Nem o grande apelo que o ex-goleiro tem com a torcida são-paulina, foi suficiente para manter o trabalho recém-iniciado, pois os resultados obtidos não foram os esperados. Sua proposta era de montar um time leve, seguro e ofensivo. Ele até conseguiu isto, mas a equipe passou a mostrar fragilidades defensivas importantes, que prejudicaram o rendimento da equipe.
O fato é que, perder muitas peças importantes do elenco atrapalhou sensivelmente o planejamento inicial. Além disso, implantar nova filosofia de jogo, diferente daquelas que a maioria dos clubes brasileiros estão acostumados, demanda tempo e necessita de muito treinamento para dar os resultados expressivos.
É natural que a equipe demorasse em adquirir o padrão de jogo idealizado pela comissão técnica. Mas, o momento do clube no calendário de competições nacionais e internacionais exigia melhor desempenho. Três eliminações consecutivas e a piora na tabela de classificação do campeonato nacional foram decisivas para que a diretoria fosse mais criteriosa ao analisar a situação.
Maus resultados influenciam diretamente na dinâmica do clube em termos econômicos. Forma-se um círculo vicioso, no qual a venda de jogadores é uma das principais maneiras que o clube possui para equilibrar suas receitas. Porém, este fato acaba sendo determinante para ocasionar o declínio tático da equipe, que leva a redução de venda de ingressos, pois os jogos deixam de ser atrativos para o torcedor.
Por isso, costuma-se dizer que a cultura do futebol nacional é baseada em resultados e na produtividade aceitável no decorrer das partidas. Acredito que foi o histórico do “mito” e o currículo como goleiro que conseguiram prolongar seu trabalho no São Paulo e gerar a expectativa de que os resultados pudessem aparecer em médio prazo.
Mas, o clima de incerteza não pairava só dentro do campo, o fato de alguns auxiliares técnicos escolhidos por Rogério Ceni serem estrangeiros e, portanto estarem acostumados com outra forma de ver o futebol foi fator complicador na relação entre jogadores e comissão técnica. A adaptação ainda não tinha se completado e o auxiliar técnico inglês, Michael Beale, pediu demissão, provavelmente por ter sentido a pressão do momento delicado que o clube vive.
Este, a meu ver, não era o melhor momento para a troca do comando técnico, pois a equipe terá que reiniciar a adaptação com a filosofia do novo treinador. Mas, creio que o novo comandante não irá alterar radicalmente a estrutura da equipe, pois apesar dos maus resultados o time do São Paulo já mostrou que é capaz de fazer bons jogos com as peças de qualidade que dispõe em seu elenco.
A bola da vez para o comando técnico do São Paulo provavelmente será de Dorival Junior, ex-técnico do Santos, pois as negociações estão avançadas. Dorival que costuma montar equipes leves e ofensivas com transições rápidas de um lado para o outro do campo, a fim de confundir a marcação adversária, terá no São Paulo nomes capazes para suprir este esquema.
No Santos, Dorival priorizva a posse de bola e tinha o setor de criação como um dos principais da equipe, no qual Lucas Lima participava da transição de meio campo para o ataque. No São Paulo, Cueva tem qualidades para fazer essa função. Outro ponto que aproxima Dorival do Morumbi é que suas equipes normalmente possuem segurança defensiva, pois são compactas não proporcionando espaços para os adversários, justamente o que o Tricolor precisa, para melhorar o rendimento.
Acredito que se Dorival Junior for contratado, fará bem ao Tricolor Paulista, pois é um técnico mais experiente e tarimbado e já viveu esta situação em outros times.
A tendência é que o novo técnico deixe a filosofia e o esquema elaborado para quando a crise passar. Neste momento, o melhor será adotar a estratégia de times pequenos, ou seja, jogar fechado aproveitando, ao máximo, os erros do adversário.
Com Dorival Junior ou qualquer outro treinador, o São Paulo precisa voltar a somar pontos para fugir da incômoda zona de rebaixamento.