última terça-feira.
Irritação
Nos bastidores do São Paulo, a informação é de que Cueva se irritou por ter ficado no banco de reservas contra o Novorizontino. Mesmo depois de se apresentar com seis dias de atraso e consequentemente receber uma multa.
Ele entrou aos 21 minutos do segundo tempo, no lugar de Brenner, e não conseguiu evitar o empate sem gols no Morumbi.
Há relatos de que antes mesmo da proposta do Al-Hilal ser confirmada o peruano pedia para sair. O Tricolor, no entanto, não quer negociá-lo e argumenta com o próprio Cueva que a disputa da Copa do Mundo na Rússia, com a seleção peruana, vai valorizá-lo. O clube também diz nos bastidores que nem todas as especulações levantadas pelo meia podem ser levadas a sério.
Vale lembrar: no planejamento inicial, o peruano não jogaria agora. Como Cueva começou a treinar depois de todo o grupo, o clube iria segurá-lo até que ele completasse a carga de atividades e se igualasse ao restante do elenco.
Mas por uma troca na data do jogo do Bragantino, originalmente marcado para o dia 10 de fevereiro e antecipado para o dia 7 do mesmo mês, o Tricolor mudou o planejamento. O São Paulo ganhou semana livre entre o duelo com o Bragantino e o Ituano (dia 15 de fevereiro), e por isso decidiu antecipar o uso do meia agora, que seria recompensado com um descanso futuro.
Mimado
Esse é o termo usado internamente para classificar Cueva. Em publicação (posteriormente apagada) para dar sua versão do caso, o peruano disse:
– (...) esperava começar jogando amanhã (quarta-feira) para estar bem de ritmo e fisicamente para o jogo contra o Corinthians, porém por opção da comissão técnica eu ia no banco de reservas, então me pareceu que não sou importante para o time , e pedir para não viajar e analisar as propostas que chegaram para mim. Estou à disposição sempre para ajudar esse grande clube, jogando".
Na avaliação do São Paulo, o posicionamento do jogador, fortemente repreendido por torcedores, corrobora a ideia de que Cueva só aceita fazer parte do grupo para ser titular. Ou seja, a ideia é de que falta senso coletivo ao peruano.
Surpresa
O Tricolor considera a postura de Cueva ruim. O peruano é visto como uma pessoa difícil de ser administrada.
A declaração do jogador por meio da sua rede social gerou mal-estar interno e surpresa. Antes de publicar sua versão do caso, o peruano disse a funcionários do São Paulo que não estava contente com a diretoria e por isso não iria viajar com o time para enfrentar o Mirassol.
As palavras usadas por Cueva na publicação, algumas delas direcionadas para a comissão técnica e citando sua condição de reserva, caíram muito mal no São Paulo. Mas não houve um movimento ou pedido do clube para que o jogador apagasse o texto.
A ideia com a publicação era dar uma resposta às palavras do executivo de futebol Raí, que disse o seguinte ao site oficial do Tricolor:
– O Cueva nos pediu para não participar do jogo e nós avaliamos que ele não está plenamente comprometido com a agenda do clube neste momento. Assim, decidimos não levá-lo com a delegação para Mirassol. Nós lamentamos essa situação e estamos trabalhando para tê-lo apto física e mentalmente e à disposição para voltar a contribuir com o São Paulo o mais rápido possível. O São Paulo não abre mão do jogador neste momento.

Presidente Leco e Raí não querem vender Cueva (Foto: Marcelo Hazan)
Sem venda neste momento
O São Paulo não tem interesse em negociar Cueva neste momento. A oferta do Al-Hilal recusada era de 7 milhões de euros (R$27,8 milhões), com uma promessa verbal de que poderia chegar a 8 milhões de euros (R$ 31,8 milhões). O Tricolor respondeu que não seria necessário aumentar para esse montante, pois não vai vendê-lo.
Além de não querer a saída do peruano, o Tricolor não sente segurança em fazer negócio com o clube árabe, pois não vê no Al-Hilal um histórico confiável no mercado de transferências.
O São Paulo também acredita que Cueva tem valor de mercado maior do que o oferecido agora e também importância técnica para o time.
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