Foi num dia 8 de agosto de 2012 que o São Paulo anunciou a venda de Lucas para o PSG por 43 milhões (R$ 115,3 milhões na época). O atacante só se mudou para a França no fim da temporada e, desde então, o Corinthians trava uma batalha para receber sua fatia da transferência milionária. Hoje, depois de quatro anos e meio, o Timão tem a seu favor até uma decisão da Fifa, mas segue sem receber um valor pouco superior a R$ 1 milhão – que equivale a 275 mil euros.
“A gente não consegue ver esse dinheiro de jeito nenhum”, reclama um dirigente corintiano, pedindo para não ter seu nome revelado. “Quando é o Corinthians que deve, todos caem matando. Mas, quando devem para gente, ninguém fala nada”, acrescenta.
Procurado, o presidente Leco atendeu ao telefone, mas antes de tomar conhecimento do assunto se recusou a falar com o Blog. Um de seus assessores, porém, confirmou a discussão judicial. O Tricolor chegou a lançar em seu último balanço financeiro, de 2016, a cobrança alvinegra no item “Participações de Terceiros em Direitos Econômicos”.
O Corinthians venceu a disputa na Fifa porque conseguiu comprovar que Lucas passou pelas categorias de base do clube antes de chegar ao Morumbi. O Mecanismo de Solidariedade garante aos clubes formadores uma fatia em futuras negociações – o privilégio vale para os times que abrigaram os atletas dos 12 aos 23 anos.
Lucas esteve no Parque São Jorge dos 10 aos 13 anos de idade, quando ainda era conhecido como Marcelinho, por ter sido descoberto em uma escolinha do antigo ídolo alvinegro.
A discussão entre corintianos e são-paulinos não se resume a Lucas. Nos últimos dias, o diretor-executivo de futebol do Tricolor, Vinícius Pinotti, deu uma entrevista para dizer que seu clube vendia muito mais atletas ao exterior do que o rival por sua vocação. O presidente corintiano Roberto Andrade respondeu de maneira irônica, aconselhando Pinotti a se concentrar nas coisas do seu time, que briga na parte de baixo da tabela.