Na tentativa de manter o São Paulo na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, Dorival Júnior tem aberto mão de preferências. Conhecido por investir em jovens e velocidade, o técnico fez duas alterações na rodada passada que deixaram a equipe mais lenta e 19 anos mais velha.
Essas mudanças serão mantidas para o clássico deste sábado, contra o Santos, justamente o rival onde ele, Dorival, fincou suas características com formações marcantes.
Entre a derrota para o Fluminense e a vitória sobre o Flamengo, saíram o lateral-esquerdo Júnior Tavares, de 21 anos, e o meia Lucas Fernandes, de 20, ambos promovidos das categorias de base. Entraram Edimar, 31 anos, e Jucilei, 29, contratados no primeiro semestre.
Ações emergenciais para tentar evitar a repetição de erros e pôr fim à oscilação que impede o São Paulo de vencer duas partidas consecutivas. O jogo contra o Fluminense virou antiexemplo, traduz exatamente o que não deve ser feito. Nele, Júnior Tavares cometeu pênalti inexplicável ao colocar a mão na bola, e Lucas Fernandes saiu no intervalo, depois de, novamente, não conseguir produzir.
Fosse janeiro, ou estivesse a equipe numa situação mais confortável, Dorival provavelmente insistiria na dupla, em quem reconhece talento. Mas precisando ganhar 10 pontos nas oito rodadas seguintes para afastar qualquer risco de rebaixamento, a solução foi escalar Edimar, um lateral de poucos recursos ofensivos, mas que oferece mais segurança, e Jucilei, experiente e acostumado a momentos decisivos, e também responsável por encorpar o meio-campo.
Dorival havia aberto mão do triângulo formado por Jucilei, Petros e Hernanes. Na visão dele, embora reconheça a qualidade individual do trio, juntá-los significava ter um setor mais pesado. A boa atuação diante do Flamengo referendou a permanência dessa formação.
Embora o talento de Hernanes e Cueva permita a eles fazerem o time andar, não se trata exatamente de jogadores de velocidade. O único titular de maior leveza é Marcos Guilherme, que, na vitória do domingo passado, dedicou-se mais à marcação do lado direito de ataque do Flamengo do que propriamente a lances ofensivos. Foi importantíssimo.
Não é à toa que o São Paulo mostra interesse em Carlos Eduardo, atacante do Goiás. Caso permaneça em 2018, Dorival Júnior terá mais tempo para preparar um time que tenha mais a sua cara. Mais jovem e mais veloz. Por enquanto, a meta é apenas permanecer na Série A.