Eles (torcida) sempre pegam muito no pé. Eu era um dos únicos que não podia errar hoje, mas fui infeliz no lance. Enquanto eu estiver aqui, eles vão sempre pegar no meu pé. Preciso saber lidar com isso e ser profissional. Mas para a alegria de muitos aí, já, já eu estou indo embora.
Ela foi dita por Lucão, zagueiro do São Paulo, após ser vaiado pela torcida de seu clube no final do jogo contra o Galo, quando um erro grave foi fundamental para a derrota.
A diretoria do São Paulo considerou a entrevista ofensiva ao clube e à torcida e resolveu punir o jogador em 20% dos salários.
Entrevistei Rinaldo Martotrelli, presidente do Sindicato dos Atletas sobre o assunto.
O que o Sindicato pensa sobre o caso?
O ocorrido com o atleta Lucão é um absurdo. A liberdade de expressão de pensamento é direito constitucional.
A lei veda o desconto salarial nesses termos, e nos assusta ver que algumas entidades acreditam ser viável e correta tal postura.
É constitucional um trabalhador ser multado por externar uma opinião?
Esse tipo de desconto afronta o princípio constitucional da Irredutibilidade Salarial do Trabalhador, o empregado não pode ser descontado por expor sua opinião. Assim é inconstitucional a postura do clube.
As leis constitucionais que tratam da relação patrão/trabalhador valem para o futebol?
A Constituição Federal, legislação máxima no nosso país, é cabível a todas as pessoas, independente de qual seja sua profissão.
Vocês consideram que houve alguma ofensa ao clube ou a torcida?
Para o Sindicato, em momento algum o atleta ofendeu o clube, sua torcida ou qualquer coisa que venha a ser alegado pelo clube para embasar sua posição.
O atleta somente externou sua insatisfação com o tratamento dado a este pelos torcedores, que é direito de qualquer trabalhador, não somente atletas, assim como técnicos, diretores e etc.
Alguma atitude será tomada?
O Sindicato de Atletas SP se colocou à disposição do jogador, pois, somente pode atuar em caso de representação direta em casos individuais.