Salim Ali é o torcedor que cobra o São Paulo na Justiça. Não só pelos danos que sofreu, mas principalmente pelos ferimentos causados no filho de 11 anos, com quem ele estava no Morumbi naquela noite. Pede uma indenização de R$ 450 mil.
Pai e filho estavam numa tribuna no anel inferior, localizada na lateral do estádio, numa área VIP e portanto mais cara. Na ação, informam que estavam no local como convidados, mas tinham ingressos. Também relatam todos os acontecimentos após o acidente, o comportamento do São Paulo e e os problemas enfrentados.
Grades corroídas
Ao iniciar a explicação do ocorrido, o torcedor registrou na ação informações publicadas na imprensa com laudo técnico das grades e o motivo da queda (corrosão).
"Segundo Edwar Folli Júnior, perito criminal do setor de engenharia do Instituto de Criminalística de São Paulo, houve falha na instalação dos gradis para cercar os camarotes do estádio do Morumbi", consta em parte do texto que está na ação.
"Sem sombra de dúvidas, o Requerido não cumpriu com o dever de segurança e proteção dos torcedores, mas ao contrário, colocou os em risco de morte, já que as grades de proteção estavam em péssimo estado de conservação. Um verdadeira absurdo!", escreveu a defesa do torcedor na ação movida contra o São Paulo.
Como resultado da queda, Salim Ali alega que teve fraturas nos arcos costais, enquanto o filho dele teve fraturas múltiplas graves na face. Os laudos estão na ação.
Primeiros socorros
Salim Ali relata que após o acidente ele e o filho foram foram levados de ambulância do estádio Morumbi ao Hospital Metropolitano, onde receberam os primeiros socorros.
O torcedor relata que foi liberado após o atendimento, mas continuou "sofrendo com intensas dores nos arcos costais". Por isso teve de fazer novos exames.
"Na tomografia computadorizada realizada no dia 27/05/2016 (doc. 08), foi constatada a fratura nos arcos costais, no segmento antero-lateral do 5º, 6º e 7º arcos costais direito", relatou na ação contra o São Paulo.
Plano de saúde
A situação do filho de Salim foi bem mais delicada, segundo relato.
Após passar pelos primeiros socorros, o menino "foi transferido, em ambulância, do Hospital Metropolitano ao Hospital Nove de Julho". A escolha deste hospital foi porque o local fazia parte do plano de saúde do garoto, segundo consta na ação.
Alías, a busca por um hospital que aceitasse o plano de saúde do menino é relatada pelo pai durante parte da ação. E é criticada. Veja:
"Inclusive, antes do Requerente iniciar o seu atendimento, chegou a passar na porta do Hospital São Luiz, mas não chegou a ser atendido nesse hospital pois seu convênio médico não lhe dava cobertura. Mais um absurdo, pois o Requerido deveria ter procedido com a internação do Requerente, a suas custas, arcando com todas as despesas médicas, no hospital São Luiz, para os primeiros e urgentes atendimentos, uma vez que se desconhecia, naquele momento, o real estado de saúde de ambos os acidentados."
"Mas, visando economia, perambulou com o Requerente a um próximo hospital, na expectativa de que o plano de saúde do Requerente cobrisse o atendimento. Assim, foi atendido inicialmente no hospital Metropolitano, para os procedimentos necessários e, após, encaminhado ao hospital Nove de Julho, em ambos com cobertura total pelo plano do Requerente."

FOTO: REPRODUÇÃO LAUDO ENGENHARIA
Cirurgias
Uma vez no hospital onde o plano de saúde era aceito, o filho de Salim Ali passou por algumas cirurgias por conta da gravidade do acidente, relatou na ação.
"Face às fraturas na região malar e temporal esquerda da face, o Requerente foi submetido à cirurgia plástica ereparadora, com implantes e enxerto reparadores, conforme se vê do relatório médico elaborado pelo Dr. Wilson Yoshito Matsunaga, médico cirurgião que ficou responsável pelos procedimentos no Requerente."
"Ocorre que, mesmo após a alta do Requerente, este foi submetido a uma série de procedimentos, tais como, consultas médicas, fisioterapia tratamento dermatológico e outros, causando toda sorte de aborrecimento, transtorno e desconforto."
O torcedor ainda listou que o filho foi submetido a 35 procedimentos desde o acidente, entre os quais duas internações e 24 sessões de fisioterapia.
"Sem contar que [o requerente] ficou privado durante 2 (duas) semanas de ir à escola, sem poder tomar Sol por 6 (seis) meses, sem esforço físico, inclusive futebol (esporte predileto)", escreveu. "E para agravar a situação, o Requerente ficou com enorme inchaço no rosto, hiperpigmentação e cicatrizes na pele, o que gerou grande constrangimento".
Problemas pós-cirúrgicos
Mesmo após as cirurgias, Salim Ali relata que o filho ficou com sequelas, como sinusite recorrente. "O sofrimento do Requerente ainda não terminou, pois terá que ser submetido a uma nova cirurgia já pré-agendada para o mês de junho de 2017 para a retirada das placas de titânio, bem como, necessita de acompanhamento médico de no mínimo até os 18 (dezoito) anos de idade, ou seja, por mais 6 (seis) anos, face ao crescimento facial, embora alguns médicos nas consultas tenham mencionado a necessidade de acompanhamento até os 24 (vinte e quatro) anos de idade."
O torcedor finaliza a descrição dos fatos afirmando que "todas as cirurgias, exames e algumas consultas médicas foram arcadas pelo Convênio Médico dos Requerentes", mas reconhece que o São Paulo custeou algumas "consultas médicas específicas, tratamento fisioterápico e outros".

Indenização
A indenização pedida pelo torcedor totaliza R$ 450 mil, sendo que ele dividiu R$ 300 mil para o filho "pelos danos morais (diretos e indiretos) e danos estéticos sofridos em decorrência do acidente no estádio Morumbi" e R$ 150 mil.
Outro lado
Procurado pela reportagem, o São Paulo informou que não comenta ações na Justiça.