Os três argumentos são contestáveis.
1) Sete meses atrás, durante a apresentação de Rogério Ceni como técnico, Leco afirmou estar "seguro de que ele [Rogério] está totalmente preparado para essa função";
2) O São Paulo se transformou numa porta giratória constantemente aberta para a entrada e saída de jogadores. Só neste ano saíram 22 jogadores e chegaram 15;
3) O "plano de governo" apresentado por Leco na campanha à reeleição tem um capítulo dedicado ao papel de Rogério Ceni na "reconstrução da identidade do futebol do São Paulo".
Leco deve saber o que faz ao se colocar numa posição de enfrentamento aberto com o sujeito que conquistou incontáveis títulos, anotou 131 gols (sendo goleiro) e tem mais de 900 jogos como capitão do São Paulo. E deve estar preparado para as reações.
No termômetro imperfeito das redes sociais, o presidente do São Paulo apanhou de tricolores e "antis". Os são-paulinos não gostaram de ver seu maior ídolo tratado com desprezo. Os demais se juntaram para defendê-lo, algo que nunca havia acontecido nos 25 anos em que Ceni usou luvas.
Por fim, a entrevista de Leco deixa um recado perigoso para Dorival Júnior ou quem quer que seja o próximo técnico: o presidente não erra, a diretoria não erra, e o culpado pelo fracasso será sempre e unicamente o treinador, ainda que ele seja o maior ídolo da história do São Paulo Futebol Clube.