Antes a bola rolar, a ideia das duas equipes parecia clara. O São Paulo, time que toca muito a bola e mandante da partida, deveria ser o time envolvente e de maior posse de bola. Do outro lado do clássico, o Santos, time que tem assumido uma postura muito mais reativa – de contra-ataque – deveria ser o time de linhas defensivas mais rígidas e atenção voltada para o contra-ataque.
Com Jucilei mais protetor; Petros marcando e saindo pela direita; Hernanes com as mesmas funções pela esquerda, Cueva e Marcos Guilherme com mais liberdade, o São Paulo envolveu o meio campo santista e chegou aos gols.
Levir optou por abrir Alison pela direita e centralizar Matheus Jesus e Renato. Lucas Lima, Bruno Henrique e Ricardo Oliveira mais adiantados. Alison chegou várias vezes a jogar de costas como uma opção ofensiva pela direita.
Os dois gols, marcados por Marcos Guilherme e Cueva, tiveram a especial participação de Hernanes. É incrível o que tem jogado o camisa 15. No primeiro gol, vendo a velocidade de Marcos Guilherme, Hernanes fez lançamento que encontrou o baixinho em situação muito clara de gol e ele não perdeu.
O segundo, fruto de jogada bem trabalhada, Hernanes viu Cueva livre e o peruano marcou.
Uma mexida providencial de Levir Culpi recolocou o Santos em jogo. Matheus Jesus passou a usar o corredor pela direita e Alison voltou a ser o volante ao lado de Renato.
Alison, apanhando rebote ofensivo, bateu para o gol e diminuiu.
O fim do primeiro tempo mostrou o Santos, surpreendentemente com mais posse de bola e mais passes trocados. O São Paulo finalizou seis vezes contra cinco do Santos.
O São Paulo foi melhor por mais tempo, mas o Santos, perto do fim da primeira etapa entrou na partida.
O normal para o segundo tempo seria o Santos continuar na mesma toada e o São Paulo, time mais pressionado, tendo dificuldades. No entanto, o Santos novamente foi envolvido.
Hernanes, nome do jogo, ficou mais recuado na segunda etapa e Cueva teve que lutar muito para jogar, mas o Santos também não jogava.
Levir não pode contar com qualquer inspiração de Lucas Lima. O camisa 10 correu, mas pouco criou. Não achou espaço para jogar e pouco incomodou a defesa do São Paulo.
Se Levir ajudou a mudar o primeiro tempo, a mexida no segundo fez o time se perder em campo. É certo que Matheus Jesus já havia recebido o amarelo, mas a saída dele para a entrada de Kayke transformou o Santos em duas turmas: a do ataque e a da defesa.
Sem criação e sem meio, o Santos vivia de bons momentos da dupla de zaga e de Bruno Henrique tentando puxar as jogadas de ataque apenas com o seu talento.
O São Paulo criou mais e mereceu a vitória no clássico.
O caminho que parecia longo para escapar da zona de rebaixamento já se mostra menos complicado. O caminho do Santos era outro, mas o time dá todos os indícios de que falta força e mais plano de jogo.