Ceni, aliás, foi demitido na hora certa: um dia depois de o time entrar na zona de rebaixamento do Brasileirão. Insistir com o seu maior ídolo no comando de uma equipe à beira do pior capítulo da sua história seria correr o risco de ver o Mito virar Mico. Rogério não é mau técnico. É estudioso, competitivo, ousado, determinador, mas... é torcedor.
O envolvimento emocional que Ceni tem com o São Paulo, onde ele passou a maior parte da vida, poderia ser utilizado como trunfo caso o time estivesse bem. Mas, na zona do rebaixamento, é uma bomba relógio. Para ele e para o clube. O São Paulo não é um time acostumado ao Z-4, o que torna a missão de sair de lá ainda mais difícil. E nessas horas é preciso sobriedade. E Ceni não a tem.
Não quando o assunto é o São Paulo. Não quando ele não vê naqueles que estão em campo com a camisa do "seu" Tricolor a mesma gana que ele tinha quando jogador. Colocar um ídolo do porte de Ceni como técnico, com o agravante de ser seu primeiro trabalho na profissão, é arriscado. Poderia ter dado certo? Sim, muito. Mas deu errado. Ainda bem que terminou sem arranhar sua imagem.
Vejam só como a idolatria a Rogério Ceni é algo ímpar e merece ser mantida intacta, mesmo que para isso seja necessário demiti-lo. O técnico deixa o comando do Tricolor sem ter sido chamado de "burro" em coro pela torcida. Qual outro treinador, eliminado de três competições seguidas, foi parar na zona de rebaixamento e passou ileso a esse coro? Nenhum.
Pois então, a demissão de Ceni vai fazer bem ao próprio Ceni. E, mesmo que tenha sido por linhas tortas, fará bem ao São Paulo. O time precisa de um treinador sem o envolvimento de torcedor que o ex-goleiro tem para entender como sair dessa situação. Dorival, no caso, é o melhor nome para esse momento. Já passou por isso antes e tem experiência para dar rumo a esse Tricolor.
E mais: se Dorival Júnior for o escolhido e conseguir fazer do São Paulo uma equipe ofensiva e efetiva como ele fazia com o Santos até pouco tempo atrás, até o torcedor Ceni vai ficar orgulhoso.