O exercício a ser feito com o São Paulo neste início de 2017 é enaltecer sem exageros. Ainda é fevereiro, mas há notícias muito boas. A principal: um padrão de jogo depois de duas partidas por um torneio amistoso, uma na Copa do Brasil e três pelo Campeonato Paulista. Foram 540 minutos de erros, acertos, falhas e brilho individual, mas, acima de tudo, de um padrão que conduziu a equipe de Rogério Ceni à vitória por 3 a 1 sobre o Santos, na Vila Belmiro. Um feito.
Diante de um rival que é resultado de projeto bem acabado pelo tempo e por Dorival Júnior, o Tricolor saiu atrás pela terceira vez seguida no campeonato, e de novo conseguiu virar. Por quê?
Porque teve convicção em seu modelo de jogo. Já que não conseguiu se infiltrar na defesa do Santos, trocou passes até ganhar um pênalti quando era inferior no confronto. Colocou seu time no campo de ataque, e, no segundo tempo, aplicou os conceitos na prática: posse, agressividade na recuperação e velocidade para chegar ao gol adversário.
O São Paulo começou com uma diferença importante em relação ao último jogo: Cícero como primeiro volante, à frente dos zagueiros, e João Schmidt adiantado ao lado de Thiago Mendes.
Durou 20 minutos. Com o Santos à frente no placar, Cícero e Schmidt inverteram. O gol de Copete não saiu por conta dessa mudança, e sim de uma falta de sintonia na recomposição defensiva. Sem a bola, Cueva fica centralizado e Gilberto compõe o lado direito, mas ninguém correu junto com Zeca, que recebeu e teve uma avenida para percorrer. Vitor Bueno se aproximou, Buffarini ficou sozinho contra a dupla, e o lance resultou no gol.
Com a bola, o São Paulo jogou no 3-4-3. João Schmidt afundava na linha dos zagueiros e os laterais se adiantavam alinhados aos meias, com Neilton (Luiz Araújo), Cueva e Gilberto à frente. A formação fica bem clara na imagem abaixo, no segundo tempo:

João Schmidt, à esquerda, ao lado de Rodrigo Caio e Maicon, enquanto Buffarini e Júnior Tavares estão em linha com Thiago Mendes e Cícero (Foto: Reprodução)
Para marcar o Santos, porém, o 4-1-4-1 também ficou bem desenhado (veja abaixo).

São Paulo compacto no 4-1-4-1 para, em vantagem no placar, marcar o Santos (Foto: Reprodução)
Ajustado coletivamente, faltava o brilho individual, e ele veio no intervalo com a entrada de Luiz Araújo. Com mais decisões certas do que no ano passado, ele deu velocidade ao ataque. O gol da virada, belíssimo, nasceu do desarme de Thiago Mendes sobre Lucas Lima, e se criou na velocidade de raciocínio e movimentos de Araújo e Gilberto: treino.
Mendes, por sinal, era o grande destaque até sair com dores no pé. Preciso ao interceptar a linha de passe do Santos e dono de ótimo posicionamento para dar opção de passe ao São Paulo.
Nova prova do padrão de jogo veio a seguir. Thiago Mendes foi substituído por Araruna, que, com espaço, arquitetou a jogada de outro lindo gol de Luiz Araújo, com a participação especial de Cueva, peruano que, "liberado" da recomposição defensiva durante boa parte do jogo, consegue decidir com a bola nos pés. Do momento em que a bola sai das mãos de Sidão até terminar nas redes de Vladimir, passaram-se 16 segundos.
Na Vila, Rogério Ceni não teve Pratto, Jucilei, Chavez, Wellington Nem e Wesley, sem falar em Lucas Fernandes, ainda sem ritmo. Não é um elenco brilhante? Não. Mas é capaz de incomodar bastante se continuar aprimorando esse padrão de jogo.