O acervo do Memorial Rogério Ceni, centro de memória do ídolo do São Paulo localizado em Sinop (MT), cidade onde começou a carreira, está desatualizado. Não existem dados sobre a passagem de Ceni como treinador do clube do Morumbi, entre janeiro e julho deste ano. A demissão na última segunda-feira, menos de sete meses depois de assumir o cargo, coloca em dúvida a atualização dos arquivos. No museu, Ceni permanece como um dos jogadores mais importantes da história do São Paulo e filho ilustre de Sinop, mas não há registro de sua nova função como técnico de futebol.
O memorial está localizado na entrada do estádio Gigante do Norte, onde ele iniciou a sua carreira como jogador. A cidade está distante 500 quilômetros de Cuiabá, a capital do Mato Grosso. Embora seja mantido pela família do jogador, é vinculado à Secretaria Educação, Esportes e Cultura de Sinop. Isso cria uma indefinição sobre a manutenção do museu. Os funcionários da secretaria cuidam da visitação, mas não cuidam das peças.
"O acervo precisa de atualização. Ele não traz os feitos mais recentes, mas não está definido quem vai fazer essa renovação", explicou Miguel Guedes, coordenador de Esportes da Secretaria de Educação, Esportes e Cultura de Sinop.
O museu não tem controle de visitantes e, por isso, não é possível definir a frequência de consulta. Dados de 2015 registravam 2,3 mil visitas desde a inauguração, em 2010. De acordo com os funcionários, poucas pessoas passam por ali, apenas nos dias de jogos do Sinop pela Série D do Campeonato Brasileiro. A maioria dos visitantes vem de cidades vizinhas.
Para a equipe da secretaria, a queda precoce de Rogério Ceni do cargo de técnico do São Paulo não vai diminuir a importância do local. "A demissão não interfere no que ele fez como jogador. Isso já está na história do clube e também na memória da cidade", afirmou Miguel Guedes.
A maior parte do acervo que está na galeria foi cedida por Rogério Ceni. Estão no memorial camisas da seleção brasileira e do São Paulo, registros do início da carreira no Sinop, que foi três vezes campeão mato-grossense. A passagem pelo São Paulo, onde conquistou o tricampeonato da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes, entre outros títulos, tem espaço nobre. Estão lá a chuteira que Ceni utilizou no Brasileirão de 2010, luvas autografadas e uma das Bolas de Prata que conquistou como melhor jogador do Campeonato Brasileiro.
Apesar de ter nascido em Pato Branco (PR), Rogério Ceni se mudou ainda criança para Sinop, onde começou a carreira. Pelo time local, foi campeão estadual em 1990. No mesmo ano, foi aprovado nas categorias de base do São Paulo, onde ficou até se aposentar como jogador, no fim de 2015. A passagem como treinador do clube do Morumbi durou menos de sete meses.
Em virtude de sua identificação com o São Paulo, o futuro de Rogério Ceni como treinador ficou indefinido, na visão dos amigos de Sinop. A maioria acredita que ele não vai treinar outro clube, mas não descarta que ele volte a treinar o próprio time tricolor paulista.